Bandeira Vermelha patamar 2 é mantida em setembro

Jorge Guimarães
Depois de um agosto, quando cerca de 8 milhões de clientes da Cemig tiveram um abatimento na conta de energia, proveniente da receita excedente obtida com a comercialização da energia gerada pela Usina de Itaipu no mercado regulado ao longo de 2024, setembro chega com a notícia que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu manter a bandeira vermelha e, com isso, a conta de luz seguirá mais cara. A sinalização indica que os consumidores receberão as faturas com adicional de R$ 7,87 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
Justificativa
A Aneel informou em nota, que as atuais condições de afluência dos reservatórios das usinas, abaixo da média, não são favoráveis para a geração hidrelétrica. Em consequência, há necessidade de maior acionamento de usinas termelétricas, com elevados custos de geração, o que justifica a manutenção da bandeira vermelha patamar 2 para setembro.
Projeções
Com a previsão de reajuste médio de 6,3% nas contas em 2025, a agência sinaliza que a energia elétrica deve pesar ainda mais no orçamento dos brasileiros. O índice supera a inflação estimada pelo mercado financeiro, de 5,05%, o que gera preocupação entre consumidores e especialistas.
Para o economista Leandro Maia, o aumento acima da inflação tende a reduzir a renda disponível das famílias.
— A energia elétrica é um bem essencial, e sua alta não pode ser facilmente compensada com cortes em outros gastos. Isso significa menos poder de compra e um impacto direto no consumo, especialmente em setores como alimentação e serviços — avalia.
Maia ainda destaca os reflexos para o setor produtivo.
— As empresas, sobretudo, as de pequeno e médio porte, sentirão um aumento relevante em seus custos operacionais. Em muitos casos, essa despesa será repassada ao consumidor final, pressionando ainda mais os preços — afirma.
Para o economista, o cenário reforça a importância de programas de eficiência energética e do incentivo ao uso de fontes renováveis.
— A busca por alternativas como a energia solar tem crescido e pode ser uma saída para reduzir a dependência das tarifas tradicionais. O desafio está em ampliar o acesso a esses investimentos — diz.
Consumidores residenciais
A manutenção da bandeira representa um desafio significativo para os consumidores residenciais, pois implica em ajustes nos orçamentos familiares e demanda uma revisão cuidadosa dos gastos.
Na visão de Maia, um dos principais desafios enfrentados pelos consumidores residenciais é encontrar formas de lidar com os valores das contas de energia sem comprometer o equilíbrio financeiro do lar.
— Isso pode envolver a reorganização das despesas domésticas, identificando áreas onde é possível reduzir gastos para compensar na conta. Além disso, é importante considerar estratégias para o uso mais eficiente da energia, visando diminuir o consumo e, consequentemente, reduzir o impacto financeiro do tarifário — avalia.
Em resumo, conforme o profissional, às tarifa vão representar sempre um desafio para os consumidores, que precisam encontrar maneiras de ajustar seus orçamentos familiares e adotar estratégias para o uso mais eficiente da energia elétrica.
— Com planejamento e conscientização, é possível enfrentar esses desafios e minimizar o impacto financeiro dessa elevação nos custos de energia — pontua Leandro.
Comércio
A manutenção da bandeira tarifária em vigor não afeta apenas os consumidores residenciais, mas também traz reflexos significativos para o setor empresarial. Lojas, supermercados, restaurantes e outros estabelecimentos que dependem intensamente de energia elétrica terão um aumento expressivo em suas despesas, principalmente com a chegada das temperaturas mais altas, que exigem maior uso de refrigeração, ventilação e equipamentos de conservação.
O gerente do ramo supermercadista Robson de Oliveira, ressalta que os custos chegam em um momento delicado.
— A energia elétrica é um dos maiores gastos fixos do setor, e qualquer reajuste pesa no nosso caixa. Além da iluminação e dos sistemas de segurança, temos as câmaras frias, que não podem parar. Esse aumento impacta diretamente a margem de lucro — afirma.
O setor de alimentação também tem sido um dos mais impactados com os reajustes e as manutenções das tarifas de energia elétrica. Isso porque restaurantes, padarias e lanchonetes utilizam diariamente equipamentos de alto consumo, como fornos, freezers e exaustores, que não podem ser desligados em nenhum momento.
Diante desse cenário, empresários do ramo destacam a dificuldade em lidar com o aumento constante dos custos fixos.
— Nós trabalhamos com fornos, freezers e exaustores. Quando a tarifa se mantém ou sobe, fica impossível absorver todo esse custo sem tomar medidas cabíveis em relação à contenção dos gastos de energia — explica o sócio proprietário de um tradicional restaurante na cidade, Rolando Meneses.
Entre as estratégias adotadas estão a modernização dos equipamentos, revisão do tempo de funcionamento das máquinas, busca por contratos de energia mais vantajosos e, em alguns casos, até o investimento em energia solar.
— Cada real economizado na conta de luz pode ser reeinvestido em melhorias no atendimento e na qualidade do serviço — acrescenta.
No comércio de vestuário, os desafios também são sentidos. O lojista Guilherme Vasconcelos destaca que a energia elétrica vai além da iluminação.
— Mantemos ambientes climatizados, sistemas de monitoramento e vitrines iluminadas. Tudo isso consome bastante, ainda mais quando a tarifa se mantém na bandeira vermelha patamar 2 — afirma.
Já a empresária Patrícia Nogueira, que administra uma loja de utilidades, reforça que os custos com energia exigem criatividade na gestão.
— Nós não podemos simplesmente apagar luzes ou desligar equipamentos de segurança. Precisamos buscar alternativas, como lâmpadas de maior eficiência e ajustes no horário de funcionamento, para tentar equilibrar as contas — explica.
Para inúmeros setores do comércio, a preocupação é semelhante: conter custos sem prejudicar o atendimento e a competitividade.
— Nesse contexto, cresce o interesse por soluções de eficiência energética e alternativas como a energia solar, vistas como um caminho para reduzir a dependência das tarifas tradicionais — finaliza o economista.
Usinas
Em relação aos níveis das usinas no entorno de Divinópolis, a reportagem procurou a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) para saber como está a situação atual. A empresa, responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia elétrica em grande parte do estado, informou que acompanha de forma contínua os reservatórios e a produção de energia, para prevenir impactos no fornecimento e assegurar a confiabilidade do serviço para consumidores residenciais e empresariais.
— A Cemig opera duas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no rio Pará, que são as usinas de Cajuru e Gafanhoto. A PCH Cajuru possui um reservatório, de acumulação, enquanto a PCH Gafanhoto opera a fio d’água, ou seja, a vazão que entra é semelhante à vazão que sai, não possuindo um reservatório significativo para acumulação de água— explicou o departamento de comunicação.
Níveis
Portanto, a estatal informou, que em 02 de setembro, o armazenamento da PCH Cajuru iniciou o dia com um armazenamento de 85,33% do seu volume útil. Esse é o melhor nível de armazenamento desde o ano de 2009.
Mediante os números a empresa ressalta que tanto a captação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Carmo do Cajuru, quanto da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) de Divinópolis têm seu funcionamento garantido, mesmo em situações de vazão mínima na PCH Cajuru e nível baixo na PCH Gafanhoto.
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