Divinópolis é destaque nacional em saúde, mas recua no ranking de competitividade

Lucas Maciel
Divinópolis é a 8ª melhor cidade do país em acesso à saúde, segundo o Ranking de Competitividade dos Municípios 2025, divulgado no último dia 27 pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O resultado coloca a cidade em destaque em um dos pilares mais importantes para a qualidade de vida da população.
Mesmo com o desempenho positivo nesta área, a cidade registrou uma queda significativa no ranking geral, passando da 94ª posição em 2024 para a 146ª em 2025. Entre os pilares que mais influenciaram essa retração estão o capital humano e indicadores de educação, que apresentaram recuos consideráveis, compensando parcialmente os avanços em áreas estratégicas.
O levantamento considera apenas municípios com mais de 80 mil habitantes e avalia a capacidade das cidades de gerar bem-estar para a população. Ele analisa a gestão pública, o desempenho econômico e indicadores sociais, estruturando os dados em três dimensões principais: instituições, sociedade e economia.
O ranking utiliza 13 pilares temáticos e 65 indicadores específicos, permitindo uma análise detalhada e sistêmica do desempenho de cada município.
Oscilação no ranking
Divinópolis vive uma mistura de avanços e desafios com a divulgação do levantamento. Nos últimos anos, a cidade apresentou oscilações que revelam variações importantes no desempenho em diferentes pilares do ranking. Em 2021, ocupava a 101ª posição, caindo para 112ª em 2022, o que indicava uma leve retração no desempenho geral em relação a outros municípios do país.
A cidade voltou a melhorar em 2023, alcançando novamente a 101ª posição, e em 2024 registrou um avanço mais expressivo, chegando à 94ª colocação. No entanto, em 2025, registrou a pior posição dos últimos anos, caindo para 146ª colocação.
A queda reflete recuos em pilares estratégicos, como educação, capital humano e economia, que compensaram parcialmente avanços pontuais em saúde, meio ambiente e funcionamento da máquina pública.
Detalhamento
Mesmo com a queda geral, o município registra melhorias em áreas que impactam diretamente a vida da população. É o caso da saúde, onde a cidade aparece como a 8ª melhor do país em acesso aos serviços, subindo 40 posições em relação ao ano passado.
O dado mostra que os moradores têm mais disponibilidade de atendimento e serviços básicos. Por outro lado, a qualidade da saúde apresenta recuo expressivo, caindo 179 posições e ficando em 201º lugar.
A educação, outro pilar central para o desenvolvimento do município, também apresenta contrastes. O acesso à educação caiu para 345º lugar, enquanto a qualidade da educação se destacou e ficou em 32º. Ou seja, apesar de haver escolas e vagas disponíveis, a avaliação sobre aprendizado e desempenho mantém a cidade em posição intermediária.
Outros aspectos da vida social também registram variações: segurança aparece em 170º, saneamento em 232º, e o meio ambiente se destaca com uma melhora de 31 posições, chegando a 271º lugar.
Quando se observa a gestão pública, o funcionamento da máquina administrativa teve avanço de 9 posições, chegando a 116º, enquanto a sustentabilidade fiscal continua mais baixa, em 218º.
Já na economia, a cidade também combina avanços e recuos: inovação e dinamismo econômico subiram 4 posições, e telecomunicações ocupa 92º lugar, enquanto capital humano e inserção econômica registram queda, em 180º e 160º, respectivamente.
Explicação
A queda da cidade no Ranking de Competitividade dos Municípios 2025 chamou atenção de especialistas. O economista Lazaro Ribeiro destaca que os avanços em saúde e meio ambiente mostram que houve investimentos e ações contínuas nesses setores, beneficiando diretamente a população.
— Divinópolis está de parabéns por ter melhorado em alguns pilares importantes, como na saúde e nas questões ambientais. Isso é muito importante, mostra que tem feito um trabalho permanente para melhorar estes pilares aí do município — afirmou.
Ao mesmo tempo, ele ressalta que a queda no ranking geral reflete recuos em áreas essenciais para o desenvolvimento do município, como educação, capital humano e economia, pilares que impactam diretamente a competitividade e a capacidade de crescimento da cidade.
— Isso se deve, sobretudo, por Divinópolis ser uma cidade fundamentalmente operariada, apresentando uma renda per capita próxima de 34 mil reais ao ano e se apresentando como uma das menores entre as principais cidades aqui da região, como exemplo Nova Serrana, Pará de Minas, Itaúna — completou.
Ribeiro aponta que essa característica econômica coloca a cidade em desvantagem em comparação com outras regiões do país.
— Esta baixa renda per capita comparada com outros municípios acontece aqui na região, né, mas também pelo Brasil afora. Se observar a pesquisa, na maioria dos municípios onde a população é fundamentalmente socialista, a renda per capita é menor e a economia tem, portanto, um menor desempenho — disse.
Além disso, o especialista relaciona a queda de desempenho no ranking a fatores históricos que afetam a educação.
— Ao longo do tempo, essa renda per capita vem caindo e os índices de educação também vêm caindo. A educação é muito politizada e isso faz com que o nível vai permanentemente diminuindo e perdendo posição — finalizou.
Avaliação
Ao Agora, a Administração destacou que a queda de Divinópolis na classificação não representa, necessariamente, uma piora nos serviços. O prefeito Gleidson Azevedo (Novo) afirmou que a posição reflete principalmente o avanço de outros municípios no país.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável, Igor Cardoso, também comentou os dados e reforçou que a cidade mantém destaque em áreas estratégicas.
— Divinópolis tem pilares de excelência nacional, especialmente na saúde e qualidade da educação, mas o ranking geral caiu porque há gargalos em acesso à educação, sustentabilidade fiscal e ESG. Isso mostra onde a cidade precisa concentrar esforços para voltar a subir no próximo ciclo — comentou.
Estado
No panorama de Minas Gerais, Divinópolis apresenta resultados mistos em relação a outras cidades do estado. Três cidades do estado figuram entre as 50 mais competitivas do país no levantamento do Centro de Liderança Pública.
Belo Horizonte obteve a melhor performance, ocupando a 33ª posição, seguida de Itabira, na 35ª, e Itajubá, na 46ª. Na região metropolitana, Nova Lima se destacou no pilar de sustentabilidade fiscal, ficando em 6º lugar no país.
Outras cidades mineiras aparecem entre as 100 primeiras colocadas: Pouso Alegre figura em 53º lugar, Juiz de Fora em 58º, Lavras em 67º, Uberlândia em 77º e Ipatinga em 98º. Esse grupo demonstra desempenho equilibrado em diferentes pilares, com destaque para áreas como economia, infraestrutura e serviços básicos, refletindo a gestão eficiente e a capacidade de atração de investimentos.
No outro extremo, algumas cidades mineiras enfrentam desafios significativos. Sabará ocupa a 309ª posição, seguida por Alfenas (317º), Manhuaçu (326º), Esmeraldas (328º) e Ribeirão das Neves, na última posição entre os municípios mineiros, em 339º luga
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