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Políticas de saúde da mulher ganha reforço em meio a desafios com violência de gênero

Políticas de saúde da mulher ganha reforço em meio a desafios com violência de gênero

Elian Ozéias

Passos significativos para o fortalecimento da saúde da mulher, com estratégias que visam garantir acolhimento, prevenção e inclusão social. Essa é  a Iniciativa recente da Prefeitura de Divinópolis que evidencia o compromisso, especialmente diante de um cenário alarmante de violência doméstica e feminicídio que ainda persiste na cidade.

Um dos principais avanços é a implementação da Linha de Cuidado Materno-Infantil, atualmente em fase de avaliação pelo Conselho Municipal de Saúde. Essa linha busca integrar ações de saúde voltadas a gestantes, mães e bebês, desde o pré-natal até o pós-parto, promovendo uma atenção contínua e humanizada.

Programa

A proposta prevê atendimentos multiprofissionais, acompanhamento psicológico, planejamento familiar, incentivo ao parto humanizado e cuidado com a primeira infância. O programa deve ser lançado oficialmente nas próximas semanas e simboliza uma resposta concreta às necessidades das mulheres em diferentes fases da maternidade.

Paralelamente, o município está implantando espaços de acolhimento para mulheres em situação de vulnerabilidade, sobretudo, aquelas expostas a violência doméstica e de gênero. Nesses locais, as mulheres terão acesso a suporte psicológico, orientação social e encaminhamento jurídico, possibilitando o rompimento de ciclos de violência e a reconstrução da autonomia.

A iniciativa contou com recursos de uma emenda parlamentar viabilizada pelo vereador Vitor Costa (PT), que tem atuado na interlocução entre o poder público e movimentos sociais.
Além da estrutura física, profissionais da saúde que atuam na rede pública passarão por capacitações específicas para oferecer um acolhimento mais sensível e qualificado. A formação inclui temas como violência obstétrica, escuta ativa, direitos reprodutivos e atendimento humanizado.

Violência em números

Apesar dos esforços, incluindo iniciativas, como “Meu Amar”, o cenário da violência contra a mulher em Divinópolis continua sendo motivo de grande preocupação. Entre janeiro e junho de 2025, a Polícia Civil registrou 918 ocorrências de violência doméstica na cidade, uma média de cinco casos por dia ou uma mulher agredida a cada cinco horas. O número representa um aumento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2024.

Desde 2019, a cidade contabiliza 16 vítimas de feminicídio, sendo 12 mortes consumadas e quatro tentativas. Só em 2025, foram dois feminicídios confirmados e sete tentativas, totalizando nove ocorrências graves em apenas oito meses.

O caso mais recente foi registrado na Comunidade do Buritis, na útima sexta-feira, 29, envolvendo Lorraine Reisla de Oliveira, de 30 anos, vítima de tentativa de femenicídio, e sua mãe Maria Gorete de Oliveira, de 56 anos, vítima de feminicídio. Lorraine segue internada em estado grave no CTI do Complexo São João de Deus e precisa urgentemente de doações de sangue. 

Quem puder ajudar, pode procurar a unidade da Fundação Hemominas, localizada na rua José Gabriel Medef, 221, bairro Padre Libério. O agendamento é feito pelo site do Governo de Minas ou pelo aplicativo MG App. O telefone da unidade é (37) 3216-6500.

Fim com alerta

O ataque a Lorraine e sua mãe ocorreu justamente ao fim do “Agosto Lilás”, campanha nacional que visa ampliar a conscientização sobre a violência doméstica e reforçar os mecanismos de proteção às vítimas, com base na Lei Maria da Penha. Durante o mês, Divinópolis realizou palestras, rodas de conversa e ações educativas em escolas, praças e unidades de saúde.

Apesar dos esforços, o encerramento do mês com um caso tão grave lança uma sombra sobre os avanços conquistados. 

Enquanto os dados revelam a urgência do problema, as novas estratégias de saúde pública apontam caminhos possíveis para transformar a realidade das mulheres em Divinópolis. Com ações integradas entre saúde, assistência social, segurança pública e educação. 

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