Divinopolitano caminha 400 km até Aparecida em jornada de fé e superação

Maria Eduarda Soares
Mais de 400 quilômetros percorridos a pé. Durante sete dias de estrada, entre dores, orações e aprendizados. O divinopolitano Renato Ferreira, gerente de relações institucionais do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), decidiu realizar um antigo sonho de chegar a Aparecida-SP a pé, sozinho, em agradecimento a uma promessa feita à Nossa Senhora Aparecida.
A romaria, que aconteceu entre os dias 06 e 12 de julho, foi marcada por intensidade e superação. Durante todo o trajeto, o romeiro percorreu trechos desafiadores, que o motivaram a concluir sua promessa.
Planejamento
A jornada até a famosa Basílica, repleta de espiritualidade e desafios físicos, começou a ser planejada há quase dois anos, realizando preparação física além dos cuidados com a saúde e o preparo espiritual para encarar tamanho desafio.
O divinopolitano afirma que a caminhada entrou nas dez melhores experiências de sua vida.
Uma promessa e um sonho antigo
O desejo de fazer a caminhada surgiu de uma promessa e do desejo pessoal de viver uma experiência de fé.
Mesmo sem companhia, Renato organizou toda a logística por conta própria, entre paradas para refeições, até os hotéis para se hospedar ao longo do trajeto e o ritmo de caminhada que variava de 14 a 16 horas por dia.
— A gente saía por volta das 5 da manhã e chegava aos hotéis entre 19h e 21h. Teve dias que andei à noite, para manter o cronograma e chegar em Aparecida no dia 12, como planejei— relembra.
Entre dores e encontros especiais
Durante o percurso, as dificuldades físicas foram inevitáveis.
— Os pés incharam, precisei tomar medicamentos para a dor, porque não é fácil. Mas o sentimento ao chegar em Aparecida compensa tudo. É algo divino, aumenta nossa espiritualidade— relata.
Renato destacou momentos marcantes, como a passagem por Cambuquira, onde quase pensou em desistir.
— Ali eu vi que se parasse, não conseguiria atingir meu objetivo. E também as pessoas que conheci no caminho foram especiais. Em Campo Belo, encontrei o Sr. João de Deus, que há anos faz romarias, e em Guaratinguetá participei de uma missa linda na Capela de São Pedro — conta, emocionado.
Outro encontro significativo aconteceu logo ao chegar à Basílica, por volta das 5h da manhã.
— A primeira pessoa que conversei foi o Zé Donizete, de Carmo do Cajuru, que estava com um especial de nossa região. Foi como se eu estivesse sendo recebido por alguém de casa. Uma verdadeira obra de Deus— contou
A chegada em Aparecida
Para o romeiro, chegar em Aparecida foi uma experiência transformadora. Ele relata o acolhimento das pessoas com a chegada dos romeiros no santuário.
— A energia da cidade e o acolhimento das pessoas com o mesmo objetivo é indescritível. É preciso sacrifício, sim, mas é uma dívida de muitos anos com Nossa Senhora que estou começando a pagar — relata.
Após a experiência, ele já pensa em voltar, desta vez com mais planejamento e paradas divididas em mais dias.
— Sete dias é puxado. Em alguns trechos andei até 40 quilômetros. Agora quero me preparar para outras romarias, inclusive fui convidado para participar com grupos de outros municípios— contou.
Uma caminhada de fé e história
Renato também destaca o valor histórico da experiência.
Durante o caminho, conheceu relatos sobre a origem da “Caminhada da Fé”, que teria começado em 1932, em Camanducaia (MG).
— Além da fé, conheci também a história de muitas cidades mineiras. É algo muito enriquecedor — pontua.
Dicas
A caminhada é um objetivo de muitas pessoas que desejam realizar a romaria até a cidade de Aparecida. Renato aconselha os futuros romeiros.
— É fundamental se preparar. Levar um bom bastão, tênis confortável, e nunca reutilizar as meias, para evitar feridas nos pés. Também recomendo levar medicamentos, principalmente para dores musculares. Eu tomava três por dia, de manhã, à tarde e à noite — reitera.
Renato conta um dos momentos mais difíceis do trajeto.
— A travessia da Serra da Mantiqueira, por exemplo, levou mais de seis horas. Foi difícil, mas tudo valeu a pena. Quem tiver a oportunidade, que faça. Mas se prepare bem. Porque é, com certeza, uma das melhores coisas que alguém pode viver — ressaltou.
Inspiração
A peregrinação de Renato Ferreira até Aparecida do Norte é um exemplo claro de como a fé continua sendo um forte motivador pessoal, capaz de impulsionar desafios extremos em busca de promessas e renovação espiritual.
Com planejamento, determinação e respeito aos próprios limites, ele concluiu uma jornada solitária, mas profundamente significativa. Em tempos de incerteza, histórias como a dele mostram que a devoção ainda move pessoas e constrói pontes entre o esforço humano e a busca pelo sagrado.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
