Campanha da Fraternidade 2025 aborda Ecologia Integral

Lema e: “Deus viu que tudo era muito bom”; formação na Cúria Diocesana reúne representantes de 54 paróquias
Da Redação
A Cúria Diocesana de Divinópolis foi palco, no último domingo, 23, de um encontro formativo sobre a Campanha da Fraternidade (CF) 2025, que terá como tema “Fraternidade e Ecologia Integral” e o lema “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).
O evento reuniu cerca de 90 representantes de 54 paróquias da região, que vão atuar como multiplicadores das reflexões e orientações repassadas durante o encontro. A formação contou com a presença do bispo da Diocese de Divinópolis de Dom Geovane Luís da Silva, do vigário Episcopal para a Ação Pastoral, Marcelo Caixeta, e do padre Rodrigo Souza da Silva, da Diocese de Paracatu e secretário executivo do Leste II, que foi o principal expositor do tema.
Fraternidade
A Campanha da Fraternidade, iniciativa anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem como objetivo chamar a atenção da sociedade para questões que exigem conversão e mudança de atitude, em prol do bem comum. Em 2025, a CF abordará novamente a temática ambiental, motivada por uma série de marcos importantes: os 800 anos da composição do Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis; os 10 anos da publicação da Encíclica Laudato Sí’, do Papa Francisco; a recente Exortação Apostólica Laudate Deum; os 10 anos da criação da Rede Eclesial Pan Amazônica (REPAM); e a realização da COP 30, que acontecerá em Belém (PA), na Amazônia.
Reflexões
Durante o encontro, o padre Rodrigo Souza da Silva destacou a urgência de se refletir sobre a crise climática e a necessidade de uma ecologia integral, que considere não apenas o meio ambiente, mas também as dimensões social, econômica e espiritual da vida humana.
O vigário Episcopal, Marcelo Caixeta, reforçou a importância de se pensar globalmente e agir localmente.
— A crise climática é um desafio que afeta a todos, mas especialmente o Brasil, onde a natureza é tão rica e diversa. Tudo está interligado, e nossas ações têm consequências diretas no equilíbrio do planeta — disse.
Dom Geovane Luís da Silva, por sua vez, trouxe reflexões sobre as alternativas para superar a crise socioambiental, destacando o papel da Igreja e dos fiéis na promoção de uma cultura de cuidado e respeito pela criação.
—Precisamos ser agentes de transformação, inspirando-nos em São Francisco de Assis, que via em toda a criação um reflexo do amor de Deus — ressaltou o bispo.
Histórico
A Campanha da Fraternidade completa 61 anos em 2025, e a ecologia é o tema mais recorrente em sua história. Desde 1979, quando a CF abordou a preservação do meio ambiente com o lema “Por um mundo mais humano: Preserve o que é de todos”, a questão ambiental tem sido tratada de diferentes perspectivas. Em 1986, a CF refletiu sobre a relação do homem com a terra; em 2002, sobre os povos indígenas; em 2004, sobre a água como fonte de vida; em 2007, sobre a Amazônia; em 2011, sobre a vida no planeta; em 2016, sobre a casa comum; e em 2017, sobre os biomas brasileiros.
A escolha do tema para 2025 reforça a urgência de se enfrentar a crise socioambiental, promovendo uma conversão integral que ouça “o grito dos pobres e da Terra”, como destaca o objetivo geral da CF.
Identidade visual e simbologia
O cartaz da Campanha da Fraternidade 2025 traz elementos ricos em simbologia. No centro, a figura de São Francisco de Assis, representando o homem reconciliado com Deus, com os irmãos e com a criação. A cruz, outro elemento central, remete à espiritualidade quaresmal e à experiência de São Francisco com o crucifixo da Igreja de São Damião, que o inspirou a reconstruir a Igreja de Deus.
A natureza é representada por espécies da fauna e flora brasileiras, como a araucária, o ipê amarelo, o igarapé, o mandacaru, a onça-pintada e as araras-canindés, que simbolizam a necessidade de cuidar e integrar a criação. Já as cidades, com seus prédios e favelas, refletem o Brasil urbano, onde o estilo de vida distante da natureza tem impactos negativos sobre o meio ambiente e a qualidade de vida.
A técnica da colagem, utilizada na composição do cartaz, é uma escolha artística que simboliza a diversidade e a interligação de toda a criação.
—Cada pedaço da colagem, apesar de único, contribui para a totalidade da imagem, assim como cada pessoa e cada parte do meio ambiente têm um papel crucial na construção de um mundo sustentável e harmonioso —explica a CNBB.
Compromisso
A formação na Cúria Diocesana de Divinópolis encerrou-se com uma missa na capela, celebrada por Dom Geovane, que abençoou os participantes e reforçou o chamado à conversão e ao compromisso com a ecologia integral.
— Que esta Campanha da Fraternidade nos inspire a cuidar da criação como um dom sagrado, promovendo a justiça, a paz e o bem-estar de todos — concluiu o bispo.
Com o início das atividades da CF 2025, espera-se que as reflexões e ações propostas mobilizem não apenas a comunidade católica, mas toda a sociedade, em prol de um futuro mais sustentável e fraterno.
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