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Carreata ‘Divinópolis não pode parar’ está marcada para hoje

Por Portal Agora
Carreata ‘Divinópolis não pode  parar’ está marcada para hoje

Paulo Vitor Souza 

Mais uma carreata pela volta do funcionamento do comércio em Divinópolis deve ser realizada hoje. Pelo menos é o que dizem pessoas que estão envolvidas na organização do evento. Nas redes sociais, o convite para a manifestação é compartilhado em grupos, convocando para o ato. A carreata, batizada "Divinópolis não pode parar", terá o trajeto iniciado no fim da rua Pitangui, no Mercado Distrital.

Se acontecer de fato, esta será a segunda edição do ato, que pede a reabertura das lojas. O movimento também solicita a adoção do chamado isolamento vertical, procedimento de segurança considerado por autoridades de saúde como medida ineficaz para a atual realidade.

A reportagem entrou em contato com um dos  integrantes que compartilhou o convite da manifestação nas redes sociais. Wanderson Divinópolis informou que o movimento é apartidário e sem organização central. 

— O intuito é amenizar o desemprego, que certamente virá devido ao excesso nas medidas de combate ao coronavírus que está  sendo determinado pela Prefeitura [sic] — explicou.

Questionado sobre o exemplo da Itália, que em certa medida adotou campanha de slogan semelhante e sobre os decretos em vigor do governo do Estado e da Prefeitura, Wanderson diz considerar exageradas as medidas de segurança para a contenção do surto.

— Exagerados, sim. Os números não justificam todas as medidas que foram tomadas. Não podemos falar pela Itália, pois as condições de climas e de idade são diferentes. Países africanos que têm o clima e uma população mais parecida com a que temos no Brasil hoje não adotaram medidas sanitárias rigorosas e não estão sofrendo com alta taxa de contaminação. O nosso intuito é de alertar o poder público da crise econômica que ele está provocando e essa, sim, vai atingir a todos — defendeu.

Apesar de Wanderson apontar a África como território que não registra altas taxas do vírus, a realidade já preocupa. Na última quarta, 8, o continente já registrava 532 mortes pela doença e mais de 10 mil infectados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com a entidade, o vírus demorou a chegar no continente, mas já se espalha de maneira exponencial desde as últimas semanas. Em relação às medidas sanitárias, também pontuadas por Wanderson, a África do Sul, por exemplo, determinou quarentena obrigatória e fará testes de casa em casa. A situação mais precária está na República Centro-Africana, onde há apenas três aparelhos respiradores para cerca de 15 milhões de pessoas.

Carreata

O convite da carreata tem um menção às medidas de segurança contra a doença. A frase "Somos a favor dos cuidados com o Covid-19, mas também da responsabilidade econômica" é antecedida pelo slogan "O povo tem o direito e quer trabalhar". Para a carreata, há a instrução de que os motoristas não saiam dos carros.

Em coletiva de imprensa na última sexta, 9, a diretora da Vigilância em Saúde do Município, Janice Soares, alertou para a ineficiência do isolamento vertical, caso fosse adotado. Janice explicou a situação dos leitos e as consequências que podem vir devido à desobediência da população em relação ao isolamento social.

— Muitas pessoas mais jovens, que não têm problemas de saúde, podem, sim, precisar da internação, por isso chamamos a atenção para a questão da sobrecarga hospitalar. Muitas dessas pessoas que estão passeando nas ruas podem precisar de internação.  A atitude de um pode ocasionar um desastre hospitalar, isso tem que ficar claro. Por isso falamos que o isolamento vertical, do ponto de vista técnico de Divinópolis, não é eficaz — explicou Janice Soares.

O secretário de saúde, Amarildo Sousa, também reforçou que as medidas de segurança tomadas pelo Município continuam em vigor (novo decreto foi publicado hoje) e que são imprescindíveis para baixar o nível de contaminação do vírus.

Outra preocupação da Secretaria de Saúde (Semusa) é o baixo número de testes que chegam à cidade. Isso faz com que haja uma imprecisão na listagem de pacientes com a doença, a chamada subnotificação. 

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