“Preso e perseguido por crime de opinião”, dispara Eduardo Azevedo após prisão domiciliar de Bolsonaro

Da Redação
Após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta segunda-feira, 4, aliados políticos reagiram com críticas contundentes à medida e ao Judiciário. As manifestações ocorreram principalmente nas redes sociais e se concentraram na defesa do ex-presidente, na acusação de perseguição política e em apelos diretos pelo impeachment do ministro Moraes.
A decisão do STF teve como base o descumprimento de medidas cautelares anteriormente impostas a Bolsonaro, entre elas a proibição de utilizar redes sociais, inclusive de terceiros. Segundo Moraes, o ex-presidente teria utilizado os perfis de aliados, incluindo os de seus filhos Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, para veicular conteúdos com teor de incentivo a ataques ao Supremo e de apoio à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro.
De acordo com o ministro, as condutas de Bolsonaro foram consideradas ilícitas de maneira mais grave e acintosa e agiu em flagrante desrespeito às medidas impostas em julho. Moraes afirma ainda que o ex-presidente preparou material direcionado à divulgação por aliados, o que, segundo ele, caracterizaria o uso indireto das redes sociais para contornar as restrições. Como consequência, Bolsonaro deverá cumprir prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, proibição de visitas (exceto familiares e advogados) e recolhimento de todos os celulares do local.
Reações dos aliados
Diversas figuras do cenário político nacional se manifestaram contrárias à decisão do STF, alegando abusos de autoridade, censura e perseguição. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) publicou um vídeo em seu perfil no Instagram em que critica duramente a medida.
— Bolsonaro está sendo preso porque na manifestação que aconteceu domingo, atendeu uma ligação de videochamada. Essa é a Justiça do Brasil — declarou o parlamentar.
Na sequência, o senador chamou a população e o Congresso a reagirem.
— O povo já reagiu, já foi para as ruas. Agora quem tem que reagir somos nós, senadores. [...] Se for para ir para a rua, é para cobrar e pressionar os senadores para o impeachment do ministro Alexandre de Moraes — disse.
O deputado federal e presidente do PL/MG, Domingos Sávio, também se manifestou. Em nota publicada nas redes sociais.
— O Brasil está refém de quem enxerga a política como mecanismo de vingança— afirmou.
O dirigente partidário declarou ainda que os supostos abusos cometidos por Moraes, segundo ele ignorados por seus pares, estariam sendo debatidos e lamentados em todo o mundo.
— O maior país da América latina caminha a passos largos para uma ditadura do Judiciário jamais vista — declarou.
Outro aliado, o deputado estadual por Minas Gerais Eduardo Azevedo (PL), criticou a legalidade da medida e reforçou o discurso de censura.
— Bolsonaro não cometeu sequer um crime e não tem nenhuma condenação criminal. Preso e perseguido por crime de opinião — afirmou.
Ele também cobrou ação do Senado.
— Agora é o momento para que o presidente do Senado possa, de uma vez por todas, pautar o pedido de impeachment desse ministro que acha que é o dono do Brasil. Alexandre, o Brasil não é seu. O Brasil é do povo e o povo vai te derrubar — disse.
Eduardo Bolsonaro
O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, divulgou uma nota oficial direcionada à imprensa na qual classificou Moraes como um “psicopata descontrolado”. Segundo ele, a decisão do ministro foi uma retaliação à manifestação realizada no domingo, 3, que reuniu apoiadores do ex-presidente em diferentes cidades do país.
— Essas ações só nos fortalecem. Alexandre de Moraes é agora um violador de direitos humanos oficialmente sancionado — declarou.
No texto, o parlamentar ainda cita a “Vaza-Toga”, fazendo referência a um suposto vazamento de mensagens com denúncias contra o ministro, e afirma que a decisão do STF é parte de uma “cortina de fumaça autoritária”.
— As fichas do outro lado estão acabando, e as oportunidades de frear esta loucura estão se esgotando. Que o sistema entenda isso antes que seja tarde demais — concluiu.
Defesa de Bolsonaro
A defesa do ex-presidente afirmou, em nota, que foi surpreendida com a decisão de Moraes e que Bolsonaro não descumpriu qualquer medida. Ainda segundo os advogados, a frase dita por Bolsonaro em ligação transmitida nas redes sociais — “Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos. É pela nossa liberdade. Estamos juntos” — não configura descumprimento de medida cautelar nem ato criminoso. A defesa anunciou que irá recorrer da decisão.
Contexto da decisão
A decisão de Moraes está inserida no contexto de um inquérito que investiga a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro junto ao governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O objetivo, segundo as investigações, seria promover medidas de retaliação contra autoridades brasileiras, especialmente ministros do Supremo.
Além disso, Bolsonaro é investigado por supostamente financiar a estadia do filho no exterior com recursos enviados por meio de transferências via Pix. Em março deste ano, Eduardo Bolsonaro pediu licença do mandato parlamentar e passou a residir nos Estados Unidos, alegando ser alvo de perseguição política.
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