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Polícia

Caso Henay: acusado de simular acidente para encobrir feminicídio vira réu 

Caso Henay: acusado de simular acidente para encobrir feminicídio vira réu 

Elian Ozéias

A Justiça de Minas Gerais tornou réu Alison de Araújo Mesquita, acusado de matar a esposa, Henay Amorim, e simular um acidente de trânsito para encobrir o crime. A decisão foi proferida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte.

Além de aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a magistrada determinou a manutenção da prisão preventiva. O acusado segue detido desde 15 de dezembro de 2025, quando foi preso em flagrante durante o velório da vítima, em Divinópolis.

Processo deixa de ser sigiloso

Com o recebimento da denúncia, o processo deixa de tramitar sob sigilo e passa a ser público. A decisão também determina a citação do réu, que terá prazo de 10 dias para apresentar defesa.

Caso não constitua advogado, a Defensoria Pública será responsável por sua representação. A Justiça também autorizou a continuidade da coleta de provas e diligências solicitadas pelo Ministério Público.

Acusação por feminicídio

O Ministério Público acusa Alison de feminicídio qualificado, com agravantes de violência doméstica e familiar, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Além disso, ele também responde por fraude processual, por tentar simular um acidente de trânsito com o objetivo de ocultar o crime.

Segundo a denúncia, a conduta demonstra elevado grau de violência e tentativa de manipulação da cena para evitar responsabilização.

Crime

De acordo com as investigações, Henay Amorim, de 31 anos, foi morta por asfixia na noite de 13 de dezembro de 2025, no apartamento onde o casal vivia, no bairro Nova Suíça, em Belo Horizonte.

A Polícia Civil concluiu que o crime aconteceu antes de qualquer deslocamento até a rodovia, o que desmonta a versão inicial de acidente.

Simulação de acidente 

Após o assassinato, o investigado teria colocado o corpo da vítima no banco do motorista do veículo e conduzido o carro sentado no passageiro.

A intenção, segundo a polícia, era simular que Henay dirigia o veículo no momento do acidente. O carro foi lançado contra um micro-ônibus na MG-050, em Itaúna, para dar aparência de morte acidental.

Imagens de câmeras de pedágio foram fundamentais para levantar suspeitas, ao mostrar a vítima imóvel ao volante enquanto o investigado controlava o veículo.

Histórico de violência 

As investigações apontam que o relacionamento do casal era marcado por episódios anteriores de agressões físicas e psicológicas.

Imagens recuperadas pela perícia mostram momentos em que a vítima foi agredida dentro do próprio apartamento. Em uma dessas ocasiões, ela chegou a registrar a violência em vídeo.

A polícia também identificou tentativa do investigado de apagar provas, incluindo a remoção de registros e manipulação de equipamentos.

Indícios de premeditação

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o comportamento do acusado após o crime. Segundo a Polícia Civil, ele realizou pesquisas na internet sobre acidentes de trânsito, medicina legal e legislação.

Para a investigação, esse comportamento indica tentativa de planejar uma versão que sustentasse a tese de morte acidental.

Também foram identificadas tentativas de apagar vestígios no local do crime, incluindo a alteração da cena e desligamento de câmeras internas.

Cronologia

A sequência de acontecimentos registrada por câmeras e perícias reforça a conclusão de que o crime foi planejado.

Imagens mostram o momento em que o corpo da vítima é arrastado até o carro, a saída do prédio e a passagem pelo pedágio antes da colisão. Os laudos periciais confirmaram que Henay já estava morta antes do impacto, com sinais claros de asfixia.

Próximos passos

Com o andamento do processo, o caso entra agora na fase de instrução, quando serão ouvidas testemunhas e analisadas as provas reunidas. Ao final dessa etapa, a Justiça decidirá se o réu será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Até lá, Alison de Araújo Mesquita permanecerá preso preventivamente, diante da gravidade do crime e dos elementos apresentados na investigação.

Repercussão

A prisão do acusado durante o velório, realizado em Divinópolis, gerou forte repercussão na cidade e reacendeu o debate sobre a violência contra a mulher.

O caso evidencia, mais uma vez, a gravidade dos crimes de feminicídio e a importância de mecanismos de prevenção, denúncia e proteção às vítimas.

A expectativa agora é que o processo avance com celeridade e que a Justiça dê uma resposta à altura da gravidade do crime.

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