Brasil registra mais de mil feminicídios; Minas é o segundo estado com mais casos

Elian Ozéias
O Brasil registrou 1.177 feminicídios em 2025, mantendo uma média trágica de quatro mulheres assassinadas por dia, segundo dados divulgados pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes. O número, embora levemente inferior aos 1.492 casos de 2024, segue em patamar alarmante e reforça a persistência da violência de gênero no país.
Somente no primeiro semestre, o Mapa Nacional da Violência de Gênero identificou 718 mulheres mortas por serem mulheres. Minas Gerais concentrou 60 casos, ficando atrás apenas de São Paulo em números absolutos. O estado registrou, assim, um feminicídio a cada três dias, evidenciando a gravidade da situação.
O levantamento, produzido a partir de dados do Ministério da Justiça, também mostra o avanço da violência contra a mulher como um todo: 481.218 brasileiras foram vítimas de algum tipo de agressão até junho de 2025. Entre essas ocorrências estão ameaças (292.270), lesões corporais (153.233), homicídios (3.815) e feminicídios, consumados ou tentados, que somaram 1.197 registros.
Desde que o feminicídio passou a integrar o Código Penal, em 2015, 12.380 mulheres foram mortas no país por sua condição de gênero. A média de quatro feminicídios diários tem se repetido há pelo menos cinco anos.
Em Divinópolis
No âmbito local, Divinópolis também apresenta números preocupantes: a cidade contabilizou quatro feminicídios e quatro tentativas em 2025, segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A violência doméstica e familiar também tem impacto significativo.
De janeiro a outubro, o município somou 1.566 ocorrências desse tipo. Os meses com maior incidência foram março (174 casos), abril (165) e setembro (161).
O crime mais brutal registrado neste ano foi o assassinato de Lucélia Batista Silva, de 39 anos, morta pelo companheiro Juares Marques dos Santos com golpes de um banco de madeira, em 15 de agosto, na comunidade do Choro. Lucélia chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital no dia 9 de setembro.
O suspeito, que já tinha histórico de violência contra mulheres, inclusive tentativa de homicídio contra outra ex-companheira, teve a prisão decretada em 3 de setembro e segue foragido. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) com apoio de outras delegacias da Polícia Civil e Polícia Militar, mantém as buscas.
Desigualdade, renda e
educação agravam cenário
Para especialistas, a violência de gênero não ocorre de forma isolada e está associada a fatores sociais como desigualdade econômica, dependência financeira e baixa informação. A ministra Márcia Lopes destaca que mulheres com menos acesso à renda e serviços públicos enfrentam maiores dificuldades de romper ciclos de violência.
A disparidade salarial reforça essa vulnerabilidade: mulheres ganham, em média, 21,2% menos que homens, podendo chegar a 30% dependendo da categoria profissional.
— A autonomia econômica é central para que a mulher consiga acessar proteção e romper situações de risco — afirma a ministra.
Lopes também ressalta que a violência “não escolhe classe social”. Segundo ela, empresárias, acadêmicos, gestoras públicas e mulheres em posição de liderança relatam, da mesma forma, vivências de agressões psicológicas, morais e físicas.
Ações e políticas públicas
Entre as iniciativas do governo federal está a ampliação do Ligue 180, que realiza cerca de 3 mil atendimentos por dia e funciona como canal de denúncia, acolhimento e orientação. O Ministério das Mulheres também articula parceria com universidades e institutos federais para incluir conteúdos sobre igualdade de gênero nos currículos de formação profissional, fortalecendo políticas permanentes de prevenção.
— Tudo o que queremos é não esconder os números, diz Lopes. Só com dados precisos e políticas contínuas conseguiremos enfrentar essa realidade que ainda destrói tantas vidas — conclui.
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