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Coordenador do Gaeco não descarta outros envolvidos em fraude milionária 

Por Redação Jornal Agora
Coordenador do Gaeco não descarta outros envolvidos em fraude milionária 

Ígor Borges

Carros, celulares, artigos de luxo e jóias. Através de  fraude milionária em Divinópolis, um casal é suspeito de receber R$ 656 mil dos cofres públicos. Eles e um terceiro envolvido foram presos em flagrante na tarde de quarta-feira, na operação “Efeito Colateral”. 

A operação foi realizada pelo Ministério Público (MP), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Regional de Divinópolis e da Promotoria de Justiça de Defesa de Patrimônio Público. 

De acordo com o MP, uma das envolvidas era assessora da Vara da Fazenda Pública e Autarquias, que articulou a liberação de R$ 1,6 milhão, ao todo, para a suposta compra de medicamentos destinados a um falso câncer.

Falsificação de documentos

Ao Agora, o promotor da Vara do Patrimônio Público, Marcelo Maciel, explicou o plano do casal.

— O processo é instruído basicamente com documentos falsos, desde comprovante de endereço até relatórios médicos. Uma suposta negativa do Estado de Minas Gerais em fornecer o medicamento que seria necessário e depois de obter o dinheiro. Eles ainda falsificaram notas fiscais para prestarem contas de que supostamente teriam comprado o medicamento — comentou.

Ele relata que, nesse tipo de caso, o juiz estabelece um prazo para prestação de contas. Foi neste instante que os investigados atuaram.

— O Judiciário cobra uma prestação de contas, já que a pessoa, o particular, recebeu um dinheiro público e deve comprovar. Foi nesse momento que eles, se aproveitando de uma fragilidade do sistema da receita do Espírito Santo, emitiram notas fiscais falsas e se juntaram nesse processo para assim justificar os gastos — detalhou.

Ao que tudo indica, acrescentou, os nomes dos próprios profissionais de saúde também foram falsificados.

Dois meses

As denúncias chegaram primeiro à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Divinópolis, a qual pediu o apoio do Gaeco para que as investigações começassem, contou o coordenador do Gaeco, Leandro Willi.

— Conseguimos concluir em um tempo bastante razoável. Foram menos de dois meses para que pudéssemos identificar todos os envolvidos inicialmente, e pudéssemos deflagrar essa operação com totalismo — ressaltou.

Partilha do montante

Os investigados tiveram acesso a quase R$ 700 mil. 

— A pequena parte desse valor ficou com um morador de rua, que emprestou o seu nome para figurar no polo ativo desta ação. O maior valor foi distribuído entre a assessora e seu companheiro, que utilizaram grande parte desse valor para adquirir bens, artigos de luxo, veículos, aparelhos celulares, compra de jóias, viagens, causando um desfalque nos cofres públicos — apontou. 

Para ele, o prejuízo aos cofres públicos é considerável, uma vez que o dinheiro poderia ser utilizado para tratamentos de saúde de pessoas que realmente precisam do recurso. 

— Foram feitos os sequestros dos veículos, apreendidas joias e outros artigos, que podem ajudar no ressarcimento. Trabalharemos incessantemente para que todos os valores de prejuízo causados ao Estado possam ser ressarcidos aos cofres públicos — completou.

Investigados 

Uma das investigadas é assessora jurídica da Vara de Fazenda Pública e Autarquias, de 27 anos. 

— A assessora tinha conhecimento privilegiado deste fluxo. Ela percebeu uma fragilidade na transferência de recursos públicos para uma conta particular — explicou. 

Para o coordenador do Gaeco, a investigada era a peça-chave da articulação do sistema. 

— As investigações permanecem para que possamos identificar o idealizador. Mas há um forte indicativo de que, com a função exercida, ela tenha se utilizado disso para orientar os demais — pontuou.

Outro investigado é o companheiro da assessora, de 30 anos, que possui uma vasta ficha criminal. Ao todo, são dezenas de passagens por diversos crimes, entre roubos, tráfico de drogas, crimes contra a vida e receptação.  

O terceiro envolvido é um morador de rua, que emprestou seu nome para a abertura da conta onde os valores foram depositados. Segundo o promotor, ele teria total ciência da ação.

Outros envolvidos

Ao Agora, Leandro Willi não descartou a possibilidade de outros suspeitos envolvidos na fraude.

— O envolvimento de outras pessoas será avaliado agora nesse contexto pós-deflagração. Nós iremos analisar os documentos apreendidos, a extração dos dados dos aparelhos celulares. Vamos ouvir testemunhas, ouvir os investigados para que a gente possa avaliar se realmente existem outras pessoas envolvidas nessa fraude — apontou.

Por fim, ele destaca que o caso chama atenção para um problema na liberação de recursos do Estado para contas particulares. 

— Seria interessante que esses valores pudessem ser liberados após uma análise rigorosa da documentação, para o fornecedor de medicamento, para que essa prestação de contas possa ser feita de forma adequada e a gente não corra risco de novas fraudes — expressou.

Prisões e apreensões

O comandante da 7ª Região da Polícia Militar, Carlos Henrique Souza, explicou a atuação da PM no apoio à operação.

— A PM atuou com o trabalho de inteligência e segurança pública durante os procedimentos feitos pelo Ministério Público. Além dessas atividades de inteligência e segurança pública, o planejamento do cumprimento dos mandados de prisões, dos de busca e apreensões fica a cargo dos militares — ressaltou.

De acordo com o comandante foram apreendidos telefones celulares, e uma grande documentação. O  coronel destaca que tudo isso foi feito de forma legal e repassado ao Ministério Público para adoção das demais providências.

Detalhes

A operação ‘Efeito Colateral’ contou com a participação de dois promotores de Justiça, oito agentes do Gaeco e 15 policiais militares, além de oito viaturas.

— Conforme apurado, os investigados, utilizando-se de documentos falsos, ajuizaram uma ação contra o Estado de Minas Gerais, com o objetivo de obter recursos financeiros para suposta compra de medicamentos para o tratamento de um falso câncer de um dos envolvidos — explicou o MPMG em nota.

Foram cumpridos três mandados de prisão e dois mandados de busca e apreensão para arrecadar materiais ilícitos, objetos e instrumentos ligados às práticas criminosas.

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