Setembro Amarelo: MG registra quase dois mil suicídios em 2025
Estado é segundo maior número do país; no Brasil, foram 16.533 casos, maior resultado da crescente histórica dos últimos anos

O mês de setembro começa com um alerta para a saúde mental. Em 2025, o Brasil registrou 16.533 mortes por suicídio, uma média de 45 casos por dia e o maior número da série histórica. Minas Gerais concentrou 1.987 dessas ocorrências, ficando atrás apenas de São Paulo, com 2.995 mortes.
Entre 2020 e 2025, os casos no país aumentaram 25,6%, passando de 13.163 para 16.533. Em Minas, a taxa chegou a 9,29 mortes por 100 mil habitantes, acima da média nacional, de 7,75.
É nesse cenário que o Setembro Amarelo ganha importância. Criada no Brasil em 2015, a campanha busca ampliar a discussão sobre saúde mental, estimular a prevenção do suicídio e combater o estigma relacionado à busca por ajuda profissional.
Ansiedade
O alerta também envolve outros problemas de saúde mental. O Brasil apresenta a maior proporção de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) citados pela Associação Médica Brasileira (AMB). Apesar disso, apenas 5,1% dos brasileiros fazem terapia, conforme pesquisa do Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel. Já 16,6% relatam utilizar medicamentos para questões emocionais, comportamentais ou relacionadas ao uso de substâncias.
Para o psicólogo Wanderson Teixeira de Freitas, é necessário diferenciar a ansiedade natural daquela que passa a comprometer a rotina.
— A ansiedade é um mecanismo de defesa, está presente em todos nós, é uma reação natural do ser humano em face de alguma situação real ou futura, que nos prepara para reagir. Em uma parte das pessoas, a ansiedade se torna patológica e atinge níveis disfuncionais, causando um transtorno que limita as atividades diárias — explica.
Obstáculos
Segundo ele, violência, vulnerabilidade econômica, doenças, perdas familiares, pressão no trabalho e experiências como a pandemia podem afetar a saúde emocional.
— Nesses casos é fundamental o acompanhamento profissional, seja de um psicólogo ou de um psiquiatra — afirma.
Acesso
Embora a procura por atendimento psicológico tenha aumentado, o acesso ainda enfrenta barreiras financeiras e culturais. Durante décadas, a psicoterapia foi associada a pessoas de maior poder aquisitivo.
— Historicamente, a psicoterapia foi rotulada como um privilégio destinado a classes sociais mais abastadas, restrita a consultórios elitizados e voltada apenas a uma parcela favorecida que podia pagar os honorários — avalia Wanderson.
Para o psicólogo, o atendimento precisa alcançar diferentes camadas sociais.
— Cuidar da mente não é vaidade; é um direito fundamental indispensável para a dignidade humana. A psicologia deve ampliar sua atuação de modo a atingir todas as camadas sociais — afirma.
Opções de ajuda
O atendimento on-line, clínicas-escola e projetos sociais ajudaram a ampliar as possibilidades de acesso. No entanto, Wanderson destaca a necessidade de fortalecer a rede pública.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento por meio da Rede de Atenção Psicossocial, que inclui Unidades Básicas de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Em Divinópolis, a rede conta com CAPS III, CAPS iJ e CAPS AD, voltados para adultos, crianças e adolescentes e pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.
— O enfrentamento desses fatores de risco perpassa pelo acolhimento na esfera pública, seja na rede psicossocial, nos CAPS, nas Unidades de Saúde e ou Estratégia de Saúde da Família (ESF), como também na esfera privada, na busca de profissionais habilitados para o atendimento em situação de crise — explica.
Sinais e ajuda
Mudanças significativas de comportamento, isolamento, falta de perspectiva, alterações na rotina e manifestações relacionadas à morte podem indicar sofrimento emocional. A recomendação é conversar sem julgamentos, oferecer apoio e incentivar a busca por ajuda profissional.
Segundo Wanderson, os jovens têm demonstrado maior abertura para buscar atendimento.
— A nova geração tem novas ferramentas à disposição, como, por exemplo, o atendimento on-line, e está mais aberta a buscar ajuda. Se a ideia antiga de que quem busca psiquiatra ou psicólogo é fraco ou doido, a procura pelos jovens aumentou exponencialmente — afirma.
Quem enfrenta sofrimento emocional pode procurar uma Unidade Básica de Saúde, CAPS, UPA, pronto-socorro ou hospital. Em situações de emergência, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, com atendimento 24 horas.
Mais do que ações durante o mês, o Setembro Amarelo reforça a importância de falar sobre saúde mental, combater preconceitos e fortalecer as redes de apoio. Em meio ao crescimento dos casos de suicídio e às dificuldades de acesso à terapia, a prevenção precisa ser tratada como uma preocupação permanente.
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