Divinópolis registra aumento de emplacamentos em 2025

Jorge Guimarães
Depois de encerrar 2024 com resultados expressivos, alcançando um crescimento de 16% em relação a 2023, o setor automobilístico de Divinópolis mantém o fôlego em 2025. Dados divulgados pelo Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos de Minas Gerais (Sincovid-MG) apontam que, entre janeiro e agosto deste ano, o volume de emplacamentos passou de 2.601 em 2024 para 2.885 em 2025, o que representa uma alta de 10,9% no comparativo anual.
Julho
Entre os meses, julho se destacou como líder, com 440 veículos registrados, consolidando a confiança do consumidor e a força do setor. O desempenho reforça a relevância de Divinópolis como um polo regional de comércio automotivo, atraindo compradores não apenas do município, mas também de cidades vizinhas.
— Com estes números, o cenário demonstra que fatores como a estabilidade econômica, as facilidades de crédito e o perfil consumidor mais confiante têm sido determinantes para sustentar o crescimento, garantindo boas perspectivas para o fechamento do ano —analisa o economista Lazaro Ribeiro.
Março
Sobre março, que apresentou o menor número, 328, distribuídos entre 152 carros leves, seis caminhões, 135 motocicletas e 38 reboques, ele destaca que o comportamento não é isolado.
— Março costuma ser um mês de maior cautela. As famílias ainda estão organizando o orçamento, lidando com despesas típicas de início de ano, como Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e material escolar. Isso naturalmente impacta nas decisões de compra de veículos — explica.
Destaques
Sobre os emplacamentos, segundo dados do Sincovid, nos oito primeiros meses do ano, destaque para os 1.457 de carros leves, registrando um aumento de 13%, em relação a igual período do ano passado. Destaque também para as 977 motocicletas, 357 reboques e 94 caminhões.
Ribeiro também observa que o desempenho das motocicletas se mantém consistente ao longo dos meses, o que, segundo ele, reflete uma mudança de perfil do consumidor.
— A motocicleta vem sendo cada vez mais escolhida como alternativa econômica, seja para deslocamento ou atividade profissional, especialmente com o avanço dos serviços de entrega — pontua.
Frota
Segundo dados da Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte e Segurança Pública (Settrans), com fontes do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran), a frota na cidade é por volta de 169 mil veículos. Na quantidade não estão inseridos os veículos que a cidade recebe diariamente de outros municípios, com pessoas vindo realizar tratamentos médicos, para compras no comércio local ou mesmo aqueles que passam a trabalho, que são chamados de “flutuantes”. Essa quantidade, levando-se em conta o número de habitantes, 243.583, segundo o último levantamento, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), significa menos de duas pessoas por veículo adquirido.
— Estima-se que circulam pelas ruas da cidade cerca de 100 mil veículos por dia. E com condições de crescer ainda mais com o aumento das vendas de carros zeros e com a chegada das festas de fim de ano — disse a Settrans por meio de nota.
Impacto
O aumento nas vendas de carros zero pode ter um impacto significativo sobre as vendas de carros usados, criando efeitos variados dependendo de vários fatores econômicos e de mercado.
— Com o aumento da oferta de carros novos no mercado, a demanda por usados pode diminuir, o que pode levar à desvalorização desses veículos. Hoje os consumidores podem optar por adquirir um carro zero devido a condições de financiamento atraentes, maior garantia, e o desejo de aproveitar as novas tecnologias e eficiência energética que os modelos mais recentes oferecem — avalia o presidente do Sincovid, Mauro Pinto de Morais Filho.
Embora o aumento nas vendas dos zero possa exercer uma pressão sobre o mercado de carros usados, levando à desvalorização e maior oferta, o segmento de usados dificilmente desapareceria.
— A segmentação do mercado, as necessidades de diferentes perfis de consumidores e o foco em veículos semi-novos mantêm o setor relevante. Portanto, o mercado de carros usados tende a atender a consumidores com menor poder aquisitivo ou aqueles que buscam um veículo mais barato para o uso diário. Mesmo com o aumento nas vendas de carros zero, o mercado de usados pode se manter estável em determinadas faixas de preço — pontua o economista.
Boas vendas
Para o diretor e sócio proprietários das revendas de duas marcas conhecidas na cidade, Sérgio Soares Pereira, a procura e as vendas de carros zeros aumentaram em torno de 25%.
— A partir de maio, com o ápice no mês de julho, observamos um aumento significativo no fluxo de clientes nas concessionárias, com muitas vendas sendo concretizadas. Agora, aguardamos a chegada dos novos modelos de 2026, pois já temos fila de espera para alguns modelos das duas marcas — avaliou o empresário.
Outros setores
O recente aumento no número de emplacamentos de veículos não apenas aquece o setor automobilístico, mas também gera impactos positivos em diversos outros setores relacionados. Na visão de Pereira, esse crescimento reflete um maior dinamismo econômico, estimulando a produção industrial, o mercado de autopeças, o setor de serviços automotivos e até mesmo o mercado financeiro, por meio de financiamentos e seguros.
— É importante monitorar este crescimento ao longo do tempo para entender melhor suas causas e impactos a longo prazo na economia local — destacou o empresário.
Investimentos
Com mais de 169 mil veículos nas ruas, Lazaro Ribeiro alerta para a necessidade de investimentos constantes em infraestrutura viária, sinalização, modernização dos semáforos e, principalmente, em transporte público de qualidade, como forma de aliviar a pressão sobre o trânsito. Além disso, há um impacto direto na qualidade do ar, aumento de ruídos e no desgaste acelerado do asfalto em algumas vias mais movimentadas.
— As autoridades municipais, cientes dessa realidade, têm buscado alternativas, como projetos de melhoria na malha viária e reordenamento do trânsito. O grande desafio, no entanto, é equilibrar o desenvolvimento urbano com soluções inteligentes e sustentáveis que garantam fluidez, segurança e qualidade de vida para a população — finaliza o economista.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
