Semana decisiva

Os brasileiros conhecerão nesta semana o destino do grupo acusado de suposta trama golpista, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro, (PL). O que está nas mãos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), infelizmente. A partir do momento em que decisões judiciais se misturam com questões políticas, a situação do país fica totalmente fragilizada. E não é de hoje que isso é visto no Brasil, e, pelo visto, não tem prazo para acabar. Nas acusações, julgamento e prisão do atual presidente Lula (PT) foi assim, com o impeachment de Dilma Rousseff também, sem citar dezenas de casos anteriores, mesmo antes da primeira eleição presidencial de forma democrática, em 1989. Ou seja: sendo A ou B que esteja no banco dos réus, a isenção que deveria prevalecer, sempre deixa a desejar. É isso que deveria ser condenável.
“Núcleo 1”
O julgamento do “núcleo 1” entra na semana decisiva nesta terça-feira, 9. O grupo responde pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. Isso, na avaliação do Supremo, é claro. Em especial do relator, Alexandre de Moraes. Somadas, as penas podem chegar a 30 anos de prisão. A investida começou na semana passada, quando houve duas sessões. Um retrato do que pode dos próximos dias em Brasília, foi visto no fim de semana, quando o Brasil se dividiu em protestos — como vem ocorrendo nos últimos anos — de direita e esquerda, inflamados pelo que pode estar po vir no julgamento e seu veridicto. Confronto? Nada. Guerra mesmo!
Força significativa
As manifestações de domingo não só comprovou a divisão política, como ganhou destaque internacional. O jornal norte-americano New York Times repercutiu as os atos mais afora e destacou que o Brasil está dividido e que os protestos do 7 de Setembro abriram uma semana tensa na qual o ex-presidente será julgado. Estampou na reportagem ainda que Bolsonaro continua como uma “força política significativa”. Pura verdade. Basta comparar as imagens aéreas de várias capitais do país para ver que os apoiadores da direita, supera e muito, os da esquerda. O maior deles foi novamente na avenida Paulista, em São Paulo. Por lá desfilaram políticos aliados do ex-presidente, como o governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos); o de Minas, Romeu Zema (Novo) e o pastor Silas Malafaia. Havia mais pessoas e lideranças políticas importantes. Agora, que essa vantagem signifique votos ou que force a aprovação do projeto de anistia, isso "são outros quinhentos".
Confiança despenca
Diante de tantos fatos, abusos de poder, e defesas de interesses próprios, o resultado só poderia ser um: o descontentamento da população com os poderes brasileiros. A confiança dela no Congresso Nacional, por exemplo, caiu sete pontos nos últimos dois anos e o Legislativo se tornou a instituição menos confiável entre os Poderes da República. Os dados são da Pesquisa Genial Quaest, divulgados nesta segunda-feira, 8. O levantamento aponta que 45% dos entrevistados afirmaram confiar no Congresso Nacional, enquanto 52% responderam que não confiam nos deputados e senadores. Outros 3% não souberam responder. Em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), 50% afirmaram confiar e 47% não. Outros 3% não souberam responder. Ou seja: "pau a pau". Como tudo não está perdido, e nem poderia, pelo menos um escapou. A Presidência da República. O Executivo nacional tem a confiança de 54% dos entrevistados e a desconfiança de 44%. Outros 2% não souberam responder. Mesmo assim, 10% é muito pouco para ser comemorado. O povo precisa e merece muito mais.
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