Médico acusado de agredir esposa deixa prisão e passa a usar tornozeleira eletrônica

Elian Ozéias
O médico psiquiatra José Lúcio de Abreu Faria Júnior, de 44 anos, deixou a prisão no último sábado, 28, após decisão judicial que concedeu alvará de soltura. Ele estava detido no presídio Floramar desde o dia 16 de março, após ser preso em flagrante por agredir a esposa em Divinópolis.
Com a decisão, o investigado passa a responder ao processo em liberdade, mas sob medidas cautelares. Entre elas, está o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, que permitirá o monitoramento de seus deslocamentos pelas autoridades.
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o acompanhamento será contínuo enquanto o caso segue em tramitação.
Investigação
Apesar da soltura, o processo criminal continua em andamento. A Polícia Civil segue responsável pela apuração dos fatos, que envolvem acusações de violência doméstica e lesão corporal.
A defesa do médico, representada pelo advogado Michael Vagner Guilhermino, informou que não irá se manifestar neste momento.
Relembre
O episódio de violência foi registrado no dia 15 de março, em um apartamento localizado na região central de Divinópolis. De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima, de 43 anos, relatou ter sofrido agressões físicas ao longo de dois dias consecutivos.
As agressões teriam começado após uma discussão relacionada ao aluguel de um imóvel. Durante o desentendimento, o médico teria enforcado a esposa na cozinha, além de desferir socos e impedir que ela buscasse ajuda ao bloquear o telefone.
Violência diante da filha
Um dos pontos mais graves do caso é que parte das agressões teria ocorrido na presença da filha do casal, de apenas dois anos de idade.
Segundo o relato da vítima, ao tentar deixar o apartamento com a criança, ela foi impedida pelo marido, que chegou a retirar a filha de seus braços à força.
No dia seguinte, as agressões teriam continuado, com novos episódios de violência física, incluindo socos e chutes.
Pedido de socorro
Em meio às agressões, a mulher conseguiu se trancar no banheiro com a filha e pedir ajuda a uma amiga por meio de uma rede social.
A amiga acionou a Polícia Militar, que se deslocou até o local. Diante da recusa do médico em abrir a porta, os policiais precisaram arrombar o imóvel para resgatar a vítima.
O suspeito foi preso em flagrante ainda dentro do apartamento.
Lesões confirmadas por perícia
Após o resgate, a vítima foi submetida a exame de corpo de delito, que confirmou diversas lesões compatíveis com agressão física.
Durante depoimento, ela afirmou que já havia sido vítima de violência em outras ocasiões, o que reforça a suspeita de um histórico de agressões no relacionamento.
Ainda segundo o boletim, em um momento de desespero, a mulher utilizou um canivete para tentar se defender, o que causou um ferimento no braço do agressor.
Medidas protetivas
Diante da gravidade do caso, a vítima solicitou medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha, para garantir sua segurança e a da filha.
Essas medidas podem incluir o afastamento do agressor, proibição de contato e restrições de aproximação.
Liberdade provisória reacende debate
A decisão que concedeu liberdade ao médico, ainda que com monitoramento eletrônico, reacendeu discussões sobre a resposta do sistema de Justiça em casos de violência doméstica.
Especialistas apontam que, embora a legislação permita a aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão, a gravidade dos relatos e o histórico de agressões devem ser considerados com rigor.
Combate à violência doméstica
O caso reforça a importância dos canais de denúncia e da atuação rápida das forças de segurança em situações de risco.
Em Divinópolis, a rede de proteção às mulheres inclui atendimento policial especializado, suporte psicológico e assistência social, além de mecanismos legais para proteção das vítimas.
A orientação é que casos de violência sejam denunciados imediatamente por meio do 190 ou do Ligue 180, garantindo que situações semelhantes possam ser interrompidas antes que evoluam para consequências ainda mais graves.
Acompanhamento do caso
O processo segue agora sob análise da Justiça, que deverá avaliar as provas, ouvir testemunhas e decidir sobre eventual responsabilização criminal do acusado.
Enquanto isso, o médico permanece em liberdade monitorada, aguardando os desdobramentos judiciais do caso.
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