Cotado como vice de Cleitinho, Flávio Roscoe deve deixar Fiemg e se filiar ao PL

Da Redação
O empresário e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, anunciou uma decisão que movimenta os bastidores da política mineira: ele deve deixar a presidência da Fiemg em abril de 2026, antecipando sua descompatibilização da entidade — o que abre espaço para uma eventual entrada formal na corrida eleitoral do mesmo ano.
A decisão, comunicada internamente à diretoria da entidade, reforça um movimento que já vinha sendo ventilado nos últimos meses: Roscoe pretende colocar seu nome “à disposição da política” em 2026, avaliando possibilidades tanto no âmbito estadual quanto nacional. A saída da presidência da principal entidade representativa do setor industrial mineiro é considerada um passo necessário para sua transição ao campo político-partidário.
Nos corredores dos partidos, o nome do empresário tem ganhado destaque, sobretudo com lideranças do Partido Liberal (PL) em Minas Gerais. Um encontro recente entre Roscoe e o presidente estadual da legenda, deputado federal Domingos Sávio, pode culminar na filiação do empresário ao PL, consolidando sua entrada formal no jogo eleitoral.
PL
Fontes ligadas ao PL afirmam que Roscoe é visto como um nome que pode compor, inclusive, a chapa majoritária nas eleições estaduais de 2026 — possivelmente como candidato a vice-governador ao lado do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). A articulação ocorre em um momento de movimentações intensas no espectro político mineiro, com alianças e definições ainda em aberto.
Domingos Sávio, ao comentar a reunião, destacou a “excelente relação” entre o PL e Roscoe, ressaltando que o empresário teria apoiado historicamente lideranças do campo que o PL hoje representa e que sua integração à legenda seria natural.
— Estou me reunindo com o Flávio Roscoe ainda hoje e, amanhã, terei um encontro com o senador Cleitinho em Brasília. Neste momento, estamos intensificando as conversas e análises para definir o posicionamento do PL em relação ao governo de Minas. Ainda não há uma decisão final, mas o diálogo está avançando de forma responsável e construtiva — disse o presidente do PL ao Agora.
Setor produtivo
Roscoe está à frente da Fiemg desde 2018 e se tornou uma figura influente no meio empresarial mineiro, conhecido por sua atuação em defesa da indústria, de programas educacionais e de estímulo à competitividade econômica regional. Sua saída, embora aguardada por alguns setores, marca o fim de um ciclo de quase uma década à frente da entidade.
A transição, no entanto, não está isenta de desafios. Para se tornar candidato, ele precisará não apenas consolidar sua filiação partidária — possivelmente ao PL — como também definir qual cargo político buscará nas urnas em outubro. A legislação eleitoral estabelece prazos rígidos de desincompatibilização para dirigentes de associações classistas, justificando a antecipação da saída da Fiemg por Roscoe.
Incógnita Cleitinho
O nome de Roscoe surge enquanto o cenário político de Minas Gerais se redesenha rumo às eleições de 2026. O senador Cleitinho Azevedo, potencial candidato ao governo do Estado, ainda não confirmou oficialmente sua candidatura. Se Cleitinho confirmar sua postulação, a parceria com Roscoe pode ganhar musculatura eleitoral, considerando o perfil do empresário junto ao setor produtivo e parte do eleitorado empresarial.
Ainda assim, analistas políticos ressaltam que a construção dessa chapa dependerá de negociações mais amplas, incluindo alianças com outros partidos da chamada “direita ampliada” e a capacidade de atrair votos fora do núcleo partidário tradicional.
Implicações nacionais
A movimentação de Roscoe tem reverberações além dos limites de Minas Gerais. O PL, partido que em nível nacional abriga figuras centrais da política brasileira contemporânea — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro — atravessa um momento de reorganização de lideranças e estratégias eleitorais. A possível filiação de um nome como Roscoe ao partido indica um esforço de fortalecimento da legenda, sobretudo no Sudeste, onde a competição eleitoral costuma ser mais acirrada.
Especialistas consultados por esta reportagem avaliam que uma eventual candidatura de Roscoe, mesmo na condição de vice, pode alavancar o desempenho do PL e de seus aliados caso se consiga construir uma plataforma de alianças mais ampla. Por outro lado, também apontam que o empresário terá de enfrentar o desafio de traduzir seu capital institucional em capital político diante do eleitorado, algo que nem todos os dirigentes empresariais conseguem com sucesso.
O que vem pela frente?
À medida que a eleição de 2026 se aproxima, nomes tradicionais e novos atores vão ganhando espaço na disputa por votos e alianças. Roscoe, até então uma voz forte no setor industrial, entra oficialmente no tabuleiro político, puxando consigo expectativas e questionamentos sobre o papel do empresariado na política partidária.
Nos próximos meses, sua filiação ao PL pode ser selada, e com isso, o jogo eleitoral em Minas Gerais ganhará uma nova configuração — onde alianças, estratégias e negociações serão determinantes para definir não apenas candidaturas, mas também possíveis rumos para o governo do Estado nos próximos quatro anos.
Cleitinho Azevedo, senador de Minas Gerais, recebeu o contato do Agora sobre o tema, mas até o momento de fechamento desta matéria, às 12h de ontem, não se posicionou.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
