Clima de arraiá já movimenta comércio, escolas, famílias e comunidades

Jorge Guimarães
Junho chegou trazendo consigo uma das épocas mais aguardadas pelos brasileiros: o tempo das tradicionais festas juninas. Marcado por cores, música, encontros e sabores inesquecíveis, o mês presta homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro, santos que fazem parte da cultura popular e ajudam a manter viva uma das celebrações mais queridas do país.
Mais do que uma tradição religiosa, as festas juninas se transformaram em um verdadeiro patrimônio cultural, reunindo famílias, amigos e comunidades em torno das quadrilhas, bandeirinhas e, claro, das delícias típicas que conquistam todos os paladares. Milho verde, canjica, pamonha, pé de moleque, caldo, quentão e tantas outras receitas ganham espaço e fazem desta temporada um convite ao aconchego e à celebração.
Celebrações
Com o início das celebrações juninas, o clima de festa já toma conta das famílias e dos grupos de amigos que aguardam com expectativa uma das épocas mais tradicionais do calendário brasileiro.
As comemorações começam neste sábado, 13, em homenagem a Santo Antônio, conhecido popularmente como o santo casamenteiro. Depois seguem no dia 24 com São João e se encerram oficialmente no dia 29, celebrando São Pedro, embora, em muitos lugares, a animação atravesse o mês e avance por julho.
Para a diarista Ana Paula Martins, as festas juninas representam muito mais do que diversão.
— É uma época que reúne tradição, família e lembranças da infância. Todo ano faço questão de participar, preparar comidas típicas e encontrar os amigos — contou.
Já a estudante Luiza Fernandes, de 21 anos, destacou o lado descontraído da temporada.
— Eu adoro o clima das festas juninas. Tem música boa, roupa temática e, claro, as comidas que são a melhor parte. Sempre aproveito todas as que consigo — disse.
Para o casal Mariana e Gustavo, o dia de Santo Antônio ganha um charme especial.
— Todo mundo brinca que é o santo casamenteiro, então a data acaba tendo um significado diferente para quem está junto. É um período leve e muito alegre — comentam.
Tradição
As festas juninas começaram na Europa, no século VI, e foram trazidas ao Brasil pelos portugueses no século XIX, com a vinda da família real. Por aqui, ganhou cores, sabores e um toque especial da culinária mineira.
— Essas receitas que a gente encontra nas festas juninas, como o arroz-doce, bolo de mandioca, batata doce assada na brasa, são heranças da cozinha mineira, que valorizam o sabor, o cheiro e a memória afetiva — explicou a culinarista Tereza Campos.
Além das delícias típicas, os arraiás encantam com as bandeirolas coloridas, as roupas caipiras, o mastro dos santos e a tradicional fogueira, que aquece os encontros nas noites frias do mês de junho.
— É uma época que traz lembranças da infância, de reunir a família e os amigos ao redor da fogueira. Cada prato tem uma história, e cada festa tem sua magia — disse emocionada a professora aposentada Zenaide Alves.
Preparação
Os preparativos para as tradicionais festas juninas movimentam o comércio, as famílias, escolas, igrejas, clubes e bairros inteiros. É tempo de escolher os trajes típicos, ensaiar quadrilhas, organizar barraquinhas e preparar o coração para dias de muita dança, sabores típicos e momentos especiais.
Nas escolas, o ritmo é de contagem regressiva. Professores intensificam os ensaios e aproveitam o período para trabalhar cultura popular, integração e convivência entre os alunos.
A pedagoga Regina Célia Alves destacou que a festa vai muito além da apresentação.
— As crianças ficam ansiosas pelos ensaios e acabam aprendendo muito sobre as tradições brasileiras. É um momento que une a escola e aproxima as famílias. Cada detalhe é preparado com muito carinho — pontuou a profissional.
Já o professor Marcelo comenta que o envolvimento dos alunos transforma o ambiente escolar.
— Eles entram no clima rapidamente. Desde a escolha da música até os figurinos, tudo vira motivo de entusiasmo. A festa junina traz alegria e cria memórias que ficam para sempre — disse.
Entre as mães, o período também é de organização e expectativa. Entre costuras, compras e preparação para os eventos, o sentimento predominante é de emoção.
A economiária Elizabete Pena contou que já está providenciando o traje típico do filho.
— Todo ano é uma correria boa. A gente separa chapéu, camisa xadrez, combina tudo e acaba entrando na brincadeira junto com eles. É uma tradição que faz parte da nossa família — definiu.
A empresária do ramo de confecções, Renata de Oliveira, destacou que o mais importante não é a produção, mas a experiência.
— O que fica não é só a roupa ou a decoração, mas a lembrança de ver os filhos felizes, participando e celebrando junto dos amigos — afirmou.
Comércio
Os supermercados já registram maior movimentação nas prateleiras e projetam um aumento entre 10% e 15% nas vendas de produtos típicos da estação, em comparação ao mesmo período de 2025. A previsão otimista é puxada pela forte tradição cultural das datas e pelo apelo das comidas típicas, que ganham destaque nesta época do ano.
De acordo com o gerente de loja de supermercado, Sérgio Antônio de Oliveira, a rede se antecipou e preparou ofertas especiais com os itens mais procurados pelos consumidores.
— Essa época do ano é muito boa para as vendas de muitos itens que talvez fiquem esquecidos durante o transcorrer do ano. Assim, o rodízio de mix é muito bom e nos faz projetar um aumento entre 10% e 15% nas vendas até o fim do inverno. Em especial, as festas juninas, pelas quais temos uma atenção extra, pois envolvem tradição e religiosidade, nossas promoções são mais evidentes nesse período — afirmou o gerente.
Produtos como amendoim, pipoca, pé de moleque embalado, canjica seca, fubá e farinha de milho são os destaques nas gôndolas e tendem a ter alta demanda, já que compõem a base das receitas mais tradicionais da culinária junina.
Cardápio
Em Minas Gerais, as festas juninas são muito mais do que quadrilhas e as tradicionais delícias como quentão, pipoca e canjica. Elas representam encontros, memórias e a oportunidade de reunir gerações em torno de uma das celebrações mais queridas do calendário popular.
Para muitas famílias, participar das festas juninas virou tradição que passa de pais para filhos e se renova todos os anos.
A dona de casa Gislene Silva contou que junho sempre foi um mês especial para sua família.
— Desde que eu era criança, a gente se reúne para participar das festas. Hoje faço questão de levar meus filhos também. Eles adoram as brincadeiras, as comidas e principalmente encontrar os primos. É um momento que aproxima todo mundo — disse.
Na família do engenheiro Kleber e Rogéria Miranda, a tradição inclui reunir várias gerações em um mesmo arraial.
— Vai avó, tios, netos, todo mundo. Sempre tem música, foto e muita conversa. A nossa família sempre celebrou essas datas com muita alegria e fé. As noites frias de junho, ao lado de uma fogueira, na roça, são aguardadas por todos nós, quando reunimos a família em torno das datas — compartilhou o engenheiro Kleber Miranda.
A esposa, Rogéria, fala do som do forró, das luzes das barracas, do cheiro de comida no ar e a devoção aos santos homenageados.
— Santo Antônio, São João e São Pedro, formam um cenário que toca o coração e desperta memórias afetivas — completou.
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