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‘Estava com medo de falar e sofrer represálias’: vítima de ataque de pitbull afirma que o animal era da família

Declaração retifica o relato inicial, feito logo após o ataque, quando ela havia informado que o animal estava solto pelo bairro

Por Jornal Agora· 4 min de leitura
‘Estava com medo de falar e sofrer represálias’: vítima de ataque de pitbull afirma que o animal era da família

A mulher de 38 anos que foi atacada por um pitbull junto com o filho de 17 anos, no bairro Paraíso, em Divinópolis, no último domingo, 26, afirmou ao Agora que o cachorro pertencia à família. A declaração retifica o relato inicial, feito logo após o ataque, quando ela havia informado que o animal estava solto pelo bairro.

Segundo a vítima, ela não revelou a informação anteriormente porque estava abalada e tinha receio das consequências.

— Estava com medo de falar e sofrer represálias — afirmou.

A mulher também relatou que decidiu pedir que o animal fosse morto durante o ataque, pois, segundo ela, o pitbull não soltava as vítimas.

— Quem mandou dar um fim na vida dele fui eu. Eu pedi para as pessoas que tiraram ele de cima de mim — disse.

Na versão apresentada inicialmente ao Agora, a mulher havia informado que o cachorro estava solto no bairro e atacou primeiro o filho. Agora, ela afirma que o pitbull era da família e que não contou essa informação no primeiro momento por medo e pelo estado emocional após o ocorrido.

Entenda o caso completo

Uma mulher de 38 anos e o filho dela, de 17, foram atacados por um pitbull no bairro Paraíso, em Divinópolis, neste domingo. Segundo o primeiro relato da vítima, o animal estava solto pelo bairro e atacou primeiro o adolescente. Ao tentar defender o filho, a mulher também foi mordida. O Samu prestou os primeiros socorros e encaminhou os dois para a UPA Padre Roberto Cordeiro.

De acordo com a mulher, ela caminhava com o filho quando o cachorro apareceu e iniciou o ataque. Ela afirmou que moradores conseguiram intervir após ouvirem os pedidos de socorro. Segundo o relato, pessoas que passavam pelo local se juntaram e conseguiram retirar o animal de cima das vítimas.

A mulher informou que sofreu diversas mordidas e arranhões pelo corpo e levou pontos na perna. Já o filho, que, segundo ela, está recém-operado, sofreu ferimentos nos dois braços.

Após o atendimento na UPA, a vítima afirmou que ficou insatisfeita com a assistência recebida. Segundo o relato, ela reclamou que não foram realizados exames de imagem, apesar de sentir dores na região das costelas, e que nem ela nem o filho receberam vacina antirrábica durante o atendimento. Ela também disse que os ferimentos nas mãos não foram devidamente avaliados e que ambos receberam apenas prescrição de medicamentos.

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto Cordeiro, em Divinópolis, enviou uma nota ao Agora neste domingo, 26, para esclarecer o atendimento prestado à mulher e ao filho atacados por um pitbull no bairro Paraíso. A manifestação foi encaminhada após a paciente relatar à reportagem falhas na assistência recebida. Segundo a unidade, diante dos questionamentos apresentados, a direção entrou em contato com a mulher e providenciou o retorno de ambos à UPA para uma reavaliação médica. Após a nova avaliação, foi realizada a aplicação da vacina antirrábica, conforme indicação médica.

Na nota, a UPA afirma que, durante o primeiro atendimento, foram ofertados à paciente e ao filho todos os cuidados considerados necessários pela equipe médica e multiprofissional, em conformidade com os protocolos assistenciais vigentes. A unidade também informou que a mulher recebeu acompanhamento contínuo durante sua permanência no local, teve acesso a banho nas dependências da UPA e que a criança recebeu curativos e os demais cuidados indicados pela equipe de saúde.

A instituição destacou ainda que a indicação da profilaxia antirrábica, incluindo vacina e, quando necessária, a aplicação do soro antirrábico, é definida pelo médico responsável após avaliação clínica individualizada, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde.

Confira a nota completa enviada ao Agora:

Em relação aos questionamentos sobre o atendimento prestado pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a Instituição esclarece que foram ofertados à paciente e ao seu filho todos os cuidados necessários, conforme avaliação da equipe médica e multiprofissional, em conformidade com os protocolos assistenciais vigentes.

Durante sua permanência na Unidade, a paciente recebeu atendimento integral, com acompanhamento contínuo da equipe assistencial ao longo de todo o processo de cuidado. Como medida de suporte ao atendimento, foi disponibilizado banho nas dependências da UPA. O filho da paciente também recebeu os curativos e demais cuidados indicados pela equipe de saúde, de acordo com a avaliação clínica e a necessidade assistencial identificada.

No primeiro atendimento, a conduta médica foi definida com base na avaliação clínica realizada naquele momento e em conformidade com os protocolos técnicos vigentes. Posteriormente, diante dos questionamentos apresentados, a Direção da Unidade entrou em contato com a paciente e providenciou seu retorno à UPA para uma reavaliação médica, oportunidade em que todo o atendimento foi revisado, reafirmando o compromisso institucional com a segurança do paciente, a qualidade assistencial e o acompanhamento contínuo dos casos atendidos.

A indicação de profilaxia antirrábica, incluindo a administração de vacina e, quando indicada, de soro antirrábico, constitui conduta técnica de competência do médico responsável, sendo definida após avaliação clínica individualizada. Essa decisão observa rigorosamente os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, considerando o tipo de exposição, as características do animal envolvido, a gravidade da lesão e os critérios epidemiológicos aplicáveis. As condutas adotadas seguiram integralmente essas diretrizes técnicas.

A Instituição reafirma seu compromisso com a prestação de assistência humanizada, ética, segura e baseada em evidências, mantendo seus processos assistenciais alinhados aos protocolos vigentes e permanecendo à disposição para prestar os esclarecimentos que se fizerem necessários.

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