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Polícia

Especialistas reforçam alerta aos pais sobre “Baleia Azul”

Por Redação Jornal Agora
Especialistas reforçam alerta aos pais sobre “Baleia Azul”

Rafael Camargos 
 
Os jogos virtuais são bastante comuns na vida dos adolescentes e jovens, mas recentemente, a tecnologia tem transcendido a tela do computador, tablet e smartphone e se esbarrado com a vida real, interferindo assim no modo de agir e pensar desses competidores. Prova disso é o jogo “Baleia Azul”. De origem Russa, o nome do game teria relação com o comportamento suicida de baleias, que em certas circunstâncias forçam o encalhe coletivo em praias. O jogo surgiu em 2015, quando uma jovem de 15 anos se atirou de um edifício por conta do jogo. Depois do aparecimento da primeira vítima, outras surgiram. Foi o caso de uma adolescente de 14 anos que se jogou nos trilhos de trem da cidade de Ussuriysk, litoral da Rússia. Após investigar, a polícia russa ligou os fatos a um grupo que participava de um desafio com 50 missões, sendo a última acabar com a própria vida. A partir daí, foram relatados cerca de 130 suicídios na Rússia até abril de 2016, quase todos atribuídos a integrantes do mesmo grupo na internet. Em 2017 o jogo chegou ao Brasil e no Estado já estão sendo investigados alguns casos. Dentre eles dois na Região Centro-Oeste: O primeiro em Pará de Minas e o segundo em Divinópolis. Os casos recentes apresentados, inclusive pela reportagem do Jornal Agora em outras edições disponíveis em nosso site foram registrados há cerca de uma semana.  

Diagnóstico  

De acordo com a psicóloga Erika Pontes, os pais devem ficar atentos com o comportamento dos jovens que se sujeitam a participar do jogo. Para ela, as demarcações no corpo são traços identificatórios. Traduzem as feridas emocionais, as dores afetivas, fisicamente materializadas, e que o indivíduo, não conseguindo vertê-las em outras direções, as inscreve no próprio corpo.  

— São ações destrutivas, invasivas, que expressam o pouco ou ausente investimento em si mesmo. O Self Cutting revela a dimensão do esvaziamento no qual o sujeito se encontra — explicou.                      

Ainda conforme explica a especialista, a atitude?carrega uma dimensão autopunitiva, expressando a presença de um intenso processo de culpabibilização pessoal.  

— Transtornos depressivos severos e intensos processos de ansiedade podem desencadear esse tipo de funcionamento sintomático — contou. 
A profissional explica que os pais devem atentos com alterações bruscas de humor, embotamento (fechamento), isolamento, transtornos de alimentação explosões de agressividade.  

— O Self Cutting estabelece na mutilação, o sacrifício de uma parte do corpo a fim de resguardar o restante. Se o processo não for interrompido o desencadeamento é o suicídio — finalizou. 

Registros 

A Polícia Civil de Divinópolis registrou na tarde de quarta-feira, 19, o primeiro caso relacionado ao jogo “Baleia Azul”. Uma diretora de escola descobriu que uma aluna de 13 anos se cortou como uma das etapas do jogo, cuja etapa final é o suicídio. 

A tia da adolescente procurou a delegacia para relatar que foi chamada à escola estadual em que sua sobrinha estuda. Ainda conforme o relato, a diretora do estabelecimento de ensino informou que a garota estaria participando do jogo. Contou, inclusive, que ela já havia se cortado no braço, como forma de cumprir um dos desafios propostos. 

De acordo com a titular da Delegacia de Mulheres e Menores, Maria Gorete Rios, os casos vêm sendo investigados. Mas ela ainda não pode afirmar a ligação entre a automutilação e o jogo.  

— O acolhimento das (vítimas) é demorado, será feito um tratamento de no mínimo quatro sessões, que dura quatro semanas. Inclusive, estamos investigando outra adolescente. Mas eu não posso afirmar que é por conta do jogo. Nem todo mundo que pratica a automutilação está ligado ao jogo. Tenho inúmeros casos aqui na delegacia, que são muito piores, automutilação pesada. É uma vulnerabilidade social. Essa vítima não tem uma história legal — explicou a delegada.  

Em Pará de Minas, a Polícia Civil apura ligação entre o suicídio de um jovem de 19 anos e o “Baleia Azul”. O corpo do rapaz foi encontrado pela namorada, de 16 anos. Antes de tirar a própria vida, ele deixou uma mensagem para a família e os amigos. 

O delegado Carlos Henrique Gomes Bueno informou que o celular do jovem passa, no momento, por uma perícia. Porém, destacou que já foi constatada a participação do rapaz em um grupo com mais de 100 pessoas em uma rede social. A maioria delas é de Minas Gerais. 

Primeira pessoa a depor na investigação, a mãe do jovem contou que sabia da participação dele no jogo e que havia pedido para que parasse. 

O delegado explicou que o comportamento do filho era considerado normal, mas começou a passar por alterações há cerca de 30 dias. De acordo com a mãe da vítima, o rapaz ficou arredio, calado e sem contato social. A Polícia Civil investiga os casos. 

Contrapartida  

Diferente do “Baleia Azul”, um novo jogo criado por publicitários vem chamando a atenção dos brasileiros. Chamado de “Baleia Rosa” o jogo segue a mesma linha do outro jogo, mas visa o bem estar das pessoas. O jogo disponível em site, o jogo tem 50 fases e em todas elas o participante deve fazer atividades para valorizar a auto-estima e a das outras pessoas. A fã Page criada este mês já tem mais de 214 mil curtidas e o número não para de crescer. A iniciativa foi abraçada pelos internautas. — Maravilhosa ideia!! No momento em que só há reportagens sobre o lado ruim, alguém pensou em fazer realmente a diferença!?Há um princípio cristão que diz: "Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem." Romanos 12.21. É bem verdade mesmo! O bem vencerá — disse a internauta.

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