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Polícia

Minas Gerais lidera o ranking de taxas de desaparecimentos 

Estado teve um crescimento expressivo com 9.123 registros, representando um aumento de 30,5% na comparação com o ano anterior

Por Jornal Agora· 3 min de leitura
Minas Gerais lidera o ranking de taxas de desaparecimentos 

Ana Luisa Freitas

Minas Gerais, com 9.123 CASOS, Maranhão e Piauí são respectivamente os estados que apresentaram maior crescimento no número de registros de pessoas desaparecidas entre 2024 e 2025, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026.  E Divinópolis faz parte desta estatística mineira, 2026 já registra 85 registros. 

Já no Brasil, em 2025, foram contabilizados 84.269 desaparecimentos, aumento de 3,6% em relação aos 81.040 casos de 2024, correspondendo a uma taxa de 39,5 desaparecimentos por 100 mil habitantes. Por outro lado, 61.305 pessoas localizadas. 

Após a pandemia

Segundo o levantamento, os registros apresentaram queda significativa entre 2019 e 2020. No entanto, os dados mais recentes do anuário apontam uma reversão desse cenário, com crescimento contínuo das ocorrências e uma taxa próxima de 40 casos por 100 mil habitantes em 2025. 

Os dados mostram que, depois da queda registrada entre 2019 e 2020, influenciada pelas restrições da pandemia e por alterações na dinâmica dos registros, os casos de desaparecimento retomaram a tendência de crescimento em 2021 e seguiram em alta até 2025. 

Perfil dos desaparecidos

Os indicadores apontam que a maioria dos desaparecidos é do sexo masculino, correspondendo a 64,9% dos casos, e que a maior parcela das ocorrências se concentra na faixa etária adulta, entre 18 e 59 anos, atingindo 64,4% do total.

Minas Gerais

Em Minas Gerais, o crescimento foi ainda mais expressivo: 9.123 registros, contra 6.970 no ano anterior, representando um aumento de 30,5%. O Estado lidera o ranking com 30,5%, seguido do Maranhão com 29,8% e Piauí com 20,5%.

Embora não seja possível estabelecer uma relação direta, Maranhão e Piauí, estados apontados no estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025 como áreas de intensa disputa territorial pelo controle do tráfico de drogas, registraram aumentos expressivos de 29,8% e 20,5%, respectivamente, embora ainda mantenham taxas inferiores à média nacional. Já Minas Gerais apresentou um crescimento ainda mais preocupante, de 30,5%, mesmo sem o histórico de conflitos ligados à disputa entre facções criminosas pelo controle do território. 

O crescimento dos registros de pessoas desaparecidas exige uma análise cuidadosa, já que nem todos os casos estão relacionados à criminalidade. A legislação brasileira considera desaparecida toda pessoa cujo paradeiro seja desconhecido até sua localização, reunindo em uma mesma estatística ocorrências de diferentes naturezas.

Segundo o promotor de Justiça Cláudio Barros, os dados abrangem desde desaparecimentos voluntários até situações ligadas à violência. 

— A estatística engloba situações muito distintas, como desaparecimentos voluntários, conflitos familiares, transtornos mentais, violência doméstica, dependência química, exploração sexual, tráfico de pessoas, acidentes e homicídios cujos corpos jamais foram encontrados — explica.

Divinópolis

Em Divinópolis, o número de pessoas desaparecidas também segue em alta. Entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 85 ocorrências, um aumento de 25% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 68 registros.

Março concentrou o maior número de casos em 2026, com 22 ocorrências. Na sequência aparecem maio, com 13 desaparecimentos; fevereiro e junho, com 11 cada; janeiro, com 10; de abril e julho, ambos com nove registros.

Os dados mostram ainda que a faixa etária mais atingida continua sendo a de adolescentes entre 12 e 17 anos. Além disso, a maioria dos desaparecidos é do sexo masculino, que representa 63,53% das ocorrências neste ano.

No mesmo período de 2025, o maior número de desaparecimentos foi registrado em junho, com 16 casos. Assim como em 2026, os adolescentes de 12 a 17 anos concentraram a maior parte das ocorrências, enquanto os homens representaram 60,29% dos registros, mantendo o mesmo perfil observado neste ano.

Alerta

Nesse contexto, o aumento dos registros de pessoas desaparecidas no Brasil, conforme as autoridades,  não pode ser interpretado apenas como a continuidade de uma tendência estatística. Os números, segundo o Anuário, também evidenciam fragilidades nos sistemas de registro e limitações da legislação, que ainda não contempla de forma adequada às diferentes circunstâncias que envolvem um desaparecimento. 

— Compreender o impacto de cada um desses fatores é um dos principais desafios para a produção e análise de dados, além de ser essencial para a formulação de políticas públicas e protocolos de enfrentamento mais eficazes — sintetiza o Ministério Público em matéria publicada sobre o assunto. 



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