Brasil identifica 89% dos casos de tuberculose e se aproxima de meta internacional

Lucas Maciel
O Brasil avançou no enfrentamento da tuberculose e identificou, em 2025, 89% dos casos estimados da doença no país. O índice aproxima o país da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e reflete a ampliação do diagnóstico, do tratamento e das estratégias de prevenção no Sistema Único de Saúde (SUS).
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde no Dia Mundial da Tuberculose, celebrado nesta terça-feira, 24, e indicam uma recuperação importante após os impactos da pandemia de covid-19, que comprometeu o diagnóstico e o acompanhamento de pacientes em todo o mundo.
Avanço no diagnóstico
Um dos principais fatores para o aumento da detecção foi a ampliação da testagem. Em 2025, o país registrou crescimento de 76,3% na realização de testes moleculares, considerados mais rápidos e precisos para a identificação da doença.
Durante a pandemia, houve redução significativa na detecção de novos casos, devido à interrupção de serviços de saúde e à diminuição da busca por atendimento. A partir de 2023, o país passou a recuperar a capacidade diagnóstica, movimento que se manteve nos anos seguintes.
Com isso, além de ampliar a identificação de casos, o Brasil também avançou no diagnóstico de formas mais complexas da doença, como a tuberculose drogarresistente.
Tratamento
Outro destaque é a evolução nos tratamentos. Atualmente, 95% dos pacientes elegíveis com tuberculose resistente já utilizam esquemas terapêuticos mais curtos, considerados mais seguros e eficazes.
A incorporação de novos medicamentos também tem contribuído para melhorar os resultados. Um dos avanços recentes foi a inclusão da pretomanida nos protocolos, permitindo reduzir o tempo de tratamento de casos resistentes de até 18 meses para cerca de seis meses.
Além disso, o tratamento da tuberculose, oferecido gratuitamente pelo SUS, segue sendo uma das principais ferramentas para controlar a doença. Em geral, a terapia dura no mínimo seis meses, podendo ser reduzida em situações específicas.
Prevenção
As ações preventivas também ganharam força. Em 2025, mais de 46 mil pessoas iniciaram o tratamento preventivo da tuberculose, com taxa de adesão superior a 75%.
Os esquemas preventivos mais curtos tiveram crescimento expressivo, aumentando 170% entre 2022 e 2025 e se consolidando como uma das principais estratégias para evitar o desenvolvimento da doença, especialmente em grupos de risco.
Entre os públicos prioritários estão pessoas que tiveram contato com pacientes infectados e aquelas que vivem com HIV, grupo mais vulnerável à tuberculose.
Integração
Outro avanço importante foi a integração das ações de combate à tuberculose com o cuidado ao HIV. A testagem para o vírus entre novos casos da doença aumentou ao longo dos últimos anos, ampliando o acesso ao tratamento adequado e contribuindo para a redução da mortalidade na coinfecção.
A atuação da Atenção Primária à Saúde também tem papel estratégico nesse processo, especialmente no diagnóstico precoce, no acompanhamento dos pacientes e na prevenção do abandono do tratamento — um dos principais desafios no controle da doença.
Investimentos e estrutura
Para garantir a continuidade das ações, o Ministério da Saúde destinou, em 2025, mais de R$ 73 milhões para a aquisição de medicamentos, assegurando o abastecimento da rede pública.
Além disso, a qualificação dos profissionais de saúde tem sido apontada como essencial para melhorar o atendimento. Está previsto para 2026 o lançamento de um guia e de um curso voltados ao cuidado farmacêutico na tuberculose, com foco na capacitação das equipes.
Desafio
Apesar dos avanços, a tuberculose ainda representa um importante problema de saúde pública. A doença está diretamente relacionada a fatores sociais e econômicos, como condições de moradia, acesso à saúde e vulnerabilidade social.
No mundo, cerca de 10 milhões de pessoas adoecem todos os anos, com mais de 1 milhão de mortes. No Brasil, são registrados aproximadamente 84 mil novos casos anuais e cerca de 6 mil óbitos.
A tuberculose tem cura, desde que o tratamento seja seguido corretamente até o fim. A interrupção pode agravar o quadro e favorecer o surgimento de formas resistentes da doença.
Além do tratamento, a vacina BCG continua sendo uma das principais formas de prevenção das formas graves, especialmente em crianças. Em 2025, a cobertura vacinal no país alcançou 98%, com milhões de doses distribuídas.
Caminho para a eliminação
Os dados mais recentes indicam que o Brasil avança no objetivo de eliminar a tuberculose como problema de saúde pública. Ainda assim, especialistas apontam que o enfrentamento da doença exige ações contínuas, com foco na redução das desigualdades e na ampliação do acesso aos serviços de saúde, especialmente entre as populações mais vulneráveis.
O desafio permanece, mas os indicadores mostram que o país está mais próximo de atingir as metas internacionais e reduzir o impacto da tuberculose nos próximos anos.
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