Esperança de vida dos brasileiros aumentou para 75,5 anos

Flávio Flora
A média de vida da população brasileira está em 75,5 anos (75 anos, 5 meses e 26 dias), segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto publicava as Tábuas Completas de Mortalidade para o Brasil, já disponíveis na via digital. Um ano antes, essa expectativa era 3 meses e 14 dias menor, ou seja, de 75,2 anos. O aumento, embora pequeno, mantém a tendência de crescimento da taxa por anos consecutivos.
A expectativa de vida ao nascer, em Divinópolis, segundo a última edição do Atlas Decenal Brasil do Índice Desenvolvimento Humano (IBGE 2010), subiu de 70,9 anos (em 1991) para 74,6 (em 2001), estando hoje em 76,3, superior à média nacional e pouco abaixo da estadual.
Tábua da Moralidade
Os dados do IBGE, divulgados ontem, apresentam as expectativas de vida em idades exatas até os 80 anos, incluindo informações por sexo e localidades. A Tábua de Mortalidade é usada como um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social. O aumento do índice significa ainda que o brasileiro deverá ter que trabalhar mais para manter valor do benefício, já que o sistema depende das contribuições de quem está na ativa para bancar quem saiu do mercado.
Este item é um importante indicador social que serve para avaliar a qualidade de vida de uma população de um determinado lugar. Vários fatores contribuíram com essa ascensão, destacando-se o relativo crescimento econômico do país, o acesso à água tratada e ao saneamento básico e opções de consumo, entre outros.
Realidades diferentes
Mesmo com o aumento nos índices desse indicador social, o Brasil ainda se encontra abaixo da realidade de muitos países desenvolvidos. Na análise dos dados, o percentual médio do Brasil não reflete totalmente a realidade, pois camufla muitas das particularidades regionais. Por isso, os percentuais de expectativa de vida encontrados em cada região e Estado são diferentes.
A mais alta longevidade é observada no Sul do Brasil, Santa Catarina, onde a expectativa de vida chega aos 78,7 anos, em média – mulheres têm esperança de vida de 81,4 anos e homens de 74,7. Em seguida, estão os Estados do Espírito Santo (77,9), Distrito Federal e São Paulo(77,8) e Rio Grande do Sul (77,5). Minas Gerais alcançou a média de 77,0 anos, a sexta maior, superando a média nacional, que é de 75,5. Na última colocação está o Maranhão, com 70,3 anos. (V. Gráfico)
Envelhecimento populacional
A taxa de fecundidade do país caiu de 6,16 filhos por mulher para apenas 1,57 filhos em pouco mais de sete décadas – de 1940 para 2014. Em contrapartida, a expectativa de vida da população aumentou 41,7 anos em pouco mais de um século. Em 1900, a expectativa de vida era de 33,7 anos, dando um salto significativo em pouco mais de 11 décadas, atingindo 75,5 anos em 2015.
O livro “Brasil: uma visão geográfica e ambiental do início do século XXI, publicado pelo IBGE, este ano, disseca as alterações ocorridas no território brasileiro como resultado das transformações econômicas, demográficas, políticas e ambientais . Traça um breve histórico do processo demográfico, onde faz uma reflexão tanto sobre a transição da fecundidade no país nas últimas décadas quanto sobre a evolução das taxas de mortalidade e de expectativa de vida no período.
Na avaliação do IBGE, essa “radical transformação do padrão demográfico corresponde a uma das mais importantes modificações estruturais verificadas na sociedade brasileira, com reduções na taxa de crescimento populacional (de 2,01% entre 1872 e 1890 para 1,17% entre 2000 e 2010) e alterações na estrutura etária, com crescimento mais lento no número de crianças e adolescentes (cujo percentual era de 42,6% em 1940, devendo chegar a 14,1% em 2050), paralelamente a um aumento da população em idade ativa e de pessoas idosas (4,1% em 1940, com projeção de 29,4% para 2050).”
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