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Saúde

Mais de 20 alunos da UFSJ relatam mal-estar após refeições no Restaurante Universitário

Estudantes afirmam ter tido vômitos e diarreia; UFSJ notifica empresa responsável e diz que investigação ainda é inconclusiva 

Por Jonny Reisle · Redação· 4 min de leitura
Mais de 20 alunos da UFSJ relatam mal-estar após refeições no Restaurante Universitário

Dezenas de estudantes da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), no Campus Centro-Oeste Dona Lindu, em Divinópolis, relataram ter apresentado sintomas como vômitos e diarreia após consumirem refeições no Restaurante Universitário (RU CCO), na última semana. Segundo uma estudante ouvida pelo Agora, os primeiros relatos começaram na terça-feira, 1º. 

A universidade, entretanto, afirma que ainda não há dados que comprovem a ocorrência de intoxicação alimentar ou estabeleçam relação de causalidade entre os sintomas relatados e as refeições servidas no restaurante.

Relato

De acordo com a estudante, mais de 20 pessoas teriam apresentado sintomas semelhantes. Ela ressalta, porém, que o número pode ser maior, já que os relatos começaram a circular entre os próprios alunos. 

— O que eu sei e conversei é mais de 20 pessoas, mas tem mais gente — afirmou.

A estudante também passou mal na terça-feira e conta que outros alunos com quem conversou apresentaram sintomas no mesmo dia. 

— Todo mundo que conversei que passaram mal disseram que passaram mal na terça, eu mesmo passei mal na terça à tarde. Todos com sintomas semelhantes de diarreia e vômitos — relatou.

Intoxicação em massa

Ela procurou atendimento médico na quarta-feira, 2, e afirma que o profissional responsável pelo atendimento já havia recebido outros estudantes da UFSJ com sintomas semelhantes.

— Quando fui na UPA quarta-feira, o médico que me atendeu disse que já tinha atendido vários estudantes da UFSJ com os mesmos sintomas — contou.

Ainda conforme a estudante, situações pontuais de alunos passando mal já haviam sido registradas anteriormente, mas o episódio da última semana teria chamado atenção pela quantidade de pessoas envolvidas. 

— Já ocorreu alguns casos isolados, uma ou outra pessoa passando mal. Mas desde que eu estou na faculdade, desde 2023, essa é a primeira vez que vejo uma intoxicação em massa — afirmou.

Universidade não confirma

Em posicionamento divulgado após os relatos nas redes sociais, a UFSJ informou que, até o momento, não foram apresentados dados capazes de comprovar a ocorrência de intoxicação alimentar ou estabelecer uma relação entre os sintomas apresentados pelos estudantes e as refeições oferecidas pelo RU CCO.

A universidade afirmou que apenas uma das reclamantes formalizou a ocorrência por meio dos canais institucionais adequados. As demais comunicações, segundo a instituição, foram feitas exclusivamente por e-mail e redes sociais. A UFSJ mantém orientações específicas para casos de suspeita de toxinfecção alimentar e destaca que o registro formal e detalhado das ocorrências é necessário para possibilitar uma investigação técnica.

Investigação inconclusiva

Segundo a instituição, a insuficiência de registros e de informações sobre parte dos casos impede, neste momento, uma análise técnica e laboratorial conclusiva sobre os relatos e uma eventual relação com os serviços prestados pelo restaurante.

Mesmo assim, a universidade afirma que tomou providências assim que teve conhecimento das reclamações. Entre as medidas adotadas está a notificação da empresa responsável pelo Restaurante Universitário, para que tomasse ciência dos fatos relatados e apresentasse os esclarecimentos necessários.

Outra estudante, entretanto, afirma que alguns alunos encontraram dificuldades para registrar formalmente as ocorrências. 

— Aparentemente a reclamação foi feita com a diretoria, que encaminhou aos alunos um link de um formulário de reclamações. No entanto esse site não era o correto, ou seja, várias pessoas preencheram o documento, relatando o ocorrido, mas as denúncias nao foram validadas devido à esse erro da coordenação — relatou.

Controle e conservação

O Restaurante Universitário do Campus Centro-Oeste Dona Lindu atende diariamente, em média, entre 500 e 600 refeições. O serviço é destinado a estudantes, servidores, trabalhadores terceirizados e integrantes da própria equipe.

A UFSJ afirma que adota procedimentos de controle e monitoramento dos alimentos fornecidos no restaurante, incluindo a coleta diária de amostras das refeições para análise microbiológica. A universidade ressalta que, em situações de suspeita de intoxicação alimentar, a comunicação formal e tempestiva é fundamental para que sejam desencadeados os procedimentos de investigação.

Outro ponto destacado pela instituição diz respeito às refeições retiradas na modalidade marmitex. Após a retirada pelo estudante, o alimento precisa ser mantido em condições adequadas de conservação, especialmente quanto à temperatura, além de serem observados cuidados durante o transporte e até o momento do consumo.

A observação, segundo a universidade, é necessária porque as condições de armazenamento e transporte após a retirada do alimento também precisam ser consideradas em uma eventual investigação sobre problemas relacionados às refeições.


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