Febre maculosa já matou 11 pessoas em Minas neste ano
Estado soma 36 casos confirmados até agosto; em Divinópolis, não há ainda registros da doença

Minas Gerais já registrou 36 casos confirmados e 11 mortes por febre maculosa em 2026, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) referentes até 27 de agosto. O número já supera o registrado durante todo o ano passado, quando foram contabilizadas sete mortes e 48 casos confirmados da doença. Apesar do cenário, a SES-MG afirma que o número de novas infecções permanece dentro do esperado para o período. Em Divinópolis, até o momento, não há casos registrados da doença neste ano.
A situação chama atenção principalmente pela gravidade da enfermidade, uma infecção causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida principalmente pela picada de carrapatos infectados. No Brasil, a forma causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, conhecida como febre maculosa brasileira, é considerada a mais grave e pode evoluir rapidamente para quadros severos quando o tratamento não é iniciado de forma adequada e oportuna.
Transmissão
A doença não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra. A infecção ocorre quando um carrapato contaminado permanece em contato com a pele e transmite a bactéria durante a picada. Por isso, o risco está associado principalmente à exposição a áreas onde há presença de carrapatos, especialmente locais com vegetação, matas, pastagens e ambientes frequentados por animais que podem carregar o parasita.
A prevenção depende, principalmente, da redução do contato com os carrapatos. O Ministério da Saúde recomenda cuidados para quem frequenta áreas de risco, como utilizar roupas que protejam braços e pernas, preferencialmente de cores claras, usar calçados fechados e realizar inspeções no corpo após permanecer em locais onde possa haver carrapatos. Também é importante verificar roupas, equipamentos e animais de estimação após a exposição.
Outro fator de atenção é que os carrapatos podem ser pequenos e difíceis de identificar, principalmente em determinadas fases de desenvolvimento. Por isso, a verificação do corpo deve ser cuidadosa depois de atividades em áreas de possível infestação.
Sintomas podem ser confundidos
Os primeiros sinais da febre maculosa podem se parecer com os de outras doenças e, por isso, o histórico de exposição a carrapatos é uma informação importante para o diagnóstico. Entre os principais sintomas estão febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Também podem surgir manchas ou vermelhidão na pele, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés.
A doença pode evoluir rapidamente e apresentar complicações graves. Por isso, diante de sintomas compatíveis, especialmente após contato com áreas de risco ou possível picada de carrapato, a recomendação é procurar atendimento médico e informar ao profissional sobre a exposição. O diagnóstico precoce é fundamental para que o tratamento seja iniciado rapidamente.
Em razão da possibilidade de evolução grave, a orientação não é esperar o aparecimento de todos os sintomas para buscar atendimento. A ausência das manchas características, por exemplo, não significa necessariamente que a pessoa não esteja infectada.
Atenção em áreas de risco
Embora Divinópolis não tenha registrado casos da doença em 2026 até o momento, a ausência de notificações não elimina a necessidade de prevenção. A circulação de pessoas entre municípios e o contato com áreas rurais, de mata ou com animais podem representar situações de exposição a carrapatos.
A febre maculosa também possui relação com o chamado ciclo ambiental da doença. Animais podem atuar como hospedeiros dos carrapatos e contribuir para sua presença em determinadas áreas, embora não sejam os responsáveis pela transmissão direta da bactéria às pessoas. O principal cuidado, portanto, é evitar o contato com o carrapato infectado.
Até agosto, o estado contabilizava 36 casos e 11 mortes, número de óbitos superior ao de todo o ano anterior. A letalidade historicamente elevada da febre maculosa em Minas também reforça a necessidade de diagnóstico e tratamento rápidos.
Para se prevenir, é necessário que a população mantenha os cuidados preventivos, sobretudo ao frequentar locais com vegetação, áreas rurais ou ambientes onde exista presença de carrapatos. A principal medida continua sendo evitar a exposição e, em caso de contato, retirar o carrapato o mais rapidamente possível e procurar orientação médica diante do surgimento de sintomas.
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