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Polícia

Homem é condenado a mais de 14 anos de prisão por morte de dois jovens em acidente 

Seis anos depois, acusado foi a júri popular e saiu da audiência direto para o Presídio Floramar

Por Jornal Agora· 4 min de leitura
Homem é condenado a mais de 14 anos de prisão por morte de dois jovens em acidente 

Jonny Reisle

Seis anos após um dos acidentes de trânsito mais trágicos da década em Divinópolis, o motorista acusado de provocar a colisão que matou dois jovens na avenida Governador Magalhães Pinto foi condenado, nesta segunda-feira, 3, pelo Tribunal do Júri. 

A sessão, iniciada às 9h no Fórum da cidade, terminou com a pena de 14 anos e seis meses de prisão, em regime fechado. Após a leitura da sentença, o réu saiu da audiência escoltado para o Presídio Floramar. A defesa informou que irá recorrer.

Relembre

O acidente ocorreu na noite de 28 de junho de 2020, quando um automóvel e uma motocicleta bateram de frente na avenida Governador Magalhães Pinto. O motociclista Glaziano Ribeiro, de 20 anos, morreu no local. O garupa, Júlio Rodrigues, de 31 anos, chegou a ser socorrido pelo Samu e levado à Sala Vermelha do Hospital São João de Deus, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo a investigação, o motorista trafegava a 129 km/h em um trecho onde a velocidade permitida era de 40 km/h. Após invadir a contramão, atingiu a motocicleta. Com o impacto, o carro capotou e caiu em um barranco, enquanto a moto pegou fogo. A perícia confirmou a invasão da pista contrária. O condutor não apresentava sinais de embriaguez, mas recusou o teste do bafômetro.

Dor que atravessou seis anos

Desde o início da manhã, familiares das vítimas acompanharam o julgamento com cartazes e pedidos por justiça. Antes da sessão, a mãe de Glaziano, Sônia Maria, falou sobre a longa espera.

— Eu quero justiça. Quero sair daqui bem, porque seis anos que eu não estou bem. É um pedaço do meu coração que foi embora — disse.

Após a condenação, ela afirmou sentir alívio.

— Estou satisfeita, porque agora ele vai pagar pelo que fez. Meu filho não vai voltar mais, mas ele vai pagar. Estou mais tranquila agora — reforçou. 

A irmã de Glaziano, Gislane, também considerou a decisão justa.

— Podia ter sido um pouquinho mais, mas está ótimo. Não traz meu irmão de volta, mas ele vai estar num lugar que já tinha que estar há muito tempo — declarou. 

Luto que ultrapassa fronteiras

A família de Júlio Rodrigues deixou Divinópolis após a tragédia por não conseguir conviver com as lembranças do acidente. Antes do julgamento, a mãe da vítima enviou um vídeo aos jurados.

— Eu só queria poder ter um pouquinho de paz. Que a justiça seja feita, que esse homem seja condenado e pague pelo que fez — exclamou. 

Filho único, Júlio havia saído para buscar um tio no trabalho quando ocorreu o acidente. Após a sentença, amigos afirmaram que a condenação representa um alívio para todos.

— Mesmo não desfazendo o que aconteceu, é a única coisa que traz um certo alívio para a família. Graças a Deus ele vai pagar pelo que fez — pontuou. 

Espera por responsabilização

Os familiares afirmam que, durante os seis anos de tramitação do processo, conviveram com o luto e a demora da Justiça.

Para o promotor de Justiça Marcantoni, a decisão atendeu à tese apresentada pelo Ministério Público.

— Obtivemos um resultado que satisfez a pretensão do Ministério Público e, sobretudo, fez justiça às famílias que estavam enlutadas até hoje — afirmou. 

O promotor explicou que, embora as penas tenham sido fixadas para cada vítima, a legislação determina a aplicação da maior delas com acréscimo de um sexto, chegando aos 14 anos e seis meses.

Já o advogado Leandro Marcantoni informou que a defesa recorrerá, por entender que houve excesso na aplicação da qualificadora.

Trânsito continua fazendo vítimas

Embora o acidente tenha ocorrido em 2020, a imprudência no trânsito continua entre as principais causas de mortes e feridos em Divinópolis.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que 2025 registrou o maior número de acidentes da última década, com 5.191 ocorrências, além de 1.623 vítimas, entre mortos e feridos.

Em 2026, até junho, já foram contabilizados 2.564 acidentes, com 841 vítimas. Março foi o mês com maior número de registros (487), seguido por junho (452).

Cuidado

Os números reforçam a necessidade de respeitar os limites de velocidade, dirigir com atenção e cumprir as normas de trânsito. Excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas e distração seguem entre os principais fatores associados aos acidentes graves.

A condenação encerra um capítulo judicial iniciado há mais de seis anos, mas também reforça um alerta: em uma cidade que registra milhares de acidentes anualmente, atitudes imprudentes ao volante podem ter consequências irreversíveis.


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