Aumento de violência contra a mulher cresce e o número de medidas protetivas acompanha

Elian Ozéias
A violência contra a mulher segue em crescimento em Divinópolis e preocupa autoridades. Somente na última sexta-feira, 22, a 2ª Vara Criminal da Comarca do Município expediu 40 mandados de medidas protetivas, conforme o Agora teve acesso com exclusividade, para serem cumpridos no fim de semana, um retrato da escalada de denúncias e da gravidade do problema.
Os números confirmam a tendência registrada ao longo do ano: segundo dados da Polícia Civil, entre janeiro e junho de 2025, a cidade contabilizou 918 vítimas de violência doméstica, o que representa uma média de cinco registros por dia, ou uma mulher agredida a cada cinco horas. O aumento foi de 15,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram 796 ocorrências.
Desde 2019, Divinópolis soma 16 vítimas de feminicídio, sendo 12 mortes consumadas e quatro tentativas. Apenas em 2025, já houve um feminicídio consumado e seis tentativas.
Ocorrências recentes
O último domingo, 24, registrou dois novos episódios de violência doméstica que reforçam a gravidade da situação.
No primeiro, uma mulher de 37 anos denunciou ter sido ameaçada pelo ex-marido ao buscar o filho de 16 anos na fazenda dele, localizada na estrada de acesso ao Lago das Roseiras. Segundo o relato, o homem, de 46 anos, resistiu a entregar o adolescente e passou a ameaçá-la de morte com uma espingarda calibre .28.
A Polícia Militar (PM) foi acionada e, após perseguição, localizou e prendeu o suspeito, que corria em direção a um matagal. A arma foi apreendida na residência, escondida atrás da porta do quarto. Ele foi preso por ameaça, violência doméstica e posse ilegal de arma de fogo.
No mesmo dia, uma jovem de 21 anos, natural da Venezuela, procurou a PM para denunciar ameaças de morte feitas pelo ex-companheiro, de 23 anos, também venezuelano. O casal havia morado no Paraná antes da separação, e a vítima se mudou para Divinópolis em busca de recomeço.
Segundo a ocorrência, o suspeito foi até a casa da jovem, no bairro Maria Helena, onde além das ameaças, furtou o celular dela. Ele foi localizado em uma pousada na rua avenida de Setembro, com o aparelho em posse. Preso em flagrante, foi encaminhado à delegacia por furto, ameaça e violência doméstica.
Feminicídios em alta
Um dos episódios mais marcantes do ano ocorreu em maio, quando uma mulher foi estrangulada pelo namorado no bairro Jardinópolis. O crime aconteceu na madrugada do dia 21, dentro da residência da vítima, enquanto suas duas filhas pequenas estavam em casa.
O suspeito, que já tinha passagens pela polícia, fugiu e foi preso logo em seguida em Nova Serrana. A denúncia partiu do irmão dele, que acionou a PM após tomar conhecimento do caso. A Polícia Civil instaurou inquérito e o Conselho Tutelar acompanha a situação das crianças.
Avaliação das autoridades
Em entrevista ao Agora, a titular da Delegacia Especializada em Antendiento a Mulher, Franciely Sifuentes, ressaltou que o aumento nos registros pode estar ligado também ao crescimento das denúncias, fruto de maior conscientização e acesso das vítimas à rede de proteção.
— Uma das causas pode ser atribuída ao maior número de denúncias, mas não posso afirmar qual seria a causa exata desse aumento — afirmou.
Conforme a delegada, não é prudente fazer avaliação apenas com dados estatísticos, pois outros fatores, como reincidências e contextos sociais, devem ser considerados para mensurar a real situação no município.
Desafio permanente
A escalada dos casos de violência contra a mulher em Divinópolis, segundo especialistas, reforça a urgência de políticas públicas mais eficazes e de uma rede de apoio que vá além do atendimento imediato. A aplicação de medidas protetivas, como as 40 expedidas apenas em um único dia, segundo eles, mostra que muitas vítimas estão buscando proteção, mas também evidencia a gravidade do cenário.
As autoridades reforçam a importância das denúncias anônimas, que podem ser feitas pelos números 190 e 181, e ressaltam que a participação da comunidade é fundamental para que mulheres consigam romper o ciclo da violência e que os agressores sejam responsabilizados.
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