Chuvas voltam a Minas e trazem com elas um flagelo nas estradas

Da Redação
O som da chuva, que para muitos é sinal de renovação, tem se misturado nas estradas mineiras a outro ruído: o das sirenes. Em menos de cinco dias, uma sucessão de acidentes graves deixou um rastro de destruição em Minas Gerais, especialmente nas rodovias que cortam o Centro-Oeste. Entre capotamentos, colisões e veículos em chamas, o saldo é de mortos, feridos e famílias devastadas.
O alerta é oficial: o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) incluiu Divinópolis e outras 406 cidades mineiras sob aviso de tempestades de granizo e ventos de até 60 km/h. As chuvas, que podem ultrapassar 50 milímetros por dia, aumentam o risco de deslizamentos, alagamentos e acidentes nas estradas. O órgão orienta a população a evitar abrigo sob árvores e não estacionar veículos próximos a torres de energia ou outdoors.
No entanto, o maior perigo continua sendo a imprudência humana.
Estradas em alerta
Entre quinta-feira, 30, e o domingo, 2, uma série de acidentes colocou em evidência o caos no trânsito das rodovias da região.
Na BR-354, entre Arcos e Formiga, um Honda Civic saiu da pista e capotou após o condutor perder o controle em um trecho molhado. A passageira, de 49 anos, foi arremessada para fora do carro e morreu na hora. O motorista, de 44 anos, apresentava sinais de embriaguez e foi levado ao hospital.
Em Itaúna, na MG-050, o choque entre um Fiat Uno e um Toyota Corolla resultou em uma cena devastadora: o Uno pegou fogo após a colisão e duas pessoas morreram carbonizadas. Outras duas ficaram gravemente feridas.
Poucas horas depois, em Formiga, outro acidente fatal foi registrado na BR-354. Um caminhoneiro de 27 anos morreu após colidir de frente com outro veículo de carga. A pista precisou ser interditada para retirada dos destroços.
Já em São Sebastião do Oeste, um carro com cinco ocupantes capotou após ser atingido na traseira por uma caminhonete. Uma mulher e uma criança ficaram feridas. O motorista da caminhonete foi preso, ele estava embriagado e portava uma arma de fogo sem registro.
Em Divinópolis, o domingo também foi marcado por destruição: um jovem de 29 anos perdeu o controle do carro e bateu em um poste na AMG-0335, sofrendo múltiplas fraturas. A Cemig foi acionada para reparar o dano na rede elétrica.
E, em Nova Serrana, a chuva forte e a pista escorregadia contribuíram para o atropelamento fatal de um homem na BR-262.
Inmet reforça cuidados
Segundo o Inmet, as tempestades registradas neste início de novembro são apenas o prenúncio de um período chuvoso que deve se estender até março de 2026. As áreas de maior risco neste momento incluem o Centro-Oeste, Triângulo Mineiro, Zona da Mata e Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O órgão reforça medidas preventivas simples que podem evitar tragédias: reduzir a velocidade em pistas molhadas, manter distância segura entre veículos, acender os faróis e redobrar a atenção em curvas e trechos com baixa visibilidade.
Chuva e imprudência
Para o comandante do 4º Pelotão da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), tenente Fabrício Ávila, o cenário é repetido ano após ano.
— As primeiras chuvas costumam ser as mais perigosas, porque o óleo acumulado na pista se mistura com a água e reduz drasticamente a aderência dos pneus. É o momento de redobrar a atenção, reduzir a velocidade e evitar ultrapassagens — orienta o oficial.
O tenente também reforça que embriaguez, pressa e desatenção são os principais fatores que transformam pequenas ocorrências em tragédias.
— Não é a chuva que mata, é a imprudência. As rodovias pedem respeito e consciência — completou.
Opinião
O período de chuvas está apenas começando, e as primeiras tempestades já trouxeram um alerta doloroso.
Se o asfalto molhado escorrega, o que derrapa de verdade é o senso de responsabilidade de quem insiste em achar que dirigir é um direito, quando, na verdade, é um dever coletivo.
Enquanto o som da chuva ecoa nas estradas, vem acompanhada do pranto das famílias que perderam quem amava.
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