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Foragido há quase um ano, 'Lázaro de Ermida' continua sendo procurado pela Polícia Militar 

Informação foi confirmada pela corporação durante reunião da Acasp; suspeito de feminicídio acumula denúncias de invasões e aparições na zona rural

Por Redação Jornal Agora · Redação· 5 min de leitura
Foragido há quase um ano, 'Lázaro de Ermida' continua sendo procurado pela Polícia Militar 

Lucas Maciel

Quase um ano após o feminicídio que chocou Divinópolis, a Polícia Militar informou que as buscas por Juares Marques dos Santos, conhecido como “Lázaro de Ermida”, continuam de forma permanente na zona rural de Santo Antônio dos Campos. A atualização foi feita durante a reunião itinerante da Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (Acasp), realizada na quarta-feira, 5, no salão paroquial da comunidade.

Segundo a corporação, as diligências permanecem concentradas na região de mata de Ermida e contam com apoio das denúncias encaminhadas pela população. A Polícia Militar reforçou que qualquer informação sobre o paradeiro do foragido pode contribuir para o avanço das investigações e da operação de captura.

Relembre

O caso se aproxima de um ano sem desfecho. Em 15 de agosto de 2025, Juares é acusado de agredir brutalmente a companheira, Lucélia Batista Silva, de 39 anos, na comunidade do Choro, zona rural de Divinópolis. A vítima sofreu um grave traumatismo cranioencefálico após ser atingida com um banco de madeira.

Na ocasião, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) encontraram Lucélia inconsciente e a encaminharam em estado gravíssimo ao Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD). Ela permaneceu internada por quase um mês, mas morreu em 9 de setembro em decorrência dos ferimentos.

Desde o dia da agressão, o suspeito fugiu e nunca mais foi localizado.

Inquérito

A Polícia Civil concluiu o inquérito no fim de setembro de 2025 e indiciou Juares Marques por feminicídio consumado. As investigações apontaram que o crime ocorreu após uma discussão entre o casal e representou o desfecho de uma longa sequência de violência doméstica.

De acordo com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o relacionamento era marcado por aproximadamente 15 anos de agressões contra Lucélia e também contra as três filhas do casal, que tinham 13, 11 e 8 anos na época.

—  Segundo relatos dos familiares, ela sempre sofreu violência doméstica, tanto ela quanto as filhas. Essa foi uma vítima que morreu em silêncio. Durante todos esses anos, ela nunca procurou a delegacia para denunciar o agressor — lamentou a delegada, à época.

No dia do crime, conforme apurado pela investigação, a filha mais nova chegou a correr até a casa de vizinhos para pedir socorro. Quando retornaram, encontraram a mãe caída na cozinha com graves ferimentos na cabeça.

A Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito ainda em setembro de 2025, mas, desde então, ele permanece foragido. Além do feminicídio, Juares possui antecedentes por tentativa de homicídio contra uma ex-companheira e por crimes de roubo.

Série de denúncias

Ao longo dos últimos meses, diversas denúncias mantiveram a mobilização das forças de segurança.

Moradores das comunidades do Choro, dos Lopes e de outras localidades rurais passaram a relatar furtos em propriedades, invasões de residências, danos materiais e a presença frequente do suspeito em áreas de mata. A sequência de ocorrências fez com que ele passasse a ser conhecido popularmente como "Lázaro de Ermida", em referência ao criminoso Lázaro Barbosa, procurado durante semanas em Goiás, em 2021.

Em novembro do ano passado, moradores relataram ao Agora que viviam sob constante medo, principalmente durante a noite. Também houve registros de barracos improvisados encontrados em áreas de mata e suspeitas de que o foragido estaria recebendo apoio para permanecer escondido.

Na época, a Polícia Militar informou que havia indícios de favorecimento por terceiros e alertou que ajudar um foragido da Justiça configura crime.

Em janeiro deste ano, novas denúncias indicaram invasões a residências e furtos de alimentos na zona rural. A Polícia Militar chegou a investigar a possibilidade de que Juares tivesse deixado Minas Gerais em direção ao Espírito Santo, mas as buscas continuaram.

Mais recentemente, há cerca de duas semanas, uma mulher de 24 anos denunciou ter sido vítima de importunação sexual enquanto aguardava o ônibus escolar na comunidade da Jararaca. Segundo a vítima, o autor seria o homem conhecido como "Lázaro de Ermida". Ela conseguiu escapar e acionar a polícia. Novas buscas foram realizadas, mas o suspeito não foi encontrado.

Segurança em debate

A atualização sobre as buscas ocorreu durante a reunião itinerante promovida pela Acasp em Santo Antônio dos Campos. O encontro reuniu representantes das forças de segurança, órgãos públicos e moradores para discutir problemas relacionados à segurança pública e à mobilidade urbana.

Além do caso do foragido, um dos principais temas debatidos foi o trânsito em Divinópolis. Durante a reunião, foram apresentadas preocupações sobre a falta de acostamento na rodovia de acesso a Ermida, cruzamentos considerados perigosos na área central da cidade e a realização de manobras arriscadas com motocicletas, especialmente na região do bairro Jardim Primavera.

O debate ocorre em um momento de crescimento dos acidentes no município. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), consultados pelo Agora, mostram que Divinópolis registrou 2.564 sinistros de trânsito entre janeiro e junho deste ano, número superior aos 2.491 contabilizados no mesmo período de 2025. No semestre, nove pessoas morreram em acidentes registrados na cidade.

Representantes da Secretaria Municipal de Trânsito (Settrans), da Polícia Civil e da Polícia Militar informaram que operações de fiscalização e estudos para melhorias viárias continuarão sendo realizados.

Outros temas

A reunião também abordou outros temas ligados à segurança pública. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) alertou para o crescimento do golpe do falso advogado e informou que prepara uma cartilha educativa em parceria com os órgãos de segurança. O Corpo de Bombeiros apresentou mudanças na fiscalização do Auto de Vistoria (AVCB), enquanto a Polícia Penal trouxe informações sobre a ampliação da unidade prisional de Divinópolis.

Ao final do encontro, a Acasp reafirmou que pretende ampliar o modelo de reuniões itinerantes para outras regiões do município, aproximando moradores das forças de segurança e permitindo que demandas locais sejam discutidas diretamente com os órgãos responsáveis.


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