Carregando clima…
Saúde

‘Câncer não é uma sentença de morte, é um alerta para a vida’, diz paciente em tratamento

Ana Paula Silva compartilha os desafios da jornada, destaca a força da rede de apoio e reforça a importância do diagnóstico precoce

Por Redação Jornal Agora · Redação· 4 min de leitura
‘Câncer não é uma sentença de morte, é um  alerta para a vida’, diz paciente em tratamento

Receber o diagnóstico de câncer de mama pode representar uma ruptura na rotina e provocar medo, incertezas e a sensação de que a vida precisou ser colocada em pausa. Para Ana Paula Silva, professora e coordenadora de uma escola especial, o diagnóstico também significou um processo de ressignificação e uma nova forma de enxergar a própria vida.

Paciente oncológica em tratamento, Ana Paula compartilhou sua história ao Agora. Ao falar sobre sua trajetória, ela relembra os momentos mais difíceis da caminhada, a importância da família e dos profissionais de saúde e deixa uma mensagem de coragem para quem está enfrentando a doença.

Diagnóstico

Entre os momentos mais marcantes desde o diagnóstico, Ana Paula destaca a queda dos cabelos provocada pelo tratamento. Para ela, aquele momento tornou ainda mais concreta a realidade que estava vivendo.

— É a concretização de que eu estava mesmo com o câncer — relata. 

Segundo Ana Paula, receber o resultado da biópsia e confirmar o diagnóstico provocou uma espécie de interrupção na vida. Foi necessário reorganizar planos, sentimentos e prioridades.

— O diagnóstico é um processo de ressignificação. Quando você recebe o laudo, a biópsia, é como se a vida parasse e você tivesse que se reformular e ver a vida de uma outra forma — conta.

Apoio emocional

Durante o tratamento, a presença da família, dos amigos e da equipe de saúde tornou-se fundamental. Ana Paula afirma que ninguém deveria atravessar sozinho um processo tão difícil e destaca o acolhimento recebido na Acom e no São João de Deus Complexo de Saúde.

— O tratamento é um processo muito sofrido e ninguém é capaz de vencer isso sozinho. A rede de apoio é muito importante — afirma.

O acolhimento recebido também despertou em Ana Paula o desejo de ajudar outras pessoas que enfrentam a mesma realidade. A partir da própria experiência, ela passou a promover campanhas em sua cidade para arrecadar alimentos, recursos e outros itens destinados às instituições que atuam no atendimento de pacientes com câncer.

Entre as iniciativas estão campanhas de arrecadação de bolachas, leite e recursos financeiros, além de ações especiais no período de Natal.

Ana Paula conta que, enquanto enfrentava seu próprio momento difícil, percebeu que muitas pessoas estavam ao seu lado para ajudá-la. Ao se sentir mais forte, decidiu também oferecer apoio a quem precisava.

Novo olhar 

Antes do diagnóstico, Ana Paula conta que enxergava o câncer como algo distante. A experiência pessoal mudou completamente essa percepção.

— Infelizmente, antes de acontecer, a gente acha que está muito longe da gente. Hoje, vejo que é uma situação que está próxima de mim e de muitas pessoas — afirma.

Para ela, a doença trouxe uma importante reflexão sobre a necessidade de atenção à própria saúde. Ana Paula reforça a importância da prevenção, do acompanhamento médico e de reservar um tempo para cuidar de si.

— O câncer não é uma sentença de morte. Ele é um alerta para a vida — destaca.

Ela também lembra que o câncer de mama não atinge exclusivamente mulheres e que os homens também podem desenvolver a doença.

Coragem 

Ainda em acompanhamento médico, Ana Paula reconhece que a caminhada não é simples, mas acredita que cada etapa vencida representa uma vitória.

Para quem acaba de receber o diagnóstico, sua principal mensagem é direta: coragem.

— Serão várias batalhas e, com certeza, a vitória. É preciso coragem para enfrentar cada batalha, para vencer a guerra. É uma vitória todos os dias — afirma.

A experiência também mudou a forma como Ana Paula enxerga a própria vida. Para ela, o tratamento trouxe a oportunidade de rever prioridades e perceber a importância de valorizar cada momento.

— É preciso coragem— resume.

Sinais de alerta

O câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando o câncer de pele não melanoma. Para 2026, o INCA estima 78.610 novos casos no país. Em 2024, foram registradas 20.849 mortes pela doença.

Nódulos endurecidos ou fixos, alterações na pele ou no mamilo, saída espontânea de líquido pelo mamilo e aparência semelhante à “casca de laranja” estão entre os sinais de alerta. Alterações nas axilas também devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Entre os fatores associados ao câncer de mama estão idade, histórico familiar e alterações genéticas, excesso de peso, falta de atividade física, consumo de álcool e exposição à radiação.

O Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos, quando não há sinais ou sintomas suspeitos. O SUS também garante o acesso à mamografia por demanda para mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 anos, mediante orientação de profissionais de saúde sobre riscos e benefícios.

Campanha

O Agora realiza uma campanha especial durante todo o mês de Outubro, com entrevistas com pacientes e especialistas para compartilhar experiências, esclarecer dúvidas e levar informação sobre o câncer de mama, incluindo formas de prevenção, sinais de alerta, diagnóstico e tratamento. A entrevista completa está disponível no Instagram do jornal, pelo perfil @jornal_agora.

A campanha conta com o apoio da Acom, do São João de Deus Complexo de Saúde, da Med Prev, da Botanicals e da Cred+.


Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Leia também

Mais recentes

Do nosso arquivo

Veja tudo o que publicamos em outubro de 2026

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…