Em nove meses, Divinópolis supera números de anos anteriores em casos de estupro de vulnerável
De janeiro a setembro de 2026, foram 20 registros no município; três ocorrências tiveram motivação relacionada ao convívio familiar

Por trás de cada registro de violência sexual contra crianças, há uma história que exige atenção, acolhimento e proteção. Em Divinópolis, foram contabilizados 20 casos de estupro de vulnerável entre janeiro e setembro de 2026, número que já supera o total anual registrado em 2022, 2023 e 2025. Em três dessas ocorrências, a motivação esteve relacionada ao convívio familiar, em uma taxa no município que chega a 8,17 casos por 100 mil habitantes.
Prisão na mata
O tema ganha ainda mais relevância após a prisão em flagrante de um homem de 60 anos, no domingo, 18, suspeito de violência sexual contra uma criança de 10 anos em Carmo do Cajuru, município vizinho. Segundo a Polícia Militar, a criança teria relatado à família que o suspeito, companheiro de sua avó, tocou em seus seios sem consentimento.
O caso chama a atenção para a importância de acolher os relatos das vítimas e garantir que situações de violência sejam denunciadas e investigadas, inclusive quando envolvem pessoas próximas ao ambiente familiar.
A ocorrência foi registrada após os militares serem acionados para atender à denúncia. Depois do atendimento inicial, a equipe iniciou buscas pelo homem, que havia deixado o local. Ele foi encontrado escondido em uma área de vegetação nas proximidades de uma chácara, no bairro Ferrador.
O suspeito foi preso em flagrante, recebeu atendimento médico e, posteriormente, foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, em Divinópolis, para as providências legais. A criança também recebeu atendimento médico, e o Conselho Tutelar foi comunicado para acompanhar o caso.
Carmo do Cajuru
Em Carmo do Cajuru, foram contabilizados três casos de estupro de vulnerável entre janeiro e setembro de 2026. Ao longo de todo o ano de 2025, somente um caso foi registado no município. Dessa forma, a cidade já soma o triplo das ocorrências contabilizadas no ano anterior.
Embora os números absolutos sejam menores que os de Divinópolis, a evolução dos registros chama a atenção para a necessidade de acompanhamento dos casos e fortalecimento das medidas de proteção às crianças e aos adolescentes. Os dados, isoladamente, não permitem determinar se houve aumento efetivo da violência ou se a variação está relacionada, entre outros fatores, a mudanças no número de denúncias e na identificação das ocorrências.
Histórico de Divinópolis
O levantamento mostra oscilações no número de registros em Divinópolis ao longo da última década. Em 2016, foram contabilizados 31 casos. No ano seguinte, o total subiu para 54, antes de cair para 37 em 2018. Em 2019, o município alcançou o maior número da série histórica apresentada, com 71 ocorrências.
Em 2020, foram registrados 20 casos, enquanto 2021 fechou com 40. A partir de 2022, os números permaneceram abaixo do patamar atual: foram 12 registros naquele ano, 19 em 2023, 22 em 2024 e 16 em 2025. Entre janeiro e setembro de 2026, porém, o total chegou a 20 ocorrências.
O resultado parcial deste ano já supera os totais anuais de 2022, 2023 e 2025. Em relação a 2024, quando houve 22 registros, faltam apenas dois casos para que o município alcance o mesmo patamar, mesmo com três meses ainda fora do período contabilizado. A taxa de 8,17 ocorrências por 100 mil habitantes permite observar os registros em relação ao tamanho da população.
Ambiente familiar
A informação de que três dos casos registrados em Divinópolis em 2026 tiveram motivação relacionada ao convívio familiar também chama a atenção para a complexidade desse tipo de violência. Quando o suspeito faz parte do círculo de convivência da criança, a identificação e a denúncia podem ser dificultadas por vínculos de confiança, dependência ou proximidade com a família.
O ambiente familiar, que deveria representar proteção, pode se tornar um espaço de vulnerabilidade quando há violência. Por isso, a orientação de profissionais e órgãos de proteção é que relatos de crianças sejam acolhidos com seriedade, sem culpabilização da vítima, e encaminhados aos serviços responsáveis para apuração e acompanhamento.
O estupro de vulnerável é caracterizado pela legislação brasileira, entre outras situações, pela prática de ato sexual com menores de 14 anos. A lei não considera válido eventual consentimento da vítima nessa faixa etária. A responsabilização criminal depende da apuração dos fatos e da atuação das autoridades competentes.
Como denunciar
Suspeitas ou situações de violência contra crianças e adolescentes podem ser comunicadas ao Conselho Tutelar, às delegacias de polícia ou pelo Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
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