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Divinópolis volta a registrar saldo negativo de empregos 

Divinópolis volta a registrar saldo negativo de empregos 

Jorge Guimarães 

Depois de se recuperar dos resultados negativos registrados nos meses de maio e junho, quando Divinópolis fechou, respectivamente, 206 e 26 vagas de empregos formais, o município voltou a apresentar desempenho abaixo do esperado em outubro. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados Caged (Caged), e acendem um novo sinal de alerta para o mercado de trabalho local. De acordo com os números, o município contabilizou 3.133 admissões ao longo do mês, enquanto 3.159 trabalhadores foram desligados de suas funções. O resultado dessa diferença foi um saldo negativo de 26 vagas.

Sensível a variações

Embora o segundo semestre tenha começado com uma reação mais consistente, impulsionada principalmente pelo comércio e pelos serviços, o mês de outubro interrompeu a trajetória de retomada. 

A oscilação ao longo do ano mostra como o mercado divinopolitano permanece sensível às variações do consumo, às pressões de custo sobre as empresas e ao ritmo mais lento de recuperação em algumas áreas. Especialista avalia que, apesar da proximidade das festas de fim de ano, período tradicionalmente aquecido por contratações temporárias, o comportamento do mercado em outubro demonstra cautela por parte dos empregadores.

— Ainda assim, a expectativa é de que novembro e dezembro tragam números mais positivos, impulsionados pela demanda sazonal. Enquanto isso, os dados de outubro reforçam a importância de acompanhar de perto as dinâmicas do mercado e de fortalecer políticas de incentivo e apoio às empresas e trabalhadores — avalia o economista Lazaro Ribeiro. 

Segmentos

Dentre os segmentos avaliados em outubro, o comércio foi o que apresentou a maior queda no saldo de empregos formais, com o fechamento de 30 vagas com carteira assinada. 

— O resultado reflete a desaceleração do setor no período, justamente quando muitas empresas começam a se preparar para o movimento de fim de ano—pontua Ribeiro.

Na sequência, o agronegócio também registrou desempenho negativo, com menos 17 postos de trabalho, seguido pela construção civil, que encerrou o mês com a perda de 11 vagas. 

— Esses números mostram que diferentes áreas da economia local enfrentaram dificuldades para manter o ritmo de contratações — observou o economista.

Os dados positivos ficaram por conta de dois setores: prestação de serviços e indústria. A área de serviços abriu 19 novas vagas, demonstrando maior estabilidade e capacidade de absorver mão de obra mesmo em um cenário de incertezas. Já a indústria encerrou o mês com saldo positivo de 13 vagas, reforçando sua relevância na sustentação do mercado de trabalho da cidade.

Para Lázaro Ribeiro, o cenário do mês reforça o comportamento oscilante do mercado de trabalho. 

— O que vemos é uma economia que ainda busca equilíbrio. A curva pode voltar a subir nos próximos meses, principalmente com o impacto das festas de fim de ano, mas é importante acompanhar de perto essa movimentação e entender os desafios de cada setor —  concluiu.

Centro – Oeste 

No Centro-Oeste, o desempenho do mercado de trabalho em outubro também ficou aquém do esperado pela classe trabalhadora. Entre as principais cidades da região, Itaúna voltou a registrar o pior resultado, com uma expressiva redução de 338 vagas formais. Mais uma vez, o setor da construção civil foi o principal responsável pelo recuo, encerrando o mês com o fechamento de 207 postos de trabalho, um número que evidencia a desaceleração contínua do segmento na cidade.

Em Nova Serrana, embora o saldo tenha sido positivo, com três novas vagas abertas, o resultado foi considerado o mais baixo registrado ao longo de 2025. 

— A cidade, que tradicionalmente apresenta desempenho mais robusto devido ao dinamismo do polo calçadista, mostrou sinais de retração no ritmo de contratações – avalia o economista.

Já em Pará de Minas, o saldo também foi negativo, com a perda de três vagas formais. O maior impacto veio do comércio, setor que eliminou 23 postos de trabalho no mês, refletindo dificuldades enfrentadas pelos comerciantes locais diante de um cenário econômico ainda instável.

— Os números reforçam que o mercado de trabalho na região Centro-Oeste continua oscilando, com cidades enfrentando desafios específicos em seus principais setores econômicos. A expectativa é que o movimento de fim de ano contribua para uma recuperação parcial, embora ainda insuficiente para reverter as perdas acumuladas em algumas localidades — opinou o especialista. 

Minas Gerais 

Os números de outubro também não foram favoráveis para o Estado, que encerrou o mês com uma redução de 4.802 empregos formais. O resultado interrompeu a sequência positiva que o estado vinha registrando ao longo do ano.

O agronegócio foi o principal responsável pela queda, com o fechamento de 5.693 vagas. O desempenho negativo do segmento, tradicionalmente um dos pilares da economia mineira, evidencia uma desaceleração que já vinha sendo observada nos meses anteriores.

Na sequência, a construção civil também apresentou forte recuo, com menos 3.400 vagas formais, seguido pela indústria, que encerrou outubro com saldo negativo de 712 postos de trabalho. 

Por outro lado, dois segmentos fecharam o mês em terreno positivo. O comércio registrou saldo de 2.744 novos empregos, impulsionado pela preparação para o fim de ano e por ações promocionais que antecedem datas comemorativas. A prestação de serviços também apresentou bom desempenho, com 2.263 novas vagas, mostrando resiliência e capacidade de absorver trabalhadores em um cenário econômico desafiador.

Brasil 

O Brasil, ao contrário, teve saldo positivo de 85 mil novos empregos formais, consolidando mais um avanço no mercado de trabalho neste ano. Com esse resultado, o país acumula 1,8 milhão de novos vínculos em 2025, demonstrando a continuidade do processo de recuperação econômica e geração de oportunidades. O grande destaque do período foi o setor de serviços, que registrou o expressivo número de 82.436 novas vagas apenas em outubro. 

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