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Divinópolis interrompe boa sequência e fecha abril com saldo negativo de empregos

Por Bruno
Divinópolis interrompe boa sequência e fecha abril com saldo negativo de empregos

Jorge Guimarães

Após iniciar o ano de 2026 com resultados positivos na geração de empregos formais e encerrar o primeiro trimestre registrando uma média mensal entre 250 e 300 novas vagas, Divinópolis apresentou uma desaceleração significativa no mercado de trabalho em abril. O resultado acende um sinal de atenção para empresários, trabalhadores e especialistas, uma vez que interrompe o ritmo de crescimento observado nos primeiros meses do ano.

Números

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que Divinópolis enfrentou um mês de abril desafiador para o mercado de trabalho formal. Ao longo do período, foram registradas 2.987 admissões e 3.120 desligamentos, resultando em um saldo negativo de 133 vagas de emprego com carteira assinada.

O setor que mais contribuiu para o resultado foi o comércio, responsável pelo fechamento de 163 postos de trabalho. Na sequência aparece a construção civil, que encerrou o mês com saldo negativo de 59 vagas. A indústria também apresentou retração, com a perda de sete empregos formais, enquanto o agronegócio registrou redução de três vagas.

Na contramão dos demais segmentos, o setor de prestação de serviços foi o único a apresentar desempenho positivo. Durante o mês de abril, a atividade gerou 99 novas oportunidades de emprego formal, amenizando parcialmente o impacto das demissões registradas nos demais setores da economia local.

Cautela

A redução no saldo de empregos reflete um cenário de maior cautela por parte das empresas, influenciado por fatores econômicos, ajustes sazonais e pela própria dinâmica do mercado local. Apesar da queda registrada em abril, o desempenho acumulado no ano ainda demonstra que o município mantém um saldo positivo na criação de postos de trabalho, resultado dos investimentos e da movimentação de setores importantes da economia local.

O economista Lázaro Ribeiro destacou que oscilações ao longo do ano são comuns e que a análise do mercado de trabalho deve considerar períodos mais amplos. 

— O desempenho de abril reforça a necessidade de acompanhamento constante dos indicadores, especialmente diante dos desafios enfrentados pelas empresas em relação aos custos operacionais, acesso ao crédito e perspectivas de crescimento econômico – pontuou o economista. 

Expectativas 

Apesar do resultado negativo registrado, a expectativa para os próximos meses permanece positiva. Segundo Ribeiro, o comportamento do mercado de trabalho ao longo do ano costuma apresentar oscilações, sem que isso signifique necessariamente uma mudança de tendência.

De acordo com ele, fatores sazonais podem contribuir para uma retomada gradual das admissões nos próximos meses. 

— O calendário econômico favorece alguns segmentos, especialmente o comércio e os serviços, que tradicionalmente ampliam suas atividades em períodos específicos do ano. Isso tende a refletir positivamente na abertura de novas vagas — explicou.

O economista também ressaltou a importância do setor de serviços para a economia local. 

— Divinópolis possui uma forte vocação para o setor de serviços, que vem demonstrando resiliência mesmo em períodos de desaceleração. Além disso, a indústria local continua exercendo papel relevante na geração de renda e empregos, o que fortalece as perspectivas de recuperação — disse.

Para ele, a confiança dos empresários será determinante para o desempenho do mercado de trabalho. 

— À medida que houver maior estabilidade econômica e melhora das expectativas de consumo, as empresas tendem a retomar investimentos e ampliar seus quadros de funcionários. A expectativa é de uma recuperação gradual, mas consistente, ao longo dos próximos meses — concluiu.

Região

Os números do mercado de trabalho na região Centro-Oeste de Minas Gerais apresentaram desempenho positivo em abril, com saldo favorável de empregos formais nas principais cidades da região. Apesar disso, alguns indicadores setoriais chamam a atenção e merecem acompanhamento nos próximos meses.

Em Nova Serrana, maior polo calçadista de Minas Gerais, foram registradas 1.869 admissões e 1.850 desligamentos, resultando em saldo positivo de 19 novas vagas de emprego. Entretanto, um dado acende o sinal de alerta para a economia local. O setor industrial, principal motor do desenvolvimento do município, encerrou o período com saldo negativo de 131 postos de trabalho. Como a indústria calçadista possui papel estratégico na geração de renda e empregos, o desempenho do segmento será acompanhado com atenção por empresários e lideranças econômicas.

Itaúna apresentou o melhor resultado entre os principais municípios da região. A cidade contabilizou 1.575 admissões e 1.397 desligamentos, alcançando saldo positivo de 178 vagas formais. O grande destaque foi a construção civil, responsável pela abertura de 207 novos postos de trabalho, refletindo o aquecimento de obras e investimentos no município.

Já Pará de Minas registrou um desempenho mais modesto, mas também positivo. Foram 1.410 contratações contra 1.404 desligamentos, gerando saldo de seis novas vagas. O setor de prestação de serviços foi o principal responsável pelo resultado, com a criação de 81 empregos formais, demonstrando a importância da atividade para a economia local.

Segundo o economista, os números mostram a força da geração de empregos no Centro-Oeste mineiro, mas revelam diferenças entre os municípios, com destaque para a importância da indústria em cidades como Nova Serrana para a manutenção do crescimento econômico e dos empregos.

Minas Gerais 

Minas Gerais criou 8.991 empregos formais em abril, segundo o Caged. O resultado é fruto de 238.791 contratações e 229.800 desligamentos registrados no período.

Assim o estado mantém saldo positivo na geração de empregos desde o início de 2026, acumulando 78.917 novas vagas formais no primeiro quadrimestre. O estado segue entre os maiores geradores de empregos do país e ocupa a segunda posição nacional em número de trabalhadores com carteira assinada, totalizando 4.937.966 vínculos formais nos setores público e privado.

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