“E Ainda Assim se Levantar” é neste fim de semana

Da Redação
A Expedição Lunar, projeto da Cia. Luna Lunera, que acontece desde 2006 com a proposta de fomentar a circulação de espetáculos por cidades mineiras, associada à formação artística e de público, chega a sua 7ª edição. Até o mês de agosto, o projeto terá passado por Belo Horizonte, Uberlândia, Uberaba, Divinópolis, Barbacena e Juiz de Fora, com quatro espetáculos de repertório: “Aqueles Dois”, “E ainda assim se levantar”, “Prazer” e “Urgente”; além da realização de oficinas e bate papos.
Divinópolis
Em abril, a cia. chega à Divinópolis com a montagem “E Ainda Assim se Levantar”. Com direção de Isabela Paes e dramaturgia de Marcos Coletta com a Luna Lunera, a peça parte de uma pergunta central: como encontramos força em momentos de esgotamento iminente? Um convite ao público a explorar as complexidades e resiliências humanas.
Apresentações
O espetáculo fará duas apresentações em Divinópolis, nos dias 5 e 6, sábado às 20h e domingo às 19h, no Teatro Municipal Usina Gravatá. Os ingressos custam R$40,00 (inteira) e estão à venda online no site www.sympla.com.br . Este projeto conta com o patrocínio da CEMIG, por meio de recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.
Objetivo
O objetivo da Expedição Lunar é “promover o acesso às artes cênicas, por meio dos espetáculos de repertório da Cia., além da formação artística e também de público, com a realização de oficinas e bate-papos em cidades de Minas Gerais”, conforme explica o ator Cláudio Dias. Esta edição leva à Divinópolis duas oficinas gratuitas: “Atuação Criadora”, nesta sexta, das 18h às 22h e no sábado, das 9h às 13h, e também no sábado tem a “Produção Cultural” das 14h às 18h. As aulas acontecerão na Escola Municipal de Música e as inscrições são feitas pelo Instagram @cia.lunalunera.oficial e Teatro Municipal Usina Gravatá.
“E Ainda Assim se Levantar”
Como encontrar forças para seguir em frente? Como manter a esperança e o desejo diante das ameaças ao futuro? Como ajudar e ouvir o outro quando estamos prestes a cair? Como continuar quando nossos corpos não aguentam mais? Como fazer teatro quando a palavra se tornou uma ameaça? Não temos respostas, mas sabemos que não vamos desistir.
Com atuação de Anderson Luri, Cláudio Dias e Letícia Castilho, “E Ainda Assim se Levantar” aposta numa reconfiguração da narrativa clássica (história/personagens/cenário) para dar lugar à eloquência dos corpos como principal instrumento de criação.
— De onde podemos encontrar forças quando parece que não podemos aguentar mais? Essa é uma das reflexões que motivaram a criação do espetáculo. E é preciso defender o que nos salva, defender nossa alegria — explica Isabela Paes.
Musicalidade
A musicalidade do espetáculo, executada pelos próprios atores, que cantam e tocam instrumentos percussivos, é um dos principais recursos que apontam o caminho. Não é uma mera trilha sonora de ambientação: ela resgata memórias de lutas e instiga, brechtianamente, à reflexão e à ação.
— Buscamos, na valorização da alegria, por meio da música e do carnaval, uma forma potente de respiro, como maneira de apoiar nosso movimento de sobrevivência — diz Cláudio Dias.
Sobre as personagens
O espetáculo promove um encontro entre três personagens: uma mulher, um homem jovem e um homem maduro.
A mulher: não consegue identificar com clareza de onde vem o cansaço. Está exausta de ter que provar tudo o tempo todo, de ser forte para ser ouvida e de ter que mostrar que não quer ser objetificada. Encontra no outro, no jogo, no encontro do aqui e agora, e em sua própria voz, as faíscas que a reacendem. E, às vezes, por breves momentos, conseguimos vê-la por inteiro. Sabe que é preciso defender a alegria.
O homem jovem: sempre parece estar no caminho certo, rumo ao sucesso, à vitória, à realização – o topo. No entanto, na própria corrida incessante, sente que se perdeu no fundo de tanto otimismo e certezas do legado machista. Tenta quebrar a máscara de ferro moldada para esse homem. Tenta desfazer os inúmeros nós em sua garganta.
O homem maduro: sempre esteve à frente, mas está exausto da luta, dos golpes. Parece difícil continuar sendo artista, gay e ativista, mas ele não sabe ser outra coisa senão ele mesmo. A caminhada foi longa, e ele sente o peso da idade, o corpo envelhecendo, as inúmeras derrotas. Pensa em desistir. Nem consegue mais chorar. A morte ronda. Mas, para ele, talvez não haja outra saída: enquanto estiver vivo, vai insistir em viver.
Ficha Técnica
A Cia. Luna Lunera apresenta mais um espetáculo que promete emocionar e provocar reflexões no público. Sob a direção de Isabela Paes, a dramaturgia é assinada por Marcos Coletta em parceria com a própria companhia, garantindo uma narrativa envolvente e marcada pela identidade criativa do grupo.
No elenco, os atores e criadores Anderson Luri, Cláudio Dias e Letícia Castilho dão vida a personagens construídos com profundidade e sensibilidade. A assistência de direção fica a cargo de Cláudio Dias, que também atua na coordenação do espetáculo ao lado de Marcelo Soul.
O figurino, desenvolvido por Camila Moreno em conjunto com a Cia. Luna Lunera, soma-se ao cenário assinado por Ed Andrade e pela companhia, criando uma ambientação estética que dialoga com a proposta da peça. A iluminação é fruto da criatividade de Marina Arthuzzi e Jésus Lataliza, proporcionando atmosferas impactantes ao longo da encenação.
Os vídeos que integram o espetáculo são assinados por Fabiano Lana, enquanto o design gráfico leva a assinatura de Rafael Maia. Já os registros fotográficos ficam por conta de Carlos Hauck e Kika Antunes, eternizando momentos marcantes da produção.
Na linha de frente da organização, Nathan Coutinho assume a produção executiva, enquanto a direção de produção é conduzida por Mariana Rabelo, garantindo que todos os aspectos da montagem aconteçam com excelência. A produção geral é realizada pela própria Cia. Luna Lunera, reafirmando o compromisso do grupo com o teatro independente e de qualidade.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
