Dama da cultura, Helena Alvim deixa legado excepcional

Jorge Guimarães
A morte de Helena Alvim, no último dia 11 deixou um vácuo no cenário cultural. Natural de Martinho Campos, onde nasceu em 6 de junho de 1936, ela dedicou-se às artes cênicas como atriz e como professora tanto nas atividades de laboratório de exercícios corporais, como nos estudos de leitura e compreensão dos textos para a criação e elaboração de espetáculos teatrais. Em Divinópolis, lecionou no Colégio São Geraldo, à época, cultivava o latim, o francês e a língua pátria, disciplina que lecionou no curso de admissão.
Nos anos 1970, já casada com Palmério de Souza Ameno, com bolsa de estudo, esteve nos Estados Unidos. À véspera da viagem Osvaldo André de Mello a convidou para o teatro. Ele formava o elenco para montar “Abre a Janela, deixa entrar o ar puro e o sol da manhã”, de Bivar. Helena Alvim recebeu o convite surpresa. Levou o texto e prometeu procurá-lo, quando voltasse, o que cumpriu com resposta positiva.
— Introvertida, sensibilíssima, imaginei que um treinamento explodiria as emoções. Começamos os ensaios. Na primeira montagem, houve problemas, não fomos muito bem, contudo, a segunda “arrebentou”. Em Ouro Preto apresentamos a espectadores sofisticados. Aplaudidos de pé. O público não se retirava do Teatro Municipal. Voltamos à cena, realizamos um debate com a plateia deslumbrada. Era ditadura, a peça mostra metaforicamente os porões da tortura. A atriz estreou no papel principal: Heloneida. Contracenou com duas atrizes fantásticas, no papel de Geni: Irene Silva e Angélica de Oliveira — relembra o escritor, ator e secretário municipal de Cultura, Osvaldo André.
Interpretações e textos
Depois da experiência dos palcos Helena Alvim prosseguiu desfilando sua veia poética de interpretação, em muitos palcos, incorporando vários personagens. E mesmo assim achava tempo para traduzir textos como “Assassinato na Catedral”, de T. S. Eliot. Com o registro desse texto, passou a integrar a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Sua tradução é considerada mais palco; a tradução existente, “Crime na Catedral”, da portuguesa Maria da Saudade Cortesão, era um poema fechado, sem entradas para o trabalho de dramaturgia. Também traduziu poemas de Emily Dickinson
Grupo capela
Helena Alvim também participou do Grupo Capela, onde teve passagens marcantes como o espetáculo, “A moral do burro”, dramaturgia de Osvaldo André sobre o livro de frei Bernardino Leers. Helena interpretou uma lírica Beata, contracenando com Beatriz Freitas, a noiva Louca, e Laurinda Ferreira de Souza, Beata. Foi o presente mais emocionante que recebera na vida, declarou Frei Bernardino, no espetáculo comemorativo do seu nascimento, no Teatro Usina Gravatá. Outro papel marcante foi na montagem “Conspirações do Corpo”, onde a atriz fez o que mais amava: trazer ao palco a poderosa voz de Emily Dickinson.
Currículo
Além do talento dedicado a arte, sobretudo, nos palcos da vida, Helena Alvim possuía graduação em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis-FAFID (1970), mestrado em Pós-Graduação em Linguística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica RS (1975), doutorado em Letras- Literatura Brasileira, pela Pontifícia Universidade Católica MG (2004). Foi professora de Literaturas de Expressão em Língua Inglesa no Curso de Letras do Instituto Superior de Educação-ISED da Fundação Educacional de Divinópolis-Funedi e professora do Curso de Mestrado em Educação, Cultura e Organizações Sociais da Fundação Educacional de Divinópolis-Funedi/ Uemg de 2005 a 2011, dentre outros cursos e mestrados.
Dedicou-se às artes cênicas como atriz e como professora tanto nas atividades de laboratório de exercícios corporais, como nos estudos de leitura e compreensão dos textos para a criação e elaboração de espetáculo teatral. Ela é citada por Carlos Daglian, como professora, tradutora, poeta, atriz e teatróloga, em Emily Dickinson in Brazil, capítulo 7, páginas 144, 145, 283, da obra The International Reception of Emily Dickinson.
Sempre atuante na área de educação e cultura da cidade, o nome de Helena Alvim Ameno sempre será lembrado pela sua luta em prol da cultura e arte na cidade.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
