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Divinópolis registra taxa de homicídios menor que cidades vizinhas, aponta Atlas da Violência

Por Bruno
Divinópolis registra taxa de homicídios menor que cidades vizinhas, aponta Atlas da Violência

Lucas Maciel

O novo Atlas da Violência 2026, divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), trouxe um retrato detalhado da criminalidade no país e revelou contrastes importantes no Centro-Oeste mineiro. Apesar de Divinópolis registrar o maior número absoluto de homicídios da região, cidades menores como Pará de Minas, Nova Serrana e Itaúna aparecem com taxas proporcionais de violência letal superiores à da cidade polo.

O levantamento utiliza dados oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde, além de cruzamentos estatísticos e estimativas produzidas com apoio de inteligência artificial para identificar possíveis “homicídios ocultos” — casos inicialmente classificados como mortes violentas de causa indeterminada.

Em todo o Brasil, o Atlas registrou 42.590 homicídios em 2024, o menor índice da série histórica recente. A taxa nacional ficou em 20,1 homicídios para cada 100 mil habitantes. Ainda assim, os pesquisadores alertam para o crescimento das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), o que pode mascarar parte dos números reais da violência letal.

Números de Divinópolis 

Segundo os dados, Divinópolis registrou 19 homicídios oficialmente em 2024, além de um homicídio oculto estimado, totalizando 20 mortes violentas estimadas. Com população calculada em 242.328 habitantes, a cidade apresentou taxa de 8,3 homicídios para cada 100 mil moradores.

Embora o número absoluto seja o maior da região ao lado de Pará de Minas, proporcionalmente Divinópolis aparece em situação menos grave do que outros municípios do Centro-Oeste mineiro.

Pará de Minas lidera o ranking regional com taxa de 19,6 homicídios por 100 mil habitantes. O município contabilizou 20 homicídios para uma população estimada em pouco mais de 102 mil moradores.

Na sequência aparece Nova Serrana, com taxa de 16,8 homicídios por 100 mil habitantes. A cidade registrou 17 homicídios oficiais e outros dois considerados ocultos pelo levantamento, chegando ao total estimado de 19 mortes violentas.

Itaúna ocupa a terceira posição regional, com 14 homicídios e taxa de 13,7 mortes para cada 100 mil habitantes.

Os dados chamam atenção porque mostram que municípios menores, proporcionalmente, enfrentam índices mais elevados de violência letal do que Divinópolis, considerada o principal polo urbano do Centro-Oeste mineiro.

Dados recentes 

Apesar do índice proporcional relativamente menor, os números mais recentes da violência em Divinópolis acendem sinal de alerta. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que o município encerrou 2025 com 46 homicídios consumados. Em 2026, somente nos primeiros meses do ano, a cidade já contabiliza 10 assassinatos.

Especialistas apontam que o Atlas da Violência trabalha com dados consolidados do ano-base de 2024, divulgados posteriormente após cruzamento e validação das informações nacionais. Por isso, os números atuais podem indicar mudanças no cenário regional para os próximos levantamentos.

Cenário brasileiro

Além dos homicídios, o Atlas da Violência também aponta transformações importantes na dinâmica da criminalidade brasileira.

Segundo o estudo, enquanto os roubos tradicionais vêm caindo nos últimos anos, crimes virtuais e estelionatos digitais cresceram de forma acelerada. O relatório destaca que o avanço das transações bancárias digitais ampliou a atuação de organizações criminosas no ambiente virtual, aumentando a sensação de insegurança da população mesmo em meio à redução dos homicídios.

Outro ponto destacado pelos pesquisadores é a expansão territorial do crime organizado para cidades do interior do país, além da diversificação das atividades criminosas, que passaram a atuar em setores econômicos legais, como combustíveis, ouro, cigarros, bebidas e crimes cibernéticos.

Minas Gerais

No cenário nacional, Minas Gerais aparece entre os estados com menores taxas de homicídios do país, ao lado de São Paulo e Santa Catarina. Na outra ponta, os estados mais violentos do Brasil são Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará.

Entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, a cidade mais violenta do país é Maranguape, no Ceará, com taxa estimada de 87,2 homicídios por 100 mil habitantes.

Lavras se destaca 

Se algumas cidades mineiras enfrentam crescimento da violência, outras se consolidam como referência nacional em segurança pública. É o caso de Lavras, no Sul de Minas.

Segundo o Atlas da Violência 2026, o município aparece como a quarta cidade menos violenta do Brasil entre cidades com mais de 100 mil habitantes. A taxa registrada foi de apenas 3,6 homicídios para cada 100 mil moradores.

Lavras também lidera o ranking estadual de segurança pública em Minas Gerais. O desempenho é atribuído a uma combinação de investimentos em iluminação pública, monitoramento urbano, revitalização de espaços públicos e ações integradas entre forças de segurança e poder público municipal.

Mesmo assim, autoridades locais já demonstram preocupação com os números mais recentes. Em apenas cinco meses de 2026, Lavras já registrou quatro mortes violentas, incluindo um feminicídio.

Foto: Divulgação / PMMG

Estudo indicou 42.590 homicídios em 2024 no Brasil, o menor índice da série histórica recente

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