Exposição em homenagem a Adélia Prado alcança mil visitantes em Divinópolis

Lucas Maciel
Em menos de três meses aberta ao público, a exposição “Adélia Prado – Filha de Divinópolis” já levou mil pessoas ao Museu Histórico da cidade, transformando o espaço em ponto de encontro entre leitores, admiradores e moradores que querem revisitar a trajetória da escritora que completou 90 anos em dezembro. A marca foi registrada nesta segunda-feira, 9.
A mostra foi inaugurada no dia 13 de dezembro, data de aniversário da autora, e integra a programação cultural organizada para celebrar as nove décadas de vida de uma das principais vozes da literatura brasileira.
Exposição
Instalada na Praça Dom Cristiano, nº 328, no Centro, a exposição reúne documentos, fotografias, manuscritos, edições raras e objetos pessoais que percorrem diferentes fases da vida e da obra de Adélia. O acervo evidencia a relação da poetisa com Divinópolis — cidade que aparece como cenário, memória e inspiração em sua produção literária.
A proposta é oferecer ao público um panorama da trajetória da escritora, cuja obra é marcada pela espiritualidade, pelo cotidiano e pela experiência feminina. A mostra permanece aberta até meados de março e ficará disponível por 90 dias, em referência à idade comemorada.
Segundo o coordenador de Memória e Patrimônio da Secretaria Municipal de Cultura, Faber Clayton, a procura do público tem sido constante desde a abertura.
— É uma exposição rica em história, sensibilidade e significado para a cultura de Divinópolis, e o público tem comparecido de forma muito positiva, demonstrando grande interesse e orgulho pela trajetória de Adélia Prado — afirmou.
Reconhecimento nacional
Nascida em 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, Adélia Prado ganhou projeção nacional na década de 1970, após ter seu talento reconhecido por Carlos Drummond de Andrade. O reconhecimento impulsionou a publicação de Bagagem, em 1976, livro que marcou sua estreia e consolidou seu nome no cenário literário.
Ao longo de quase seis décadas de carreira, publicou obras como O Coração Disparado, Solte os Cachorros e Manuscritos de Felipa. Recebeu prêmios como Jabuti, Guimarães Rosa, Machado de Assis e Camões — este último considerado o mais importante da língua portuguesa.
Em 2017, tornou-se a primeira mulher a receber o Prêmio Conjunto da Obra do Governo de Minas. Em 2024, venceu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, e também o Prêmio Camões. No mesmo ano, lançou O Jardim das Oliveiras, reunindo 25 poemas inéditos escritos ainda na juventude.
A escritora também recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), unidade Divinópolis, e foi homenageada com uma bênção apostólica enviada pelo Papa Leão XIV à Diocese de Divinópolis.
Recuperação
No início deste ano, Adélia Prado enfrentou um episódio que mobilizou a cidade. A escritora ficou internada por 20 dias após sofrer uma queda em casa, no dia 19 de janeiro, com fraturas no fêmur, no cotovelo e no punho, passando por duas cirurgias ortopédicas.
Após período na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebeu alta e seguiu internada para continuidade do tratamento com antibióticos e reabilitação. O Hospital São Judas Tadeu informou que ela deixou a unidade no último sábado, 7,e continuará a recuperação em casa. A evolução clínica foi considerada satisfatória.
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