Dois religiosos do Centro-Oeste mineiro podem ser canonizados pelo Vaticano

Da Redação
O Vaticano reconheceu, nesta semana, o cônego Ananias de Paula Vieira e o padre José Erlei, dois religiosos da região Centro-Oeste de Minas Gerais, como “servos de Deus”. Este é o início de um longo processo, que pode levar à canonização de ambos como santos.
Ananias, que viveu em Oliveira, e José Erlei, de Candeias, receberam a honra do Papa Leão XIV. As solicitações foram aceitas pelo Vaticano com a emissão do nihil obstat, expressão em latim que significa “nada impede”. Ou seja, não há impedimentos para o prosseguimento de ambas as causas.
Processo
A carta com o comunicado chegou às paróquias do Santuário Nossa Senhora Aparecida, de Oliveira, e da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, de Carmópolis de Minas, no dia 1º de julho. Escrito em italiano e assinado pelo cardeal Marcello Semeraro, o documento foi enviado às igrejas responsáveis pelo processo junto ao Vaticano. O país confirmou que os dois religiosos foram aprovados no dia 21 de maio de 2025.
Na sequência, a Igreja aprofundará as investigações sobre a história de cada religioso, detalhando a vida e as virtudes de ambos. Ainda não há uma data definida para a finalização do processo, já que a análise é bastante criteriosa, incluindo o estudo de cada um dos milagres atribuídos a eles.
Cônego Ananias
O religioso nasceu na cidade de Iguatama, no ano de 1869. Foi ordenado padre em Mariana e atuou como vigário em Piumhi, antes de chegar a Oliveira, em 1912, onde assumiu a Paróquia de Nossa Senhora de Oliveira. Ananias faleceu aos 89 anos de idade, no dia 16 de julho de 1958. Nesta quarta-feira, completam-se 67 anos da morte do recém-intitulado “servo de Deus”.
Além de liderar a paróquia, o cônego foi professor no Colégio Pinheiro Campos, confessor no Colégio das Irmãs e capelão na Escola Normal, além de atuar com o mesmo cargo na Santa Casa de Misericórdia.
A cidade ainda recebe romarias, orações e homenagens a Ananias, com fiéis que visitam o túmulo do religioso até os dias atuais. Em 1960, ocorreu o milagre mais conhecido que lhe é atribuído. Na ocasião, uma silhueta semelhante à de Nossa Senhora de Lourdes teria aparecido na cabeceira da cama do cônego. A imagem atraiu muitos visitantes. Além desse caso, há inúmeros relatos de que Ananias curava pessoas e até conversava com animais.
José Erlei
O padre é natural de Campo Belo, nascido em 20 de julho de 1967. Ele foi criado na zona rural de Candeias, ordenado diácono em 1993 e, no ano seguinte, tornou-se sacerdote. José iniciou seu ministério na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Carmópolis de Minas. Lá, foi responsável pela criação de comunidades, pelo fortalecimento das pastorais e pela realização mais frequente de várias obras sociais.
No município, também atuou como reitor de seminário, diretor espiritual, assessor de pastorais e comunicador da Diocese de Oliveira. O padre faleceu em um acidente de carro, no dia 2 de novembro de 2001, com apenas 33 anos de idade. A tragédia causou grande comoção na cidade, transformando sua sepultura em local de peregrinação e ampliando sua popularidade após a morte.
Assim como Ananias, José tem muitos milagres atribuídos ao seu nome, como curas de doenças físicas. A morte do padre motivou fiéis a organizarem um memorial e a recolherem assinaturas em um abaixo-assinado solicitando a abertura do processo de beatificação.
Caminho até a santidade
No Vaticano, a avaliação de cada pedido é demorada, com duas sessões ordinárias por mês, nas quais são analisados três ou quatro casos em cada uma. Anualmente, a média é de 80 análises. Para que alguém seja declarado santo, é necessário passar pelas seguintes etapas: servo de Deus, venerável, beato e, finalmente, santo. O processo é dividido nas seguintes fases:
Reconhecimento local – Primeiramente, a investigação ocorre na diocese, com o reconhecimento da “fama de santidade e dos sinais” entre os fiéis. Após essa etapa, um pedido formal é enviado ao Vaticano, ressaltando e ratificando a importância do religioso para a comunidade.
Servo de Deus – Após a fase inicial, são reunidos testemunhos e documentos que ajudam a reconstruir a vida do religioso. Essa etapa inclui a coleta de escrituras, relatos e demais provas que contribuam para a concessão do título de “servo de Deus”.
Beatificação – Nesta etapa, é necessário que um milagre seja reconhecido. Geralmente, trata-se de uma cura duradoura e/ou instantânea, considerada cientificamente inexplicável. A autorização para a beatificação é dada diretamente pelo Papa. Após a proclamação, o beato é incluído no calendário litúrgico da diocese. Se o candidato sofreu perseguição, tortura ou foi morto por sua fé, causa ou ideal, pode ser considerado beato imediatamente.
Canonização – Para ser declarado santo, é preciso que um segundo milagre seja reconhecido, ocorrido após a beatificação. Com a confirmação, o religioso é oficialmente declarado santo, e sua devoção passa a ser reconhecida pela Igreja em todo o mundo. Cônego Ananias e padre José Erlei juntam-se ao padre Libério no rol de candidatos, cujo processo está em andamento desde 2012.
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