Frio fora de época: especialista aponta influência do aquecimento global na onda polar

Da Redação
Agosto geralmente não é marcado por baixas temperaturas. Apesar de ainda estar no inverno, comum no mês são as ventanias. Contudo, a chegada de uma intensa massa de ar polar continental, proveniente da Argentina, na última sexta-feira, 8, intensificou o frio em Minas Gerais e em outros oito estados, configurando a quinta onda registrada em 2025, conforme apontado pelo Climatempo. O fenômeno meteorológico tem provocado uma sequência de dias com temperaturas significativamente abaixo da média climatológica, com previsão de manutenção dessas condições até está terça-feira, 13.
A queda nas temperaturas em Minas, tem provocado impactos sentidos especialmente em cidades como Belo Horizonte, que nesta segunda-feira, 11, registrou a quarta manhã mais fria do ano, com mínima de 8,9°C nas áreas mais elevadas e sensação térmica negativa devido a rajadas de vento que atingiram 50 km/h. Em Divinópolis, que registro 9°C também na manhã desta segunda, a previsão para a semana indica que o frio persistirá ao longo da semana, com mínimas oscilando entre 11°C e 14°C e máximas que podem variar até 30°C, alternando entre dias ensolarados com nuvens e períodos de nebulosidade.
Embora frentes frias sejam fenômenos naturais, o aquecimento global pode influenciar a frequência, a intensidade e o deslocamento de massas de ar. Oscilações térmicas provocadas por oceanos mais aquecidos têm desorganizado correntes atmosféricas e aberto caminho para que o frio intenso alcance regiões e períodos do ano em que antes era incomum.
Avanço da frente fria
As temperaturas começaram a cair inicialmente no Rio Grande do Sul, durante a manhã da última sexta-feira, 8, avançando para Santa Catarina e Paraná no período da noite. Ao longo do fim de semana, o ar frio se deslocou para outras regiões, mantendo mínimas e máximas reduzidas por vários dias consecutivos.
Com exceção do extremo Sul e da região litorânea do Rio Grande do Sul, o frio prolongado atinge com mais intensidade estados como São Paulo, o Sul e Triângulo de Minas, Sul do Rio de Janeiro, todo o Mato Grosso do Sul, Sul de Mato Grosso e extremo Sul de Goiás. Nessas áreas, os termômetros registram até 5°C ou mais abaixo da média.
No Norte, cidades como Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO) também enfrentaram a chamada “friagem”, caracterizada por queda brusca e significativa nas temperaturas.
Queda de temperatura
Segundo o Climatempo, mesmo as regiões não classificadas como estando sob onda de frio sofreram queda de temperatura entre 3°C e 5°C abaixo da média climatológica.
Os termômetros em Belo Horizonte nesta segunda regisraram a mínima de 8,9°C, mas, com rajadas de vento de até 50 km/h, a sensação térmica chegou a -10,3°C nas partes mais elevadas da região Oeste. Em outros pontos da capital, a sensação foi de 2,8°C.
Aquecimento global
De acordo com o IPainel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o termo “aquecimento global” refere-se ao aumento gradual (observado ou projetado), na temperatura da superfície global, como uma das consequências do forçamento radiativo causado pelas emissões antropogênicas. Esse fenômeno está diretamente ligado ao acúmulo de gases poluentes, como o dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄), entre outros, na atmosfera. Esses gases possuem a característica de reter calor, funcionando como uma estufa e provocando elevação nas temperaturas médias do planeta.
O professor de análises ambientais, Carlos Alexandre Vieira, explica que as frentes frias já são fenômenos naturais e não são criadas pelas mudanças climáticas, mas que o aquecimento global pode interferir na forma como elas se comportam. Ele destaca que as oscilações térmicas em nível global, provocadas por oceanos mais quentes, desorganizam os fluxos de massas de ar frio de origem polar, permitindo que essas frentes alcancem o Sudeste em períodos incomuns.
— Essas oscilações térmicas aumentaram e potencializaram a desordem climática em relação às frentes frias, permitindo que elas avancem e cheguem a locais que não eram de costume — afirmou.
Segundo ele, em anos típicos, o mês de agosto dificilmente registraria uma frente fria tão intensa quanto a atual. Contudo, a distribuição desigual de calor no planeta, consequência do aquecimento global, pode alterar correntes atmosféricas e abrir caminho para que massas polares atinjam regiões onde antes não chegavam.
— O aquecimento global já é um fato real. O que pode estar ocorrendo é a distribuição desigual de calor no globo terrestre, influenciando nas correntes atmosféricas. Quando isso acontece, abre-se uma porta para que essa frente fria entre no Sudeste. Antes, as correntes atmosféricas estavam bem distribuídas e essa frente fria iria para outro local, não para o Sudeste— finalizou.
Divinópolis
Em Divinópolis, a queda de temperatura é percebida com mais intensidade no início da semana. Nesta terça-feira, 12, a previsão indica dia de sol com algumas nuvens e névoa ao amanhecer, e poucas nuvens à noite, com mínima de 11°C e máxima de 26°C.
Na quarta-feira, 13, o dia será de sol, com nevoeiro ao amanhecer e aumento de nuvens ao longo da tarde. As temperaturas variam entre 12°C e 27°C.
A quinta-feira, 14, terá sol e muitas nuvens à tarde. À noite, o céu seguirá com intensa nebulosidade, mas sem registro de chuva. A mínima prevista é de 13°C e a máxima pode chegar a 30°C.
Para a sexta-feira, 16, a previsão indica sol com muitas nuvens durante o dia e períodos de céu nublado, mantendo a noite com bastante nebulosidade. A previsão indica temperaturas variando de 14°C na mínima a 28°C na máxima.
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