Da ideia à mão na massa

Raquel Couto
Existe uma grande diferença entre idealizar e empreender. A idealização está no campo das ideias, da concepção. Em geral, nasce a partir de uma situação em que o indivíduo acredita ter encontrado a solução para um problema e quase grita “Eureka” – assim como fez o matemático Arquimedes - ao se deparar com a solução imaginada. Para que a ideia saia do campo mental e se transforme em produto ou serviço de resultados, será preciso empreender. O que significa deixar de lado o confortável mundo das ideias para lidar com plano de negócios, sustentabilidade do empreendimento, identificação de clientes, pontos fracos e fortes do produto ou serviço, entre outras variáveis obrigatórias ao empreendedorismo, quando falamos de criar uma empresa.
De acordo com levantamento realizado pelo Sebrae, uma das razões pelas quais 58% das empresas fecham antes de completar seis anos está na ausência do comportamento empreendedor, como por exemplo: ter uma mentalidade de crescimento, proatividade, persistência, flexibilidade, entre outros. Infelizmente, nem todas as pessoas têm o perfil para empreender, apesar de, atualmente, haver uma insistência propagada pela mídia de que o empreendedorismo vai salvar o mundo. E a sua vida. E a verdade é que não é bem assim.
Buscar feedback sobre você mesmo (se conhecer melhor) é essencial para que empreender em um negócio seja uma escolha consciente, evitando a frustração – e muitas vezes o prejuízo. E, em caso de feedback positivo, não significa dizer que o empreendedor de sucesso será o próximo Steve Jobs imediatamente. Seu plano inicial pode até fracassar, porém logo será substituído por outro para seguir adiante.
No livro Comece por Você, do empresário americano ReidHoffaman, fundador do Linkedin, ele cita que “Você nasceu empreendedor. Isso não significa que você tenha nascido para abrir empresas.”, como é divulgado e muitos acreditam. Com esse pensamento ele aborda que o instinto empreendedor pode ser utilizado para alavancar a carreira, já que compreende:
- Enxergar oportunidades;
- Assumir responsabilidades;
- Persistir e ter criatividade na busca de soluções;
- Agir com proatividade;
- Flexibilidade em ajustar-se às situações;
- Movido por paixão e automotivação;
O que o autor quis dizer é que atitudes empreendedoras também podem fazer parte da carreira de profissionais que estão atuando dentro de empresas e não necessariamente irão criar negócios próprios. E, sim, irão usar estas características empreendedoras para alavancar a própria carreira dentro das organizações.
Porque, cada vez mais, empresas buscam pessoas dispostas a apresentarem novos projetos, a proporem soluções inovadoras para os problemas e até mesmo capazes de se anteciparem às demandas de um mercado rápido e mutante. O funcionário empreendedor é aquele que tem proatividade, que é comprometido com os resultados, tem capacidade de liderar, formar equipes e inspirar confiança, consegue se ajustar às situações porque é flexível, é automotivado, organizado. E, claro, em processo de educação contínua.
De posse de um feedback sobre o que você realmente deseja para sua vida será possível direcionar melhor a trajetória dentro de uma organização. Ou fora dela. Pois características empreendedoras todos nós temos. O que é preciso é aprender a identificá-las e usá-las; seja abrindo uma empresa ou por meio do direcionamento da própria carreira.
Seja um empreendedor da sua própria vida.
raquel@raquelcouto.com.br
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