“Fui levar a minha solidariedade e a do povo mineiro”, declara Domingos Sávio

Lucas Maciel
O deputado federal Domingos Sávio (PL) esteve com o ex-presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, 18, em Brasília, após receber autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A visita ocorreu na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e, segundo o parlamentar, teve como objetivo levar solidariedade pessoal e manifestar o apoio de apoiadores mineiros.
Sávio afirmou que encontrou o ex-presidente com a saúde debilitada, mas determinado a reafirmar sua inocência diante das acusações que enfrenta. Ainda de acordo com o deputado, Bolsonaro nega qualquer envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023 e destacou que, na época, estava fora do país.
A prisão domiciliar de Bolsonaro foi determinada no início de agosto, após o STF considerar que ele descumpriu medidas cautelares impostas em investigações sobre tentativa de golpe de Estado. Entre as restrições violadas está o uso indireto das redes sociais, por meio de aliados e familiares.
A medida integra um processo mais amplo que investiga a atuação de Bolsonaro e aliados em ações antidemocráticas contra instituições brasileiras.
Encontro
Após a visita ao ex-presidente, Domingos Sávio ressaltou que levou não só a sua solidariedade pessoal, mas também a do povo mineiro, que tem demonstrado grande apoio a Bolsonaro neste momento difícil. Segundo o parlamentar, muitas pessoas pediram que ele manifestasse ao ex-presidente a torcida e a compreensão pelo que consideram uma injustiça.
— Fui levar não só a minha solidariedade, a minha amizade de já duas décadas de convivência, primeiro como colega deputado, depois no período dele como presidente e agora nesse momento tão difícil que ele está passando. E eu fui levar a minha solidariedade, mas também do povo mineiro — contou.
Durante a conversa, Sávio afirmou ter encontrado o ex-presidente com a saúde debilitada, mas bastante firme e determinado.
— Ele é um homem muito firme, muito forte. Apesar da saúde debilitada manifestada pelos soluços que se repetiram inúmeras vezes durante nossa conversa, ele é um homem muito determinado em manter com muita clareza a sua posição de que é absolutamente inocente diante das acusações injustas — afirmou.
O deputado destacou que não há nenhuma prova concreta contra Bolsonaro nos autos, apenas delações que mudaram de versão. O ex-presidente também reforçou, durante a conversa, que estava fora do país na data dos atos e não teve qualquer contato com envolvidos.
— Isso pode ser um precedente perigoso para a Justiça brasileira, condenar alguém baseado numa delação que teve várias versões, somente a delação. Pelo contrário, há provas de que ele não participou, porque no dia 8 de janeiro o mundo inteiro sabe que o presidente Bolsonaro estava nos Estados Unidos, não teve um telefonema dele para ninguém, não teve um whatsapp dele — explicou o deputado.
Críticas
Sávio ainda criticou a rapidez do julgamento que deve ocorrer no Supremo Tribunal Federal, afirmando que o processo contra Bolsonaro tem sido conduzido com urgência, em contraste com outros casos que se arrastam por anos.
— Já nos próximos dias deve iniciar o julgamento, que, por sinal, a gente viu que Lula ficou preso, mas depois de se arrastar por vários anos o processo contra ele. Contra Bolsonaro a gente vê aí praticamente um rito sumário e uma urgência em querer condenar, porque preso ele já está — lembrou.
Por fim, o deputado afirmou que Bolsonaro mantém a confiança na Justiça, apesar de se sentir perseguido politicamente.
— Ele está seguro da inocência dele obviamente, embora a gente tenha muitos motivos para acreditar num jogo de justiça marcada, numa perseguição que tem se mostrado implacável contra ele. Mas, obviamente, não pode desistir de acreditar na justiça — finalizou.
Prisão domiciliar
A prisão domiciliar foi decretada no início de agosto pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após constatar o descumprimento de medidas cautelares impostas ao ex-presidente no âmbito de investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
Entre as restrições que levaram à decisão estão o uso indireto das redes sociais por meio de aliados e familiares, prática proibida que motivou novas medidas mais rigorosas contra Bolsonaro. Além da prisão domiciliar, foram determinadas buscas e apreensões na residência do ex-presidente em Brasília, e o impedimento de contato com algumas pessoas.
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