Ciro fala de Bolsonaro, Moro e Amazônia em passagem por Divinópolis

Maria Tereza Oliveira
O 3º colocado das eleições presidenciais no ano passado, Ciro Gomes (PDT), passou por Divinópolis nesta sexta-feira, 23. Antes de palestrar na Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), o político atendeu a imprensa no auditório da instituição, com o jeito polêmico habitual.
Dentre os assuntos abordados, Ciro falou sobre Jair Bolsonaro (PSL), Sergio Moro e “Vaza jato”, além da situação da Amazônia e Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Centro-esquerda
O ex-ministro da Fazenda (1994) e da Integração Nacional (2003-2006) falou sobre como a centro-esquerda brasileira deve se comportar para fazer oposição aos cortes e outras medidas impopulares adotadas pelo Governo Bolsonaro.
— O primeiro campo de luta é o parlamento. Nele, não devemos alimentar ilusões. Nós perdemos as eleições muito feiamente. Não adianta querer transformar cada episódio do parlamento em um “3º turno das eleições” porque vai ser 4x1 — disse.
Ainda de acordo com Ciro, isso acontece em razão da direita ser maioria no Parlamento.
— Nós [centro-esquerda] somos 130 e eles [direita] 300. Esta agenda conservadora se for ferida no Congresso Nacional e a gente transformá-la em uma luta interna, vai ser uma goleada. Entretanto, o Congresso Nacional pode e está cumprindo um papel essencial — exemplificou.
Ciro não poupou críticas ao presidente e repreendeu medidas, consideradas, por ele, antidemocráticas, do governo federal.
— O Congresso tem obrigado o senhor Jair Messias Bolsonaro a jogar dentro das regras da democracia. Porque já se sabe que Bolsonaro é um fascista, um demente, um irresponsável. Mas a contenção dentro das regras e direitos democráticos tem de ser jogada com brilhantismo pelo congresso brasileiro — orientou.
‘Descolou’
Outro trabalho citado por Ciro é sobre contenção de danos. De acordo com ele, a centro-esquerda deve entender por que “descolou” da vida do povo e perdeu as eleições.
— Por exemplo: a Câmara Federal votou o domingo como trabalho sem remuneração extra. Mas o Senado corrigiu. Isto não é trivial, é importância, mas a dinâmica do debate corrigiu. É preciso prestigiar e cobrar o congresso. A grande luta é a do senador. Os estudantes estão dando exemplo, mas os sindicatos e movimentos políticos perderam a capacidade de convocação da população — lembrou.
Ele criticou a inclusão partidária e ideológica em protestos.
— Por exemplo, se for convocado um protesto pela situação da Amazônia, não pode ter um cartaz escrito “Ciro 2022” ou “Lula Livre”. Bolsonaro só entende uma linguagem: a rua quente. Temos de esquentar as manifestações e protestos nas ruas. Porque se ele ver a reação nas ruas, ele recua — convocou.
Vaza jato
Outro tema pontuado por Ciro foram as conversas vazadas entre o então juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol envolvendo a Lava-Jato.
Ciro afirmou que, para quem tem mais experiência, era óbvio que Moro não estava exercendo o papel de juiz, e sim de político.
— Ele prendeu um candidato e impediu a candidatura, depois o rival venceu as eleições e ele foi parar no Ministério da Justiça. Foi lhe oferecido um cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mas e se no lugar disto lhe fosse oferecido dinheiro, do que o chamaríamos? — questionou.
Amazônia
Ciro Gomes também comentou a situação atual da Amazônia. Embora não seja um problema recente, ele criticou a forma como Bolsonaro lida com a questão.
— Ele fez apologia ao desmatamento, apologia do enfrentamento das comunidades indígenas, fez o desmonte do Ibama... Ele denunciou o termômetro porque nós estamos com febre. Aí explode esta questão e Bolsonaro comenta com declarações estapafúrdias. O problema de Bolsonaro é o despreparo — acusou.
Para o ex-ministro, se a situação continuar assim, o Brasil irá receber restrições ambientais severas que trarão problemas para o agronegócio.
— Quando o cidadão perder o emprego aqui no interior de Minas Gerais talvez vai entender como é disparatoso. A turma dele já pegou a frase dele de que quem está botando fogo na Amazônia são as ONG’s e já está repetindo — criticou.
Ancine
Sobre a proposta de um “filtro” do governo federal na produção audiovisual da Ancine, Ciro disse que não é uma novidade. De acordo com ele, todo obscurantista precisa apagar a cultura.
— Eles precisam asfixiar a inteligência e as elaborações lindamente arbitrárias da estética. A produção audiovisual faz a população abrir a mente, compreender no simbólico, no lúdico o que está acontecendo com a sociedade. Foi a mesma jogada de Hitler e Mussolini, então, vêm aí tempos muito obscuros — previu.
O político também criticou a suspensão de edital com filmes e séries com temática LGBT e provocou o presidente.
— A Ancine não pode se submeter à estética de Jair Bolsonaro só porque ele tem problemas de armário. Qualquer psiquiatra sabe o que estou dizendo, falo sério — cutucou.
Leia também
Nenhum prefeito repassou dinheiro do Diviprev sem parcelar, diz vereador
Ciro Gomes fará palestra em Divinópolis sobre crise no Brasil
CPI do IPTU chega aos capítulos finais
Prefeitura de Divinópolis quer R$ 40 milhões em empréstimo para terminar obras
Presidente da OAB Divinópolis visita senador na capital mineira
Setembro Amarelo terá capacitação do Governo Federal em Divinópolis
Mais recentes
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em agosto de 2019
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…







