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Coluna MG

Batalhas Cotidianas

Batalhas Cotidianas

Augusto Fidelis

No início deste mês, recebi um texto de autoria anônima, desses que se hospedam na Internet, o qual conta a grande batalha entre a cobra e o vaga-lume. Em síntese, diz o seguinte: uma cobra, ao ver o vaga-lume que passava imponente e luminoso, resolveu comê-lo. De início, o vaga-lume ousou enfrentar a cobra, porém, em desvantagem, bateu-se em retirada, mas a cobra prosseguiu no seu encalce e o encontrava onde quer que se escondesse, pois o pisca- pisca o denunciava. Sem condições de continuar a fuga, dado por vencido, o vaga-lume resolveu investigar por qual motivo a peçonhenta queria dar-lhe
cabo. Colocou-se a uma distância estratégica, elevou a voz e perguntou: “Dona cobra, a senhora está determinada em me devorar. Eu sei que fará isso, porque nossas forças são desiguais, No entanto,
responda-me com honestidade: por que deseja me comer?” A cobra colocou-se em posição de bote, bateu com a ponta do rabo no chão três vezes e respondeu: “Porque não suporto o seu brilho”.
Certas fábulas, como esta, escondem muitas mensagens nas entrelinhas, que às vezes alertam, ora aconselham, ora denunciam. Com os ensinamentos colhidos na voz e nas ações dos animais, os
humanos podem tirar muitas lições e colocá-las em prática. Uma delas é que, de vez em quando, é bom se afastar do front para que, livre do estilhaçar das bombas, possa melhor observar o campo de batalha e
preparar novas estratégias de luta. A filósofa Dercy Gonçalves, já descida à sepultura, certa vez0 indagada se tinha medo da morte, respondeu sem meias palavras: “A morte é um descanso da vida. A vida é que é a luta. Você levanta de manhã, já tem que lavar a cara, lavar a bunda, fazer café. Só não é uma ventania porque você vai fazendo devagar”. Embora acreditasse que a morte é o descanso da vida, Dercy era enfática: “Só vou morrer quando eu quiser”. Pelo visto, quis morrer o mais tarde possível, porque a vida é o bem maior e por ela valem todas as batalhas. Batalhar pela vida inclui arrancar do coração todas as mágoas, todos os rancores e se livrar de todos os estresses, que abalam a saúde e o humor. É preciso deixar que a alma flutue com a leveza de uma pluma, devotada a fazer o bem sem olhar a quem,
porque a recompensa vem do alto. O Brasil passa por momentos de difíceis em que a política arrasta tudo e todos para o abismo. Impera a falta de bom-senso e sensibilidade por parte dos homens públicos. Apesar do risco de ser devorado, já que o mundo é um ninho de cobras, insisto que cada um de nós deve ser vaga-lume, para que a nossa luz seja um farol para quem estiver à deriva. A nossa recompensa será sempre a satisfação de ver salvo quem estava desgarrado, de ter encontrado quem estava perdido. No mais, tudo é vaidade, tudo é ilusão.

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