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Polícia

Dois feminicídios em MG chocam população e expõem histórico de violência doméstica

Em um dos casos, suspeito morreu em confronto com a Polícia Militar, enquanto o outro segue sendo procurado

Por Jonny Reisle · Redação· 4 min de leitura
Dois feminicídios em MG chocam população e expõem histórico de violência doméstica

Dois feminicídios registrados na segunda-feira, 19, em Minas Gerais chamaram a atenção para a violência contra a mulher e as consequências dos crimes cometidos no ambiente doméstico. Em Funilândia, na região de Sete Lagoas, uma mulher de 31 anos foi morta a tiros pelo companheiro, que publicou imagens do corpo nas redes sociais e morreu após trocar tiros com a Polícia Militar. 

Em Carmo da Mata, Rafaela Gonçalves Vaz dos Santos foi morta a golpes de arma branca dentro de casa, na presença dos três filhos. O ex-companheiro dela foi identificado como principal suspeito e era procurado pelas autoridades, conforme as informações divulgadas inicialmente.

Os dois casos evidenciam a gravidade da violência doméstica em ocorrências que chocam o estado em um curto espaço de tempo. 

Funilândia

Em Funilândia, a vítima foi identificada como Gersica de Souza Vieira, de 31 anos. Segundo informações da Polícia Militar divulgadas pelo portal g1, o principal suspeito é João Paulo Magela Teixeira, de 28 anos, companheiro da mulher. O crime ocorreu na zona rural do município, na segunda-feira.

A ocorrência chegou ao conhecimento das autoridades após uma pessoa receber imagens da vítima caída e com ferimentos na cabeça. O suspeito teria publicado um vídeo do corpo no status do WhatsApp e também enviado o conteúdo a outra pessoa, que acionou a polícia.

Quando os militares chegaram à propriedade, encontraram o homem saindo da residência onde estava o corpo de Gersica. De acordo com o registro policial, ele teria apontado uma arma longa e disparado contra a equipe. Os policiais revidaram, e o suspeito foi atingido durante o confronto. A morte dele foi constatada no local.

Gersica foi encontrada sem vida, com ferimentos provocados por disparos de arma de fogo. Conforme os levantamentos iniciais, ela também apresentava outras lesões pelo corpo. A perícia foi acionada, e armas e aparelhos celulares foram apreendidos para auxiliar na investigação.

Outro aspecto da ocorrência envolve o histórico de violência doméstica. Segundo a Polícia Militar, Gersica já era acompanhada pela Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica, e o suspeito possuía registros anteriores de agressões contra ela. A informação evidencia que a violência já fazia parte do contexto acompanhado pelas autoridades antes do desfecho fatal.

Na residência também estava a mãe da vítima, uma idosa com deficiência visual que dependia dos cuidados da filha. Ela dormia durante os acontecimentos e precisou ser acordada pelos policiais. A assistência social do município foi acionada para prestar apoio.

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Carmo da Mata

Na região, Rafaela Gonçalves Vaz dos Santos foi morta na manhã de segunda-feira, 19, por volta das 6h30, no Residencial Belo Horizonte, nas proximidades do Parque de Exposições, em Carmo da Mata. A mulher foi atingida por golpes de arma branca e encaminhada à Santa Casa de Misericórdia do município, mas chegou à unidade sem vida.

Segundo a Polícia Militar, o principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, identificado como Ualace Oliveira. Após o crime, ele deixou o local e passou a ser procurado pelas equipes policiais. Até a última atualização das informações consultadas para esta reportagem, não havia confirmação de sua localização.

Os levantamentos iniciais indicam que o homem teria ido à residência durante a madrugada, por volta de 1h, e tentado entrar no imóvel. Como o acesso teria sido negado, ele deixou o local. Aproximadamente cinco horas e meia depois, teria retornado à casa, quando ocorreram as agressões.

Uma testemunha relatou aos militares ter visto o suspeito deixar as proximidades da residência com uma faca. Os policiais também identificaram vestígios de sangue na via pública, em frente ao imóvel, o que levantou a possibilidade de que Rafaela tenha tentado sair para buscar ajuda. A dinâmica completa do crime ainda deverá ser esclarecida pela investigação.

Os três filhos do casal estavam na residência no momento do ataque. Conforme os relatos reunidos pela Polícia Militar, uma das crianças teria presenciado as agressões e tentado intervir para proteger a mãe. A exposição dos filhos à violência amplia os impactos da ocorrência e reforça a necessidade de acolhimento e acompanhamento especializado para crianças que testemunham crimes dessa natureza.

Informações preliminares divulgadas por veículos locais também mencionaram possíveis conflitos anteriores entre o casal e uma eventual medida protetiva. Esses relatos, contudo, dependem de cofirmação oficial e não devem ser tratados como fatos estabelecidos sem esclarecimento das autoridades.

Violência doméstica

Os dois casos reforçam a importância de reconhecer sinais de violência doméstica e garantir que denúncias recebam atenção adequada. Em Funilândia, a Polícia Militar informou que a vítima já era acompanhada pela patrulha especializada. Em Carmo da Mata, as circunstâncias que antecederam o crime, incluindo os acontecimentos durante a madrugada, integram os levantamentos policiais.

A violência contra a mulher pode envolver agressões físicas, ameaças, perseguição, controle e intimidação. A identificação desses comportamentos e o acesso aos serviços de proteção são fundamentais para que situações de risco sejam avaliadas e para que as vítimas recebam orientação.

Mulheres que sofrem violência ou pessoas que presenciam situações desse tipo podem buscar ajuda pelo telefone 190, em casos de emergência, e pelo Disque 180, a Central de Atendimento à Mulher, que oferece orientações e recebe denúncias. Também é possível procurar delegacias, serviços de assistência social e órgãos especializados da rede de proteção.

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