Carregando clima…
Notícias

Divinópolis vive junho atípico com recorde de chuva e tempo instável

Por Bruno
Divinópolis vive junho atípico com recorde de chuva e tempo instável

Jonny Reisle

Depois de uma sequência de dias marcados pelo frio, pela chuva e até mesmo pela ocorrência de granizo em pleno mês de junho, os moradores de Divinópolis devem continuar convivendo com um cenário meteorológico incomum para esta época do ano. A previsão para os próximos dias indica temperaturas mais amenas durante as tardes, mas com manhãs ainda frias e presença frequente de neblina, fenômeno que tem sido observado em diversos pontos da cidade desde o início do mês.

Semana mais quente

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os termômetros devem oscilar entre 16°C e 25°C ao longo desta semana. Apesar da elevação gradual das temperaturas máximas em comparação aos dias mais frios registrados recentemente, o amanhecer continuará sendo marcado por sensação térmica reduzida, elevada umidade do ar e formação de nevoeiros, principalmente em áreas mais baixas e próximas a cursos d’água.

Nesta quarta-feira, 17, a tendência é de redução das instabilidades, com temperaturas variando entre 13°C e 26°C e predomínio de céu parcialmente nublado. Entre quinta-feira, 18, e sexta-feira, 19, os termômetros podem alcançar marcas próximas dos 25°C durante a tarde, mantendo madrugadas mais frias e condições favoráveis para a formação de neblina.

De volta ao frio

A mudança mais significativa, entretanto, pode ocorrer justamente no fim da semana. Modelos meteorológicos apontam a chegada de uma nova frente fria ao Sudeste brasileiro entre sexta-feira, 19, e sábado, 20, sistema que deverá influenciar o tempo em diversas regiões mineiras, incluindo o Centro-Oeste do estado. Embora não sejam esperados temporais generalizados para Divinópolis, o avanço dessa massa de ar poderá aumentar a nebulosidade, favorecer chuvas isoladas e provocar nova queda das temperaturas durante o próximo fim de semana.

O cenário chama atenção porque junho tradicionalmente marca o início da estação seca em Minas Gerais. Historicamente, o mês costuma apresentar baixos volumes de precipitação e um predomínio de massas de ar seco. Neste ano, porém, a realidade tem sido completamente diferente.

Chuva fora de época

Dados da estação meteorológica do Inmet instalada no Aeroporto Brigadeiro Cabral mostram que, até o dia 15 de junho, Divinópolis já havia acumulado 25,2 milímetros de chuva. O volume é o maior registrado para o mês desde o início da série histórica local, em 2018, superando com folga todos os anos anteriores.

Para efeito de comparação, em 2019, o acumulado foi de 15,8 milímetros. Em 2020, apenas 0,2 milímetro. Já em 2021 foram 17,8 milímetros. Em 2022 não houve registro de chuva. Em 2023, o acumulado foi de 6,4 milímetros, enquanto em 2024 foram apenas 0,8 milímetro e, em 2025, 6,8 milímetros. O resultado deste ano praticamente triplica a média observada nos últimos anos para o período.

Irregularidade climática

Outro dado que reforça o caráter excepcional de 2026 é o comportamento das chuvas ao longo de todo o primeiro semestre. Janeiro encerrou com 314,6 milímetros acumulados, fevereiro registrou 231,8 milímetros e março contabilizou 205 milímetros. Os três primeiros meses do ano apresentaram índices superiores aos padrões climatológicos, mantendo reservatórios, córregos e rios da região abastecidos mesmo após o encerramento oficial da estação chuvosa.

O comportamento da precipitação nos meses seguintes também chama atenção. Abril registrou apenas 7,6 milímetros, valor compatível com a transição para a estiagem. Em maio, entretanto, o acumulado voltou a subir para 23 milímetros. Agora, em apenas metade de junho, o volume já ultrapassou o registrado durante todo o mês anterior, evidenciando uma persistência incomum das instabilidades atmosféricas sobre a região.

Tempestade

O comportamento incomum da atmosfera já vinha sendo percebido desde o fim de maio. O mês de junho começou com registro de granizo em diversos bairros de Divinópolis justamente no dia do aniversário da cidade. Na semana passada, a passagem de uma frente fria voltou a provocar chuva e aumento da nebulosidade, situação pouco frequente para a época.

Meteorologistas explicam que o fenômeno está relacionado à atuação de áreas de baixa pressão atmosférica associadas à disponibilidade de umidade em níveis mais baixos da atmosfera. Ao mesmo tempo, correntes de vento em níveis médios favorecem a formação de nuvens e mantêm o ambiente propício para precipitações ocasionais e para a ocorrência de neblina durante as primeiras horas do dia.

Por que a neblina frequente?

A resposta está na combinação entre noites frias, alta umidade e ventos fracos. Após os episódios de chuva registrados nos últimos dias, o solo permanece mais úmido. Durante a madrugada, ocorre um resfriamento natural da superfície, fazendo com que o vapor d’água presente no ar se condense próximo ao solo. O resultado é a formação do nevoeiro, que reduz a visibilidade principalmente entre o amanhecer e o início da manhã.

Cuidado no trânsito

Motoristas que trafegam pelas rodovias da região, especialmente nos acessos a Divinópolis e em trechos próximos a áreas rurais, devem redobrar a atenção. Em determinados horários, a visibilidade pode cair significativamente, exigindo redução de velocidade e maior distância de segurança entre os veículos. O fenômeno também costuma impactar operações aeroportuárias e o deslocamento de trabalhadores nas primeiras horas do dia.

Neblina eleva frio

A presença constante de nuvens durante a madrugada e o início da manhã também contribui para uma sensação de frio mais intensa. Isso ocorre porque a elevada umidade aumenta a percepção térmica do organismo, fazendo com que temperaturas relativamente moderadas pareçam mais baixas do que realmente são. Por esse motivo, muitas pessoas têm relatado sensação de frio persistente mesmo em dias nos quais os termômetros ultrapassam os 20°C durante a tarde.

O fenômeno tende a ser mais intenso justamente nesta época do ano porque as noites são mais longas e favorecem a perda de calor. Além disso, a proximidade da chegada do inverno astronômico, que começa oficialmente na próxima semana, contribui para a ocorrência de madrugadas mais frias e maior contraste térmico entre os períodos da manhã e da tarde.

Inverno 

Apesar do frio registrado nos últimos dias, a tendência para a segunda quinzena de junho não é de uma onda de frio intensa e prolongada. O cenário predominante aponta para alternância entre períodos de temperaturas amenas, manhãs frias e passagens rápidas de sistemas meteorológicos capazes de provocar chuva fora do padrão climatológico para o mês.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…