Empresários e consumidores demonstram otimismo cauteloso para a Black Friday

Jorge Guimarães
Faltando praticamente um mês para a Black Friday, marcada para o dia 28 de novembro, última sexta-feira do mês, o empresariado do comércio varejista já começa a se preparar para uma das datas mais aguardadas do ano. Tradicionalmente, o evento é visto como um termômetro para o desempenho das vendas de Natal, movimentando consumidores e lojistas em todo o país.
Estratégias e mercado
Com o aumento da confiança e o aquecimento gradual do mercado, muitos empresários têm apostado suas fichas na Black Friday como uma oportunidade de impulsionar o faturamento e renovar estoques. O período é marcado por estratégias de descontos agressivos, campanhas promocionais e reforço nas equipes de vendas, com o objetivo de atrair o consumidor cada vez mais atento e exigente.
— Além de movimentar as lojas físicas, a data também fortalece o comércio eletrônico, que vem conquistando um espaço expressivo nas compras de final de ano. O sucesso da Black Friday pode indicar o ritmo das vendas natalinas, funcionando como uma prévia do comportamento de consumo e da disposição do público em gastar — avalia o economista Lazaro Ribeiro.
Pesquisa
E para dar um parâmetro de como está se sentindo o empresariado, o Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG divulgou uma pesquisa, realizada entre os dias 15 e 24 de outubro, quando ouviu 413 empresas distribuídas em todas as regiões de planejamento do estado, que revela o clima de otimismo moderado entre os empresários mineiros. O levantamento mostra que a data é conhecida por 94,9% das empresas do comércio no estado, e 39,2% afirmaram que participarão das ações de vendas neste ano, um leve aumento em relação ao ano passado, quando 37,9% aderiram à campanha.
De acordo com Lázaro Ribeiro, a pesquisa reflete um cenário de retomada gradual da confiança no consumo, ainda que o empresariado mantenha certa cautela diante das condições econômicas do país.
— O varejo mineiro demonstra disposição em aproveitar a data como uma oportunidade de aquecer as vendas e preparar o terreno para o Natal. Esse pequeno avanço na participação das empresas já é um sinal de que os comerciantes estão enxergando a Black Friday como uma estratégia cada vez mais consolidada — avalia.
Black Friday X Natal
O levantamento mostra ainda que, na visão da maioria dos empresários do comércio varejista (63,3%), o período de promoções não interfere nas vendas de Natal, enquanto 22,9% acreditam em um impacto positivo, e 13,7% veem efeito negativo, principalmente por conta da antecipação das compras natalinas ou do esgotamento do orçamento dos consumidores após os descontos de novembro.
Para Ribeiro, esses números ajudam a entender o comportamento do mercado e servem como parâmetro para o sentimento do empresariado.
— A Black Friday se firmou como um importante termômetro da economia. Mesmo com divergências sobre seus efeitos no Natal, ela cumpre o papel de movimentar o comércio e testar o apetite do consumidor para o fim de ano — analisa o economista.
Divinópolis
Em Divinópolis, o clima não é diferente, a data traz grande expectativa no comércio. Empresários de diferentes segmentos e consumidores já se preparam para o período de promoções que, tradicionalmente, movimenta a economia e serve como termômetro para as vendas de Natal.
No setor de vestuário, a empresária Cláudia Moreira, proprietária de uma loja de moda feminina, acredita que este ano o movimento será mais intenso.
— O consumidor está mais atento e busca descontos reais. Estamos planejando promoções autênticas e uma vitrine atrativa, porque a data é uma excelente oportunidade para fidelizar clientes e girar o estoque antes das festas de fim de ano — comenta.
Já no ramo de eletroeletrônicos, o atendente, de uma grande loja de varejo, Ricardo Faria, aposta em uma estratégia digital.
— O público hoje pesquisa tudo online. Por isso, além das promoções nas nossas lojas físicas, a empresa investiu muito no site e nas redes sociais, com atendimento rápido e parcelamento facilitado. A Black Friday é uma chance de ampliar nossa marca e conquistar novos consumidores — ressalta.
Já no setor de cosméticos, a empresária Luciana Alves destaca o desafio de equilibrar margens e competitividade.
— O consumidor aprendeu a comparar preços. Precisamos oferecer descontos reais e um bom atendimento, porque o público quer sentir confiança para comprar. Mesmo com as margens apertadas, vale o esforço para impulsionar as vendas e começar o Natal com o caixa mais aquecido — afirma.
Consumidores
Entre os consumidores, a expectativa também é grande. A administradora Patrícia Duarte, conta que já começou a pesquisar preços.
— Ano passado encontrei boas oportunidades e economizei bastante. Este ano quero aproveitar para comprar eletrônicos e presentes de Natal antecipados, mas só se as promoções forem verdadeiras— diz.
O estudante Felipe Nunes compartilha da mesma opinião.
—A gente vê muita propaganda enganosa, então é importante ficar de olho. Mas é uma boa chance de comprar o que estava adiando, se o desconto valer a pena — fala.
Comportamento
Para Ribeiro, o comportamento tanto dos empresários quanto dos consumidores demonstra maturidade e aprendizado em relação à Black Friday.
—O mercado entendeu que a data não é apenas um dia de liquidação, mas uma estratégia de relacionamento e fortalecimento de marca. E o consumidor, mais informado, força o comércio a ser transparente, o que é positivo para o ambiente de negócios — analisa.
Ribeiro acrescenta que o cenário atual, de inflação controlada e leve retomada do consumo, tende a favorecer o desempenho das vendas.
— O empresário está otimista, mas cauteloso. Há uma expectativa de crescimento em relação ao ano passado, especialmente em setores como moda, eletrônicos, cosméticos e utilidades domésticas. Se o consumidor mantiver a confiança, a Black Friday deste ano pode ser uma das melhores dos últimos tempos para o varejo mineiro — conclui o economista.
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