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Caso Sheilla: um ano depois do crime, casal condenado recorre das sentenças

Caso Sheilla: um ano depois do crime, casal condenado recorre das sentenças

Ígor Borges

Um ano depois do assassinato brutal da motorista de aplicativo, Sheilla Angelis, o casal condenado há cinco meses, tenta recorrer da sentença. O homicídio ocorreu no dia 9 de setembro de 2023, quando Sheilla aceitou uma corrida de Rafael Monteiro de Sena, e foi morta de forma violenta.

Acompanhado de sua namorada Letícia Joice de Oliveira, Rafael seguiu rumo ao Rio de Janeiro com Sheilla morta no porta-malas, e deixou o cadáver em uma comunidade de Marilândia, a  cerca de 28 quilômetros de Divinópolis. Ambos foram detidos no Rio de Janeiro em outubro do ano passado. Condenados desde março de 2024, recorrem das sentenças. 

A defesa de Rafael recorre da condenação de latrocínio e visa a desclassificação para crime de homicídio seguido de furto. Quanto à Letícia, a defesa luta pela apresentação das razões de recurso na segunda instância, uma possibilidade prevista no Código de Processo Penal Brasileiro.

Sentenças

Detido em outubro do ano passado, Rafael ficou em Botafogo, no Rio de Janeiro, por um mês, até ser transferido para o presídio Floramar, em Divinópolis, de onde foi transferido para Pará de Minas. Em março, em 1ª instância, ele foi sentenciado a 24 anos e quatro meses de reclusão em regime fechado e 21 dias-multa, pelos crimes de latrocínio e ocultação de cadáver.

Enquanto isso, sua namorada, Letícia de Oliveira foi condenada a um ano e dois meses de reclusão em regime aberto e onze dias-multa por ocultação de cadáver. A pena foi convertida em multa e serviços comunitários.

Ambas as decisões foram publicadas pela 2ª Vara Criminal de Divinópolis.

Apelos judiciais

Nas razões de apelação, às quais o Agora teve acesso, a defesa de Rafael pede que a condenação por crime de latrocínio seja convertida para homicídio seguido de furto. 

— Assim, ao que se constata, não há nos autos indícios suficientes a demonstrarem que o acusado almejava no momento em que empregava a violência da qual resultou a morte da vítima, a subtração do veículo para si. Ao que tudo indica, o réu teria, em verdade, investido contra a integridade física da vítima, imbuído de animus necandi, em razão do desentendimento pelo fato de a vítima não ter quitado a dívida — alega a defesa de Rafael, à 1ª instância. 

Já Letícia ainda não apresentou suas razões recursais. 

Rafael segue preso na Penitenciária Pio Canedo em Pará de Minas, após ficar preso preventivamente no Presídio Floramar. O local onde Letícia se encontra é incerto, pois ela não foi encontrada no endereço informado, no interior do estado do Rio de Janeiro.

Relembre o caso

Sheilla teria aceitado uma corrida via aplicativo com o investigado às 12h do dia 9 de setembro de 2023. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a motivação da primeira corrida foi conhecer a vítima. Às 18h, o suspeito solicitou uma corrida particular na Praça do Santuário através de um celular do adolescente que, sem saber dos motivos, ligou para o telefone da motorista.

No fim da corrida, próximo ao bairro Elizabeth Nogueira, ele colocou uma faca no pescoço de Sheilla e ordenou que ela saísse do veículo. A motorista reagiu e ele proferiu golpes de asfixia. Sheilla continuou reagindo. Telhas estavam espalhadas no chão do local. Assim, o acusado teria acertado golpes na cabeça da vítima, que desfaleceu no local. 

Ele voltou ao carro e pegou um pedaço de corda que estava escondido. Sheilla teve partes do corpo amarradas e foi jogada no porta-mala do veículo e ainda proferiu golpes de faca em suas costas.

Detalhes do crime

Em coletiva realizada em outubro do ano passado, a Polícia Civil explicou que Rafael continuou sua jornada com a vítima no porta-malas. Saiu rumo ao bairro Paraíso, onde jogou fora os celulares de Sheilla. Partiu em direção às proximidades do Hospital São João de Deus, próximo a sua residência.

— Neste momento, Letícia, a namorada, solicitou, por volta das 19h40, uma corrida via aplicativo para o local onde Rafael estava. A psicóloga levava três malas grandes e dois gatos. Comunicou ao motorista que estava de mudança para o Rio de Janeiro — explicou o delegado Weslley Castro.

Ele tentou guardar os pertences de Letícia no porta-malas de Rafael, mas foi impedido pelo suspeito. As malas foram deixadas no banco de trás. Assim, por volta das 20h30, o casal seguiu para o Rio de Janeiro no carro da vítima, que se encontrava morta no porta-malas.

A ocultação do cadáver

Rafael sabia que precisava se livrar do corpo de Sheilla. A ocultação aconteceu na comunidade de Trindade, próximo a Marilândia, conforme a PC. Letícia afirmou em depoimento que até o momento não sabia de nada. Ao ver que se tratava de um corpo, pediu para que o namorado confessasse o crime à polícia ou ela a denunciaria. O suspeito teria a ameaçado e, após a ocultação, eles seguiram viagem.

Às 00h17, o casal tenta passar uma compra em São João del Rei, caminho do destino final, mas não obtém sucesso. Rafael usa seu cartão em um dos pedágios da BR-040 e confirma a suspeita da PC: ele estava sob posse do carro de Sheilla. Às 6h, eles chegam na capital carioca e tentam, mais uma vez sem sucesso, comprar com o cartão da motorista de aplicativo. Lá, foram presos poucos dias depois com a presença da Polícia Civil de Divinópolis que ouviu os suspeitos e seguiu investigando o caso. 

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