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Polícia

Anvisa e PF anunciam análise de canetas emagrecedoras apreendidas no país

Por Bruno
Anvisa e PF anunciam análise de canetas emagrecedoras apreendidas no país

Da Redação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal anunciaram nesta quarta-feira, 6, uma atuação conjunta para analisar medicamentos injetáveis irregulares do tipo GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A medida foi formalizada por meio de nota técnica e tem como objetivo avaliar os riscos à saúde pública e fortalecer investigações criminais relacionadas à circulação desses produtos no país.

Segundo os órgãos, os medicamentos apreendidos passarão por análises laboratoriais para verificar quais substâncias estão efetivamente presentes nas formulações. A iniciativa busca esclarecer a composição dos produtos que vêm sendo comercializados de forma irregular, muitas vezes sem registro sanitário e fora dos padrões exigidos.

De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a cooperação é fundamental tanto do ponto de vista sanitário quanto investigativo. 

— Para a autoridade sanitária, esse trabalho é essencial para avaliar o risco concreto à saúde da população; para o Estado como um todo, os resultados fortalecem os inquéritos criminais — afirmou.

Irregularidades e riscos

Entre as principais irregularidades identificadas pelas autoridades estão o contrabando de medicamentos sem registro no Brasil e a manipulação em condições inadequadas. Esses fatores podem comprometer a eficácia dos produtos e aumentar o risco de contaminação, além de não garantirem qualidade, pureza ou conservação adequada.

A comercialização de medicamentos irregulares é considerada crime pelo Código Penal. Com a participação da perícia da Polícia Federal, os resultados das análises poderão ser incorporados a inquéritos em andamento, contribuindo para identificar responsáveis e desarticular esquemas de distribuição ilegal.

A nota técnica também estabelece diretrizes para atuação integrada entre os órgãos, com troca de informações e alinhamento de procedimentos. A expectativa é ampliar a eficácia das ações de fiscalização, prevenção e repressão a práticas ilícitas no setor.

Crescimento de casos 

Dados analisados pela Anvisa indicam aumento significativo de notificações de efeitos adversos relacionados ao uso desses medicamentos. Entre 2018 e 2026, foram registradas quase 3 mil ocorrências, sendo aproximadamente metade concentrada apenas em 2025.

Entre os registros há relatos de casos graves, incluindo mortes, embora nem todos tenham relação direta confirmada com os medicamentos. Ainda assim, o crescimento acelerado do uso — muitas vezes sem orientação médica — acende um alerta para os riscos à saúde.

Esquemas organizados

No campo criminal, investigações conduzidas pela Polícia Federal, com apoio técnico da Anvisa, apontam a existência de cadeias ilícitas complexas, com atuação interestadual e uso de plataformas digitais para comercialização em larga escala. Há indícios também de importação irregular de insumos utilizados na produção dos medicamentos.

Operações recentes evidenciaram o alto nível de organização desses grupos, o que motivou o reforço na atuação conjunta entre os órgãos.

Fiscalizações e apreensões

Somente em 2026, foram realizadas 11 inspeções em farmácias de manipulação e empresas importadoras, resultando em oito interdições por falhas técnicas graves e ausência de controle de qualidade. Entre janeiro e abril, a Anvisa avaliou 26 estabelecimentos, interditando oito deles.

As ações também levaram à apreensão de mais de 1,3 milhão de unidades de medicamentos 

injetáveis irregulares, além da adoção de medidas proibitivas envolvendo importação, comercialização e uso desses produtos.

Em uma operação conjunta realizada em 7 de abril, que envolveu 12 estados, foram identificadas transações irregulares que somam R$ 4,8 milhões. As investigações apontaram a movimentação de substâncias suficientes para a produção de mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis.

Na mesma ação, foram apreendidos mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados de forma irregular. Em três estados, também foi detectada a presença de retatrutida, substância que ainda não foi lançada oficialmente nem possui registro em agências reguladoras no mundo.

Ações integradas

Com a nova estratégia, Anvisa e Polícia Federal buscam ampliar o controle sobre a circulação desses medicamentos e reduzir os riscos à população. A análise conjunta das amostras deve fornecer subsídios técnicos tanto para decisões sanitárias quanto para responsabilização criminal dos envolvidos.

A iniciativa ocorre em meio ao crescimento da demanda por medicamentos para emagrecimento e reforça o alerta das autoridades sobre os perigos do uso de produtos sem procedência e sem acompanhamento profissional adequado.

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