Denúncias de assédio colocam saúde e segurança de servidores em cheque
Sintram apura dois casos em Cajuru; em Divinópolis, profissional de saúde foi ameaçada e unidade recebe grade de proteção

Duas denúncias de assédio envolvendo servidores municipais de Carmo do Cajuru estão sendo apuradas pelo Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis (Sintram). Os casos envolvem acusações de assédio sexual e moral e colocam em evidência situações que podem afetar as relações no ambiente profissional e a saúde mental dos trabalhadores.
Investigações
Uma das denúncias é de assédio sexual contra um superintendente. Segundo o sindicato, a apuração envolve mensagens que teriam sido enviadas pelo chefe de uma servidora, além de fotos impróprias, relatos e outros elementos apresentados pela denunciante. O sindicato acompanha o caso.
A segunda denúncia é de assédio moral e envolve o marido de uma mulher que registrou e divulgou vídeos relacionados ao alimento distribuído a crianças durante a celebração do 7 de Setembro. Conforme as informações apresentadas, a situação teria gerado desdobramentos no ambiente de trabalho e motivado a denúncia.
Os dois casos ainda estão em apuração. A Prefeitura de Carmo do Cajuru informou que não foi comunicada oficialmente sobre eventual registro de ocorrência, investigação ou procedimento instaurado perante a polícia, o Ministério Público ou o Poder Judiciário.
Segundo o Município, caso alguma medida tenha sido adotada pelas supostas vítimas, ela ainda não foi oficialmente encaminhada à Administração. Dessa forma, não há procedimento administrativo instaurado nem elementos que permitam à Prefeitura emitir uma conclusão sobre os fatos.
A Administração afirmou ainda que as chefias realizam reuniões e alinhamentos com as equipes para aprimorar os serviços públicos. Em nota, a Prefeitura declarou que não compactua com qualquer forma de assédio ou conduta inadequada e que eventual denúncia formal será recebida e encaminhada para apuração, com sigilo, imparcialidade e respeito ao devido processo legal.
Saúde mental
A discussão sobre assédio e relações profissionais também se relaciona à saúde mental dos trabalhadores. O tema foi abordado pelo psicólogo Paulo dos Prazeres durante uma roda de conversa da programação do “Setembro Amarelo”, com foco na relação entre saúde mental e trabalho, especialmente entre servidores públicos.
Para Paulo, o ritmo acelerado da sociedade atual é um dos fatores que contribuem para problemas como ansiedade, angústia e depressão.
— Um dos maiores problemas que temos hoje é que atravessamos uma época dominada pelo aceleramento, que é diferente do tempo antigo, onde trabalhávamos muito a velocidade e a rapidez. Hoje nós somos acelerados, precisamos responder muito rápido e tudo a tempo e a hora — afirmou.
O psicólogo também destacou as dificuldades enfrentadas pelas novas gerações, que ingressam no mercado de trabalho após crescerem em um ambiente marcado pelo fluxo constante de informações e pelo uso de tecnologias.
— Eles estão acostumados, sempre nesse banho da informação digital. Eles estão mergulhados nisso. E ali tem muita despersonalização — disse.
Como forma de enfrentamento, Paulo defende a valorização das relações humanas e da convivência.
— Vamos escutar o trem passar, os passarinhos cantarem. Tentar ouvir e entender o outro, e principalmente compreender que as saídas são coletivas e não individuais — afirmou.
Ameaça em Divinópolis
Em Divinópolis, outro episódio envolvendo uma servidora municipal levou a Prefeitura a adotar uma medida de segurança em uma unidade de saúde. Uma profissional de enfermagem do posto do bairro Candidés relatou ter sido alvo de ofensas e ameaças durante o trabalho.
Segundo o registro da ocorrência, uma paciente teria pegado um extintor de incêndio e ameaçado arremessá-lo contra a servidora. A situação foi contida antes da agressão física. A Polícia Militar (PM) foi acionada e registrou a ocorrência.
A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), manifestou repúdio ao episódio e afirmou que ameaças e agressões contra profissionais não serão toleradas.
— Os profissionais da saúde estão diariamente na linha de frente do atendimento à população e precisam encontrar condições adequadas e seguras para exercer suas funções. Garantir a integridade física e emocional das equipes também é fundamental para assegurar a continuidade e a qualidade dos serviços oferecidos aos usuários — destacou a diretora de Atenção Primária à Saúde, Simone Zanardi.
Após os episódios registrados na unidade, o Executivo Municipal instalou uma grade de proteção na recepção do posto do Candidés. A estrutura cria uma barreira entre os profissionais e o público e, segundo o Município, busca aumentar a segurança sem comprometer o atendimento.
A Administração informou também que a medida integra as providências preventivas adotadas após ocorrências de agressões e ameaças. Também orientou que reclamações ou insatisfações sobre os serviços de saúde sejam encaminhadas pelos canais oficiais.
Os episódios em Carmo do Cajuru e Divinópolis têm contextos distintos e ainda dependem de apuração. As situações, porém, colocam em debate as condições enfrentadas pelos servidores e a necessidade de ambientes de trabalho seguros, respeitosos e atentos à saúde mental.
Leia também
Mais recentes
Mulher teria matado marido, PM, com arma do sargento e cometido suicídio depois
Homem apontado como liderança de facção é preso após fuga e capotamento em Divinópolis
PF deflagra operação para investigar ameaças contra Lohanna França
Acusado de estuprar e matar estudante em Juatuba tem julgamento remarcado
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em setembro de 2026
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…







