Cancelada de última hora, excursão religiosa vira alvo de investigação da Polícia Civil

Lucas Maciel
Uma excursão organizada para levar fiéis de Divinópolis ao PHN 2026, um dos maiores eventos da comunidade católica Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP), terminou em frustração e se transformou em caso de polícia. Após o cancelamento da viagem na véspera do embarque, cinco participantes procuraram a Polícia Militar e denunciaram um suposto golpe. O caso agora é investigado pela Polícia Civil.
De acordo com a ocorrência registrada pela PM, os participantes haviam adquirido pacotes para participar do evento religioso, realizado entre os dias 8 e 12 de julho. O embarque do grupo estava previsto para a noite de 10 de julho, mas, um dia antes da viagem, o responsável pela organização informou que a excursão havia sido cancelada em razão da morte de um familiar.
Segundo os relatos apresentados à polícia, além do cancelamento inesperado, os valores pagos pelos participantes não foram devolvidos.
Não havia reserva
As suspeitas aumentaram após os próprios fiéis entrarem em contato com a empresa que supostamente faria o transporte e com o local onde o grupo ficaria hospedado em Cachoeira Paulista. Conforme o boletim de ocorrência, eles foram informados de que não havia qualquer reserva de hospedagem nem contratação de ônibus em nome da excursão.
Diante da situação, os participantes procuraram a Polícia Militar, que registrou a ocorrência por suspeita de estelionato e encaminhou o caso à Polícia Civil, responsável pelas investigações.
Suspeita de golpe
Em nota enviada, a Polícia Militar confirmou que cinco vítimas relataram ter efetuado pagamentos ao organizador da viagem e que o embarque acabou sendo cancelado sem a devolução dos valores.
A corporação também confirmou que os participantes descobriram posteriormente que não existiam reservas ou contratações relacionadas à viagem.
A Polícia Civil não se manifestou até o fechamento desta edição, às 11h30 de ontem.
Evento reuniu milhares de jovens
O destino da excursão seria o PHN 2026, promovido pela Canção Nova em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo. O encontro é considerado um dos maiores eventos católicos voltados à juventude no país.
Segundo a organização, mais de 145 mil peregrinos passaram pela sede da comunidade entre os dias 8 e 12 de julho. O evento contou com cerca de 50 horas de programação, incluindo pregações, momentos de oração e shows de evangelização.
A edição deste ano teve como tema "Alvejados, lavados pelo sangue do Cordeiro", inspirado no livro do Apocalipse, e reuniu milhares de jovens de diversas regiões do Brasil.
Para os fiéis de Divinópolis que planejavam participar da programação, porém, a experiência terminou antes mesmo de começar.
Conforme apurado pela reportagem, a suspeita de golpe não tem qualquer relação com a organização do PHN ou com a Comunidade Canção Nova, responsável pela realização do evento em Cachoeira Paulista (SP). Segundo as informações, a denúncia envolve exclusivamente a excursão organizada para levar os participantes até o encontro religioso, incluindo a suposta contratação de transporte e hospedagem que, segundo as vítimas, não teria sido efetivada.
O que é estelionato?
O caso é tratado inicialmente como suspeita de estelionato, crime previsto no artigo 171 do Código Penal.
O estelionato ocorre quando uma pessoa obtém vantagem ilícita mediante fraude, induzindo ou mantendo alguém em erro e causando prejuízo financeiro à vítima. A legislação prevê pena de um a cinco anos de reclusão, além de multa, podendo haver agravantes dependendo das circunstâncias do caso.
Especialistas em segurança orientam que, antes de contratar excursões ou pacotes de viagem, os consumidores procurem verificar a existência da empresa organizadora, solicitem comprovantes de reservas, exijam contratos e desconfiem de ofertas sem documentação formal ou sem referências anteriores.
Possíveis novas vítimas
A Polícia Militar não informou o nome do responsável pela organização da excursão nem os valores pagos pelos participantes.
Com a divulgação do caso, a expectativa é que a investigação da Polícia Civil identifique se outras pessoas também adquiriram pacotes para a mesma viagem ou foram vítimas de situações semelhantes.
Caso novos relatos surjam, eles poderão ser incorporados às investigações já em andamento.
Enquanto aguardam respostas, os participantes afirmam buscar não apenas o ressarcimento dos valores pagos, mas também esclarecimentos sobre o que de fato aconteceu com a excursão que, segundo eles, foi cancelada de última hora e sem qualquer estrutura previamente contratada para ser realizada.
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