Camelôs pressionam por acordo após aumento de até 500% no aluguel

Da Redação
O aumento nos aluguéis do camelódromo de Divinópolis, conhecido como "Centro de Comércio Popular", gerou revolta entre os comerciantes e levou a uma reunião com o prefeito Gleidson Azevedo (Novo).
O valor, que era de R$ 262, chegou a ser proposto em R$ 700, para boxes internos e R$ 1, 4 mil para as bancas de frente – um aumento de até 500%. Após negociações, ficou acertado que os camelôs pagarão R$ 400 mensais, mas muitos ainda consideram o valor alto diante da crise no comércio.
Aumento
Os vendedores relataram que o comércio está fraco e que muitos mal conseguem vender o suficiente para pagar o aluguel.
— Se eu vendo uma mochila de R$ 30, tenho que vender 10 ou 15 só para pagar o aluguel. Tem dia que a gente não vende nada — desabafou um deles.
Outros destacaram que, em dias ruins, sequer conseguem tirar dinheiro para o transporte ou alimentação.
O vereador Flávio Marra (PRD), que intermediou a negociação, afirmou que a maioria dos trabalhadores do camelódromo são pessoas de baixa renda e escolaridade, muitas vindas de outras cidades em busca de oportunidades.
— Se o aumento de 500% fosse mantido, mais da metade fecharia as portas — alertou.
Por que subiu tanto?
O proprietário do imóvel, Leandro Borges, explicou que o valor estava congelado há cinco anos a pedido de gestões anteriores.
— Na época do prefeito Galileu, foi pedido para não cobrar aluguel por um ano. Depois, o prefeito Gleidson prorrogou por mais tempo. Só era pago um condomínio simbólico — afirmou.
Com a inflação e os custos administrativos subindo, Borges justificou a necessidade de reajuste.
— Fizemos uma avaliação imobiliária e chegamos a um valor de mercado, mas o prefeito pediu para reduzir, pensando nos que realmente dependem disso — Contou.
Solução temporária
Apesar do acordo, os camelôs ainda temem que o novo valor seja pesado para seus negócios. Enquanto isso, Flávio Marra adiantou que está elaborando um anteprojeto para a construção de um novo espaço público que abrigue os vendedores.
— O ideal é que a Prefeitura adquira um imóvel e regularize a situação, para que não fiquem reféns de aluguéis privados — defendeu.
A expectativa é de que a proposta seja apresentada em breve, mas, por enquanto, os comerciantes seguem na expectativa de que as vendas melhorem – ou que novas medidas sejam tomadas para evitar o fechamento em massa de bancas.
Prefeitura
A assessoria de comunicação da Prefeitura informou que a negociação é entre locatários e proprietários, mas que o governo municipal atuou como mediador para evitar um colapso no camelódromo. A Administração também sinalizou disposição para discutir alternativas a longo prazo.
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