Carinho da família é o pilar de médico que atua na linha de frente da pandemia

Gabriel Rodrigues
A rotina de muitas famílias mudou com a pandemia da covid-19. Hoje, passa-se mais tempo em casa, é restrito o contato com familiares e amigos, e os protocolos de segurança para trabalhar são mais rígidos. E para quem está na linha de frente na luta contra o vírus é um desafio ainda maior. Batalha diária do cirurgião torácico Lucas Fragoso Pires Lara Marques. Aos 34 anos, casado e pai de duas meninas, ele integra o corpo clínico do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD).
Atuando diariamente nos hospitais, Lucas passa todo o dia no trabalho e lida com o risco de contágio diretamente. Porém, o médico ressalta que, apesar do medo e do risco assumido, ele também tem o compromisso de salvar vidas.
– Todo dia que estou no hospital, fico com medo de ter contraído o coronavírus e levado para minha casa, é uma tortura psicológica, pois não dá para ter certeza de nada. É muito tensa a pressão de saber que você pode estar carregando o vírus para alguém que você ama, algo que pode ser letal — descreve o cirurgião.
Para evitar o contágio, Lucas se equipa com uniformes específicos de trabalho. E, ao chegar em casa, faz um processo de higienização antes de ter contato com qualquer membro da sua família. Quando o plantão termina e todo o protocolo é realizado, é hora de viver momentos de qualidade com a esposa Mirielle e as filhas Lara (2 anos e 10 meses) e Julia (2 meses). Ele conta que a primogênita já entende a rotina do pai e que até mesmo quer ajudá-lo no trabalho.
– Ela fala que quer ir ao hospital ajudar o papai. Então eu explico sobre como é meu trabalho e que mais para o futuro ela vai poderá ir até lá. Mostro de forma lúdica, mas que é muito importante para ela aprender a valorizar o trabalho e que, quando o pai sai de casa, ele não está deixando os filhos, mas buscando o sustento da família – explica.
E para compreender toda esta mudança, o médico e a família têm sido acompanhados por uma psicóloga, já que rotina deles se transformou.
— A criança perdeu tudo. Nós, adultos, não. Eles não podem ter contato com outras crianças, com os avós e tios. Não processam da mesma forma que nós, adultos, entendemos. Assim, buscamos assistência para ajudar toda a família a compreender e passar por esse momento de uma forma mais leve – explica.
Surpresa
Em maio, uma atitude de Lucas emocionou muita gente em Divinópolis, no estado e no país. Afastado da esposa, que na época estava grávida, e da filha, ele se fantasiou de cachorro para poder abraçá-las.
– Sou cirurgião, mas tenho o coração mole. Foi muito difícil me afastar delas. E quando se passaram algumas semanas e veio o Dia das Mães, senti que precisava vê-las. Então, conversei com a dra. Rosangela (infectologista) para me orientar melhor e escolhi uma estratégia que não fosse identificado. Busquei uma loja de fantasias na cidade e escolhi o cachorro, um personagem cativante. Me vesti, fiz um cartaz e pedi para elas descerem. Foi sensacional, foi muito forte. Eu estava com muito medo de dar tudo errado, mas foi tudo perfeito. Elas ficaram felizes e ajudou a me aproximar delas, algo que eu já estava querendo desesperadamente – relembra.
A atitude de Lucas repercutiu na imprensa e, claro, atingiu o objetivo: sentir o carinho da família. Depois do nascimento da segunda filha, Júlia, Lucas passou por um período de isolamento e pôde ficar em casa por um mês e meio. Ele ressalta que esse período de isolamento foi importante para valorizar e aprender mais.
– Temos que viver cada dia como se fosse o último. Temos que agregar vida a cada minuto que temos. O Lucas que está aqui é o Lucas que valoriza mais cada momento. A pandemia mostra que somos todos iguais. E, depois desta crise, vamos ter aprendido muito – finaliza.
Leia também
Prevenção à covid-19 deve ser reforçada em época de frio
Aberta consulta pública para Política Nacional de Informação em Saúde
Respiradores produzidos por empresa mineira são homologados pela Anvisa
Publicado guia com novos critérios para triagem de doadores de sangue- Inauguradas novas instalações do Posto de Saúde Central em Divinópolis
- Fiscalização da Prefeitura evitou que mais de 8 mil aves impróprias para consumo chegassem à população
Mais recentes
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em agosto de 2020
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…








